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Cultura

Por que sou conservador e o que entendo por conservadorismo

'A minha posição política, assim, é aquela que mais se aproxima da defesa e das necessárias reformas dos princípios gestados na cultura ocidental', escreve Pedro Henrique Alves

conservadorismo - pedro henrique alves
Conservadorismo pauta artigo de Pedro Henrique Alves na Revista Oeste | Foto: Reprodução/Freepik

Para mim, sempre foi claro que um homem sensato não tem, a priori, uma “posição política”. Ele possui uma postura de vida que o leva a concordar com e discordar de uma ou mais correntes políticas no decorrer de sua existência. Isso acontece, pois um homem prudente não se prende a modelos ideais de política, manifestos de mundos perfeitos ou a salvadores sociais.

É fato que, inevitavelmente, se esse homem for coerente, com o passar do tempo, observaremos nele uma previsibilidade de ações e crenças baseadas, em suma, em seus valores morais. E é aí que nasce um “conservador político”, um homem que, na sociedade, defende princípios e valores que conservam e nutrem um avanço sensato da sociedade.

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Há tempos estudo o tema do conservadorismo, leio bastante sobre e já me aprofundei até em grupos de estudos sérios a respeito do tema. Mas aqui quero trazer minhas observações pessoais e meu prisma sobre o que penso ser o conservadorismo prático.

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O conservadorismo, como tradição intelectual ocidental — e falo isso assentado em Burke, Kirk, Scruton, entre outros —, não me leva a ter nenhuma amarra com qualquer partido, linha oficial ou manifesto catequético ou ideológico de ações. Ele permite antes que eu me adéque e me oriente tendo os princípios morais do senso comum, minhas individualidades e capacidade de discernimento como guias seguros de ações e ideias em sociedade. E é justamente essa característica — entre muitas outras — que mais me atrai ao seu núcleo de influência. A política não define um conservador, como acontece em ideologias contemporâneas, ainda que um conservador possa ser um indivíduo politicamente ativo.

“Se tirarmos a política do socialismo, o socialismo acaba, se tirarmos a política do conservador, ele continuará com seus valores em sua vida privada”

Pedro Henrique Alves

Obviamente que não serei aqui o tolinho “conservador idealista” que negará que existem sim movimentos políticos denominados “conservadores”, e que tais movimentos — iniciados de maneira mais organizada no Reino Unido — não tenham em seu bojo grandes intelectuais e políticos que, de fato, teorizaram o “conservadorismo” para além dos rascunhos e espectros do senso comum.

Conservadorismo além da política

Eleições 2024 voto trânsito
Conservadorismo não se resume à política, avalia colunista | Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil

Entretanto, ainda que o conservadorismo seja sim atuante na política, e até mesmo organizado em partidos ao redor do globo, não devemos perder sua haste primeva que é justamente a sua relação interpessoal na comunidade e na família, e não por meio de órgãos oficiais do Estado. Há um elemento que afasta e aproxima, ao mesmo tempo, o conservadorismo da política, mas isso não o torna um movimento estritamente político como é o caso do socialismo, por exemplo. Se tirarmos a política do socialismo, o socialismo acaba, se tirarmos a política do conservador, ele continuará com seus valores em sua vida privada e em suas relações comunitárias.

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Meu foco, então, como torna-se evidente aqui, não será o conservadorismo político, mas o conservadorismo social, o conservadorismo enquanto adesão e prática individual. Conservar, assim, segundo a tradição conservadora ocidental, está infinitamente mais ligado ao ato de educar bem os filhos e ser gentil com a vizinha idosa do que com os formalismos e estruturas do Ministério da Educação.

O conservadorismo real não é o feito a partir da cadeira presidencial, mas sim por meio da poltrona da sala de estar, em nossa casa. E não! Isso não é idealismo de maneira alguma. É a realidade mesma do conservadorismo prático. Isto é, um conjunto de princípios e posturas descentralizados, pulverizados a partir de um comum acordo interpessoal gestado, grosso modo, no seio do pertencimento familiar, nacional e cultural, no resguardo moral e na reação ante a problemas e desafios que se apresentam em uma comunidade.

“O conservadorismo, sob minha análise, nasce para ser prático, cotidiano. Quando não é, torna-se mais uma ideologia hipócrita como qualquer outra”

Pedro Henrique Alves

A minha posição política, assim, é aquela que mais se aproxima da defesa e das necessárias reformas dos princípios gestados na cultura ocidental. Minha preferência social é aquela que não agride tais pilares fundamentais nos quais minha família e sociedade estão assentados. E quando falamos de “princípios”, “valores”, eles soam abstratos, etéreos. No entanto, são os mais práticos e sensíveis possíveis.

