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Economia

Banco Central relata ao TCU colapso financeiro e irregularidades no Banco Master

Relatório interno aponta irregularidades recorrentes na instituição sob comando do banqueiro Daniel Vorcaro

Sede do Banco Central, que decretou a liquidação do Master nesta terça-feira, 18 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Sede do Banco Central, que decretou a liquidação do Master | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central (BC) informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que o Banco Master operava sob uma crise severa e prolongada de liquidez, com falhas estruturais na condução dos negócios. O órgão regulador alertou que a revisão da liquidação poderia gerar impactos relevantes no sistema financeiro.

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Segundo o BC, a instituição controlada por Daniel Vorcaro mantinha práticas irregulares recorrentes e não conseguia cumprir normas básicas do setor. O regulador avaliou que o quadro comprometia a capacidade do banco de honrar obrigações com clientes e credores.

O posicionamento consta de documento sigiloso enviado ao TCU na segunda-feira, 29. O material foi obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo. No texto, o BC sustenta que a liquidação representou a única saída viável diante do cenário econômico-financeiro identificado.

Falhas operacionais e risco sistêmico oferecido pelo Banco Master

O Banco Central relatou que tentou alternativas de mercado antes da intervenção. A supervisão identificou, porém, o esvaziamento das carteiras geradoras de caixa e a concentração em ativos de longo prazo, sem liquidez e com baixa capacidade de recuperação.

O relatório cita atrasos frequentes na entrega de informações contábeis, além da incapacidade de recompor recolhimentos compulsórios. O BC também apontou estratégias consideradas inadequadas e incompatíveis com boas práticas bancárias.

Outro ponto descrito envolve operações estruturadas sem geração relevante de fluxo financeiro e a cessão de créditos com inconsistências, inclusive com ativos cuja existência não pôde ser comprovada. O documento menciona ainda a reciclagem de recursos por meio de uma cadeia de fundos.

Na avaliação do BC, ajustes contábeis obrigatórios poderiam reduzir em cerca de R$ 20 bilhões o patrimônio de referência do conglomerado, com base em números de maio de 2025. Esse fator ampliaria o comprometimento da solvência.

O envio das explicações ocorreu em resposta a solicitação do ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no TCU. No despacho, ele questionou a condução do Banco Central e indicou possível precipitação na medida adotada contra o Master.

Leia também: “Ex-presidente do BRB contradiz depoimento de Vorcaro”

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