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Economia

A Corrupção e o 'andar de baixo'

Desvios bilionários revelam como a corrupção compromete políticas sociais e aprofunda desigualdades

'A corrupção brasileira é um programa social às avessas, pois implica uma transferência de renda substancial dos pobres para os ricos', escreve Antonio Carlos Porto Gonçalves | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
'A corrupção brasileira é um programa social às avessas, pois implica uma transferência de renda substancial dos pobres para os ricos', escreve Antonio Carlos Porto Gonçalves | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

As estimativas do prejuízo causado aos aposentados devido aos descontos não autorizados nas suas pensões do INSS giram entre R$ 5 bilhões e 10 bilhões. As estimativas do prejuízo causado pela apropriação indevida de fundos de pensão, pelas aplicações financeiras não honradas etc., no âmbito do Banco Master e de seus afiliados, giram entre R$ 40 bilhões e 50 bilhões. Não se sabe os valores precisos, pois as investigações parecem ter sido atrapalhadas e são mantidas mais ou menos em segredo (e a redução do segredo decorre da manutenção de um segmento de imprensa livre no país — o que não ocorreu em outros países, como a Venezuela). Mas vamos supor que o prejuízo somado, dos dois casos, seja de R$ 50 bilhões, o que provavelmente não é nenhum exagero.

Uma casa popular no Brasil, de padrão básico, com 45 metros quadrados (quarto, sala, banheiro e cozinha), custa, para ser construída, cerca de R$ 100 mil. Ou seja, os R$ 50 bilhões surrupiados poderiam custear a construção de 500 mil casas populares, ajudando algo entre 2 milhões e 3 milhões de pessoas “do andar de baixo” a terem a sua casa própria. Segundo o Ministério das Cidades, até o fim de 2025, o atual governo havia entregado 43 mil casas populares e diz ter contratado a construção de mais de 1 milhão de casas. São números comparáveis e até mesmo inferiores aos que se poderia obter se os recursos surrupiados fossem aplicados socialmente.

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Além dos prejuízos éticos, do mau exemplo para a população, da propaganda negativa para os visitantes e os investidores estrangeiros, esses episódios causam uma transferência de renda substancial dos pobres para os ricos. De fato, funciona como se 500 mil casas fossem esvaziadas dos seus moradores pobres, vendidas e a receita obtida entregue aos “amigos do rei”. A corrupção brasileira é um programa social às avessas, pois implica uma transferência de renda substancial dos pobres para os ricos. Não é apenas uma questão ética e de mau exemplo. É um sério problema econômico, que certamente colaborou para que nos últimos 25 anos a má distribuição de renda no Brasil não tenha melhorado.


(*) por Antonio Carlos Porto Gonçalves

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