O Banco Central (BC) afirmou nesta segunda-feira, 25, que o endividamento das famílias brasileiras continua em alta. O principal foco de preocupação está no avanço do cartão de crédito e dos empréstimos pessoais sem garantia.
A autoridade monetária também declarou que ainda não consegue prever se programas de renegociação, como o Desenrola 2.0, terão impacto suficiente para mudar esse cenário.
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Durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que as modalidades mais caras concentram os maiores riscos para as famílias.

Segundo Galípolo, a alta da inadimplência e o comprometimento da renda podem reduzir o consumo e frear a economia ainda neste ano. O presidente do Banco Central também disse que o crescimento do crédito rotativo preocupa mais do que o avanço do financiamento imobiliário.
“O financiamento habitacional constitui um ativo para a vida da pessoa”, afirmou. Já o crédito rotativo, segundo ele, não possui garantias e aumenta os riscos para o sistema financeiro.
Pix ampliou acesso ao cartão de crédito
Galípolo afirmou que o aumento do uso do cartão de crédito é um fenômeno observado em diversos países desde a pandemia. Segundo ele, o processo ganhou força no Brasil com a ampliação da inclusão financeira por meio do Pix.
“Milhões de pessoas que não tinham conta bancária passaram a ter conta bancária a partir do Pix e passaram a ter essa oferta de cartão de crédito”, declarou.
O presidente do BC também criticou o modelo brasileiro de crédito rotativo. Segundo ele, o sistema ainda carrega uma cultura ligada ao cheque pré-datado.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a capacidade de pagamento das famílias continua “desafiadora”, principalmente nas linhas mais caras.
Aquino disse que a desaceleração do crédito acompanha a perda de ritmo da economia em meio a juros elevados.
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