A Netflix consolidou sua posição de liderança no entretenimento ao comprar a Warner Bros. por US$ 83 bilhões. O negócio surpreendeu o mercado, pois une a maior plataforma de streaming a um estúdio de cinema centenário, cujas origens em 1923 antecedem a própria televisão. A transação exclui a Discovery, que passará por um processo de separação.
Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, celebrou a aquisição de clássicos como Casablanca e Cidadão Kane, além de franquias modernas como Harry Potter. O executivo afirmou que a combinação das bibliotecas ajudará a definir o próximo século de histórias.
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A empresa afirmou em comunicado que espera manter as operações atuais da Warner Bros., o que inclui lançamentos nos cinemas. Em conferência com analistas, Sarandos disse que não vê uma mudança imediata na abordagem.
“Acredito que, com o tempo, as janelas evoluirão para ser muito mais amigáveis ao consumidor, para poder encontrar o público onde ele estiver, mais rápido”, declarou o executivo. “Gostaria de fazer todas essas coisas, mas diria que agora você deve contar com tudo o que está planejado para ir ao cinema pela Warner Bros. continuará indo aos cinemas pela Warner Bros.”
Concorrentes da Netflix e exibidores reagem
A Paramount Skydance, que perdeu a disputa pela compra, criticou o acordo. Os advogados da empresa enviaram uma carta onde afirmam que a Netflix não tem incentivo para lançar filmes nos cinemas. Segundo eles, a plataforma usará a biblioteca da Warner apenas para consolidar seu domínio no streaming e prejudicará a distribuição teatral.
A Cinema United, organização que representa os proprietários de salas de cinema, classificou a aquisição como uma “ameaça sem precedentes” ao setor. Michael O’Leary, presidente da entidade, alertou que o modelo de negócios da Netflix se opõe à exibição tradicional.
“A Netflix, se combinada com a WBD, reduzirá o número de filmes para lançamento amplo nos cinemas”, diz o comunicado da associação. “Isso empurrará ainda mais os consumidores para longe dos cinemas e prejudicará aqueles que já estão lutando.”
A entidade estima que o negócio coloca em risco 25% da bilheteria doméstica anual, fatia que pertence à Warner Bros.. O’Leary ressaltou que os cinemas funcionam como âncoras econômicas locais, onde cada dólar gasto gera US$ 1,5 em negócios vizinhos, como restaurantes e lojas.
David Zaslav, chefe da Warner Bros. Discovery, defendeu a fusão. “Ao nos unirmos à Netflix, garantiremos que pessoas em todos os lugares continuarão a desfrutar das histórias mais ressonantes do mundo pelas próximas gerações.”
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