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Curiosidades

Fernanda e o luxo de Hollywood

Atriz não escondeu a emoção em conquistar o Globo de Ouro, um dos símbolos de uma cultura que ela costumava criticar

Fernanda Torres Globo de Ouro
Fernanda Torres homenageou a mãe no discurso | Foto: Reprodução/YouTube/Golden Globe

Em sua primeira novela, Fernanda Torres atuou como Flora em Baila Comigo (1981). Tinha 16 anos e já se sentiu em casa. Na trama, seu pai, Fernando Torres, fazia o papel de Plínio, médico equilibrado e humanista, pai adotivo de um dos protagonistas, Quinzinho (Tony Ramos).

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A mãe dela, Fernanda Montenegro, fez a personagem Sílvia, ex-mulher, de Caio (Carlos Zara), que, num estereótipo daquele tempo, apenas vivia de mesada. Fernanda, no enredo, era filha de Rosa (Suely Franco) e do naturalista Álvaro (Jonas Mello). Uma reprodução da vida familiar se transferiu para o set.

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Esse ambiente acolhedor, trabalhando ao lado dos pais, impulsionou uma carreira sólida. Baseada mais na evolução do que na ambição. Até que o reconhecimento chegou cedo, quando ela venceu o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, por Eu Sei Que Vou Te Amar (1986).

Contudo, a ideia do estrelato não a seduzia. Hollywood, seu poder midiático e seu glamour pareciam distantes. Se fosse no futebol, poderíamos compará-la ao craque que nunca sonhou com a Europa, mas sim em fazer história em solo brasileiro.

Para ela, a glória era marcar a vida de muitos adolescentes no papel da inconstante Vani, no premiado seriado Os Normais. Enquanto isso, em 2002, Nicole Kidman conquistava o Oscar por As Horas (2002), solidificando sua posição como uma das maiores estrelas de sua geração.

Tilda Swinton firmava-se como uma força única no cinema, vencendo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Michael Clayton (2007). Fernanda não estava nem aí.

Preferiu investir na performance teatral, no monólogo A Casa dos Budas Ditosos, entre 2003 e 2008, que lhe valeram um prêmio Qualidade Brasil e um Shell. Kate Winslet, em 2009, levou o Oscar por sua atuação em O Leitor. E Fernanda com isso? Preferiu continuar se divertindo, no papel de Fátima, na célebre série Entre Tapas e Beijos.

Ao longo da carreira, Fernanda manteve um olhar radical sobre a indústria cultural. Mostra-se contundente em relação ao que chama de superficialidade das redes sociais, ao apego à aparência e à produção em massa que, para ela, muitas vezes prioriza produtos fáceis em detrimento de obras artísticas significativas. Muitos a veem como arrogante.

“Donos de uma identidade cultural própria, somos mais do que meros apreciadores de enlatados”, escreveu ela em sua coluna na Folha de S. Paulo, em uma crítica ao mercado cinematográfico liderado pelos Blockbusters norte-americanos.

Até que um dia os caminhos se encontraram. Fernanda, a rebelde, libertária, percorreu o trajeto do salão luxuoso do Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, para receber o Globo de Ouro, um dos maiores símbolos da dramaturgia dos Estados Unidos.

Rendeu-se ao fato de que, apesar de o cinema norte-americano ser uma fábrica do que chama de enlatados (que muitas vezes divertem), pode ser também uma indústria de trabalho e de inspiração.

Parecia comprovar isso a cada passo que dava, com vestido preto de gala, no trajeto para a sua consagração. Sozinha, mas, de alguma maneira, acompanhada por suas contradições. E por todos aqueles que a ensinaram desde o início da carreira.

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“Transgressora”, desbocada, mais madura, o semblante dela, diante da Hollywood tradicional, era de encanto. Não ambicionou esse feito, ele veio de forma natural. Mas, ao lado de estrelas consagradas, Fernanda não escondeu a emoção. E homenageou sua mãe no discurso.

Imperialismo norte-americano? Para essa pergunta provocativa, a rebelde Fernanda Torres, novamente, não estava nem aí. O mais importante era desfrutar do reconhecimento mundial. Quando o assunto é arte dramática, ela aprendeu a se sentir em casa, onde quer que seja.

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8 comentários
  1. Fabiano Vilas Boas
    Fabiano Vilas Boas

    Revista Oeste decepcionando novamente, com foco no ‘copo meio vazio’, criando um ambiente de desafeto e rebarbas.
    Se o Elon Musk peidar ou arrotar, vende como o cheiro da essência dos deuses, mas se for algum desafeto, mero porco.
    O Brasil foi reconhecido internacionalmente e desprezado pela imprensa chula desse canal que tende ao mesmo destino da Jovem Pan…

  2. RODRIGO DE NOVAES
    RODRIGO DE NOVAES

    Deixa eu ver se entendi. A Fernanda Torres é a primeira atriz brasileira a ganhar o globo de ouro como melhor atriz, e não deveria estar em Hollywood porque é de esquerda? Esse é um dos artigos mais rasos que já li. O jornalismo deve ser feito com a mínima coerência, o mais básico, essencial bom senso. Parabéns, Fernanda! Parabéns, Brasil!

  3. Bruno Salerno Chaves
    Bruno Salerno Chaves

    Maravilhoso artigo. Criticam o que amam. Freud chamaria de frustração, como um mecanismo de defesa. A impossibilidade de alcançar, culmina no recalque barato. Da pornochanchada às novelas, nada de novo. Enredos sem graça e edição barata. Filmes sobre ditadura é um grande exemplo de que não há nada de criativo no horizonte da militância.

  4. Eduardo Lucas Vieira
    Eduardo Lucas Vieira

    Entenda a esquerda caviar. Parabéns Fernanda!

  5. Leo Saraiva
    Leo Saraiva

    Kkkkkkkkkkkk
    Passa gelol no cotovelo que passa kkkkkkkkkkkk

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