Questão de princípio

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Educar o filho é um ato de conservadorismo, avalia Pedro Henrique Alves | Foto: Sergey Nivens/Shutterstock

Tais princípios e valores são colocados a prova todos os dias, pois defender os valores ocidentais não é somente o ato de desembarcar na Normandia para matar nazistas, ou entrar em debates na universidade sobre a origem da vida de um bebê, mas também — e diria até, ANTES — praticar virtudes cotidianas até defender princípios políticos mais abrangentes, como ser fiel ao matrimônio, ajudar os mendicantes, educar seu filho, amar sua mulher, não prejudicar seus vizinhos e também respeitar a liberdade individual de terceiros, cultivar um apreço pelas tradições, defender as instituições culturais e políticas que garantem uma ordem de liberdade virtuosa no Ocidente etc.

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O conservadorismo, sob minha análise, nasce para ser prático, cotidiano. Quando não é, torna-se mais uma ideologia hipócrita como qualquer outra. Somente por meio da prática e da defesa dos princípios basilares da sociedade é que ganhamos poder e coerência para escudar as grandes batalhas políticas e geopolíticas.

“Meu conservadorismo é tão somente paroquial e, quando provocado, torna-se uma crítica social”

Pedro Henrique Alves

Não tenho problema em definir-me como conservador justamente por isso, pois, na miríade de ideias que surgem no debate político, de fato, a posição conservadora é aquela que exige de mim apenas uma extensão de minhas certezas individuais, familiares e paroquiais a um contexto mais abrangente. Não tenho tendência a ser um rematado conservador com minha família e um desconstruído socialista no debate público. Dessa dissonância, eu não sofro. A mera definição sem a prática real é pura jacobice, hipocrisia, dissimulação. Ou a forma atualiza a matéria, ou a potência se verte em ato, ou, em termos de sociedade, aquilo que você diz de si mesmo não passa de um amontoado de cocô.

Sobre estereótipos e maquiagens

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Articulista escreve sobre estereótipos relacionados ao conservadorismo | Foto: Reprodução/Freepik

Outra observação importante é que o pensamento conservador enquanto tal não amolda seus adeptos a posturas idílicas ou predefinições descontextualizadas, não cria estereótipos nem muito menos “descarrega dogmatismos” de etiqueta. O conservadorismo é milhões de vezes mais irrigado pela maneira com a qual nos relacionamos e colocamos em prática os princípios éticos e morais que legamos desse tronco de ordem ocidental, do que com a gravata borboleta, o cachimbo ou quaisquer outros fetiches que dão tesão em muitos conservadores de redes sociais.

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Os estereótipos e as maquiagens que externalizam um conservadorismo de palco não necessariamente estão ligados a um apreço pela ética e pelas virtudes reais que formam aquele referido edifício ocidental que os conservadores defendem. O conservadorismo, por ser prático, comum, tem a dimensão mesma do populacho, do senso comum em seu sentido mais definido. O conservadorismo é popular, per se.

Por fim, dedico esta coluna a um crítico anônimo, liberal, que, por e-mail, me chamou de “covarde” por ser um “conservador enrustido trabalhando em meio a liberais”. O que é um absurdo, visto que são incontáveis os textos nos quais me assumo conservador. A questão, como fica evidente, é que um conservador como eu não precisa ficar medindo seu órgão publicamente para provar a sua masculinidade, nem ficar provando suas adesões políticas para conseguir aplausos. Não sofro dessas inseguranças juvenis. Meu conservadorismo é tão somente paroquial e, quando provocado, torna-se uma crítica social. É relativamente simples de entender.

Leia também: “Antonio Risério, o socialista odiado pela esquerda”, leia a entrevista feita por Pedro Henrique Alves e publicada na Edição 237 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    CONSERVADOR É:
    Crescer numa família/sociedade com regras simples e justas, SÓLIDAS/ longevas e nela obter determinados sucesso através do Estudo, trabalho e dedicação COM LIBERDADE de escolha.
    Ou seja, obteve relativos sucessos durante sua vida você quer MANTER essas regras e costumes para seus descendentes.
    Progressistas, na esmagadora maioria dos casos, SÃO PESSOAS frustradas que não deram sucesso ou alegria em suas vidas, pois se utilizaram de atalhos e ESCOLHAS erradas ou não tem vontade de se esforçar….Ai…colocam a culpa na sociedade/sistema.
    “Todo mundo é pilantras menos eles”
    É a desculpa predileta dos preguiçosos.
    São ótimos para criarem narrativas mentiras para justificar suas atitudes de BOSTILEIROS.
    Kkkkkkkk TÔ MENTINDO!?!

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