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Economia

Acordo Mercosul–UE entra em vigor na sexta-feira 1º

Tratado começa a valer de forma provisória e prevê redução gradual de tarifas

Top officials from the EU and the South American bloc Mercosur signed a free trade agreement on Saturday in Paraguay, paving the way for the European Union's largest-ever trade accord after 25 years of negotiations. The agreement, designed to lower tariffs and boost trade between the two regions, must now gain the consent of the European Parliament and be ratified by the legislatures of Mercosur members Argentina, Brazil, Paraguay and Uruguay.
Líderes da União Europeia e do Mercosul durante a cerimônia de assinatura do acordo | Foto: Reprodução/X

O acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia começa a valer provisoriamente na sexta-feira 1º, depois da promulgação do decreto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira, 28. Resultado de cerca de três décadas de negociações, o tratado terá implementação gradual e inaugura, inicialmente, apenas seu pilar comercial.

A abertura prevê cortes tarifários escalonados, com prazos que podem chegar a dez anos na Europa e a 15 anos no Brasil para produtos sensíveis. Em setores específicos, como veículos elétricos, híbridos e tecnologias emergentes, o cronograma é mais longo e pode alcançar até 30 anos.

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Ao todo, o acordo contempla a redução de tarifas para 95% das importações europeias e 91% das compras do Mercosul, com cronogramas definidos produto a produto.

Mercosul-UE
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 17 de janeiro I Foto: Divulgação/União Europeia

Assinado em janeiro, em Assunção, o pacto reúne dois mercados que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de US$ 22,4 trilhões. Parte dos efeitos já começa a ser percebida, sobretudo no agronegócio, enquanto a indústria também vislumbra ganhos com redução de custos e maior inserção internacional.

Segundo o diplomata Roberto Jaguaribe, ex-presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o acesso ao mercado europeu — maior que o do Mercosul — tende a gerar impacto já no curto prazo.

“É um mercado importante para muitos produtos e traz perspectivas de fazer a diferença já a partir do primeiro ano”, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo. Ele destaca ainda o potencial de atração de investimentos: “O acordo vai ter mais valor para o Brasil em função dos investimentos, ainda mais do que as importações e exportações”.

Lula Milei
Os representantes dos países do Mercosul em dezembro | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Do ponto de vista jurídico, o tratado se divide em dois instrumentos: o Acordo de Comércio Provisório, que entra em vigor agora, e o Acordo de Parceria, que abrange cooperação e aspectos políticos e ainda depende de aprovação nos Parlamentos nacionais europeus. Apesar disso, a vigência temporária não é afetada.

A queda de tarifas não representa ganho direto ao exportador, mas aumenta a competitividade ao reduzir o custo final. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra que mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero imediata na União Europeia, o equivalente a mais de 80% das importações do bloco provenientes do Brasil.

Entre os itens com redução imediata estão máquinas e equipamentos, alimentos, produtos metálicos, elétricos e químicos. No setor agrícola, produtos como café entram sem tarifa por não competirem com a produção europeia, enquanto itens sensíveis, como açúcar e carne, terão cotas e liberalização gradual.

Acordo Mercosul União Europeia
Da esquerda para a direita: Javier Milei, presidente da Argentina; Luis Alberto Lacalle Pou, presidente do Uruguai; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil; e Santiago Peña, presidente do Paraguai | Foto: Presidência da República/Ricardo Stuckert

Já no Brasil, bens como queijos, vinhos, azeites e chocolates terão redução tarifária ao longo de até uma década.

A abertura também deve baratear insumos e maquinário, além de incluir isenção imediata para itens sem produção local relevante, como motores aeronáuticos e medicamentos complexos. Ainda assim, os efeitos para o consumidor tendem a ser graduais, dada a necessidade de adaptação de setores produtivos.

Apesar de preocupações com possíveis impactos na indústria, entidades empresariais demonstram otimismo. Representantes do setor avaliam que o acordo pode elevar a produtividade, estimular modernização e ampliar a presença brasileira em cadeias globais de valor.

O acordo Mercosul–UE passou por entraves na Europa e no próprio bloco sul-americano, em meio a protecionismos e instabilidades políticas | Foto: Shutterstock

A exigência europeia por padrões ambientais e trabalhistas mais rigorosos também deve pressionar empresas a aprimorarem governança e rastreabilidade.

Governo estima crescimento do PIB com acordo Mercosul–UE

Dados do governo federal apontam impacto positivo potencial de 0,34% no PIB brasileiro (R$ 37 bilhões), aumento de 0,76% nos investimentos e redução de 0,56% nos preços ao consumidor. Também são projetados ganhos em salários reais e expansão tanto das exportações quanto das importações.

Hoje, empresas brasileiras que exportam para a União Europeia sustentam cerca de 3 milhões de empregos. Em 2025, a corrente de comércio entre as partes atingiu US$ 100 bilhões, com leve déficit para o Brasil — cenário que o acordo busca reequilibrar ao ampliar oportunidades comerciais e de investimento.

+ “Oportunidades e desafios para o agro brasileiro com o acordo Mercosul-UE

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