publicidade
Curiosidades

O Estrangeiro de Albert Camus

Filósofo franco-argelino foi o expoente da filosofia do absurdo

Albert Camus, filósofo franco-argelino | Foto: Reprodução/Redes sociais
Albert Camus, filósofo franco-argelino | Foto: Reprodução/Redes sociais

Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado” (Albert Camus) 

“Hoje, mamãe morreu”, afirma Meursault, personagem de Albert Camus (1913-1960) no livro O Estrangeiro. “Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames’. Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem.”

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Cultura em Oeste

As primeiras páginas do romance, publicado em 1942, revelam o espírito cético do personagem. Meursault é um homem niilista — que nega a existência de sentido, de valor ou de objetivo na vida.

Leia mais: “O conservadorismo de Michael Oakeshott”

A falta de propósito intrínseco expressa pelo personagem de O Estrangeiro foi o que Camus chamou de filosofia do absurdo — o conflito entre o desejo humano de encontrar significado e o silêncio do universo.

A solução de Albert Camus

Como filósofo, Camus encontrou uma solução para o impasse: se rebelar contra o absurdo e viver plenamente. Também deve buscar a liberdade, a autenticidade e a responsabilidade pessoal. Essa filosofia motiva as pessoas a buscar o sentido para a vida, apesar dos problemas que o mundo oferece.

Escritor Albert Camus | Foto: Wikimedia Commons

As obras de Camus renderam-lhe o Prêmio Nobel de Literatura, em 1957. Durante o discurso, que é lembrado nos dias atuais, o romancista premiado lembra que o dever do escritor é ter o compromisso com a verdade. Eis um trecho do discurso:

“Nenhum de nós é suficientemente grande para essa vocação. Mas, em todas as circunstâncias da vida, obscura ou provisoriamente célebre, lançado aos ferros da tirania ou momentaneamente livre para se exprimir, o escritor pode reencontrar o sentimento de uma comunidade viva que o justificará, com a única condição de aceitar, na medida do possível, as duas obrigações que fazem a grandeza do seu ofício: o serviço à verdade e à liberdade.”

O compromisso com a verdade e com a liberdade foi o motivo do rompimento da amizade entre Camus e o filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) — um dos episódios mais famosos da história intelectual do século 20.

Crítica ao totalitarismo

A ruptura ocorreu em 1952, depois da publicação do livro de Camus O Homem Revoltado. Na obra, o filósofo critica o totalitarismo e também rejeita a defesa da violência revolucionária como meio de alcançar a justiça.

Jean-Paul Sartre nasceu em 1905 e morreu em 1980 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Jean-Paul Sartre nasceu em 1905 e morreu em 1980 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Camus era um crítico do comunismo leninista. Para ele, a revolução deveria respeitar limites morais. Deveria, também, evitar que a luta pela liberdade se transformasse em opressão.

Leia também:

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade