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Metanol: variações genéticas influenciam gravidade e resposta ao tratamento

Entenda como diferenças entre indivíduos afetam a intoxicação pela substância em seres humanos e a eficácia dos antídotos

Homem segura bebida alcoólica, em alusão à nota do metanol
Homem segura bebida alcoólica | Foto: Jcomp/Freepik

Casos recentes de intoxicação por metanol mobilizam autoridades de saúde em todo o país. Até o momento, 55 cidades de 15 Estados notificaram suspeitas, com 17 confirmações e outros 200 registros em análise. O número de mortes chegou a 14, sendo que três já foram ligadas ao metanol, enquanto 11 óbitos permanecem sob investigação.

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A diferença de gravidade entre os afetados intriga especialistas: muitos ingerem quantidades elevadas de metanol sem sintomas sérios. Contudo, uma parcela menor desenvolve complicações graves, incluindo morte.

Pesquisadores acreditam que fatores genéticos podem explicar parte dessa variação nas respostas ao tóxico.

Genética e resposta ao metanol

metanol em bebidas destiladas
Substância metanol, que pode ser letal, está presente em bebidas destiladas no Brasil | Foto: Reprodução/Freepik

O genoma humano contém cerca de 3 bilhões de pares de bases, com 99,9% de similaridade entre as pessoas. A diferença de 0,1% representa aproximadamente 3 milhões de variações individuais, que influenciam desde a reação a substâncias químicas até a vulnerabilidade a doenças.

Essas pequenas diferenças genéticas podem impactar diretamente como cada organismo lida com a exposição à substância, presente em bebidas alcoólicas falsificadas ou adulteradas.

Quando ingerido, o metanol se transforma primeiro em formaldeído, depois, em ácido fórmico, até o corpo o eliminar como gás carbônico e água. O perigo está nos subprodutos formaldeído e, principalmente, ácido fórmico, ambos tóxicos em altas concentrações.

O processo de transformação depende de enzimas como álcool desidrogenase, aldeído desidrogenase e formato desidrogenase. A codificação de todas elas ocorre por genes sujeitos a variações, as quais alteram sua eficiência de pessoa a pessoa.

Leia também: “A multinacional do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 290 da Revista Oeste

Aqueles indivíduos cujos genes favorecem ação rápida dessas enzimas se beneficiam de uma eliminação mais eficiente do metanol, de modo a reduzir o risco de consequências graves. Porém, indivíduos com atividade mais lenta dessas enzimas mantêm por mais tempo os compostos tóxicos no corpo, o que eleva a chance de complicações. Em certas fases, ter metabolismo lento pode representar alguma vantagem, pois diminui a velocidade de geração dos subprodutos prejudiciais.

Tratamento e importância da medicina personalizada

O tratamento da intoxicação costuma envolver antídotos, como etanol ou fomepizol, com o objetivo de bloquear a ação da álcool desidrogenase e impedir a formação inicial de metabólitos nocivos.

Caso o metanol já tenha sido convertido nos subprodutos tóxicos, a rapidez na eliminação dessas substâncias passa a ser fundamental. Se as enzimas responsáveis trabalharem de forma lenta, pode haver acúmulo perigoso dessas toxinas no organismo.

Leia também: “Conselhos aos humanos”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 290 da Revista Oeste

Assim, as variações genéticas individuais desempenham papel decisivo na resposta ao metanol e influenciam a rapidez com que o corpo elimina a substância. Esse conhecimento reforça a importância da abordagem personalizada da medicina genômica na prevenção e no tratamento de intoxicações químicas.

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