publicidade
Cultura

Os filmes essenciais sobre a 2ª Guerra Mundial em ordem cronológica

Confira a seleção definitiva debatida no programa Oeste Cultura. A lista organiza o cinema de guerra pela ordem dos fatos históricos

Os filmes essenciais sobre a 2ª Guerra Mundial em ordem cronológica
A lista completa debatida no programa Oeste Cultura cobre todas as frentes da 2ª Guerra Mundial | Foto: Reprodução/Redes sociais

Durante a última edição do programa Oeste Cultura, os apresentadores Lucas Nascimento e Dagomir Marquezi debateram a vastidão da produção cinematográfica sobre a 2ª Guerra Mundial.

Como prometido na transmissão, a Revista Oeste disponibiliza agora a lista expandida e detalhada, organizando as obras não pela data de lançamento, mas pela cronologia dos eventos reais que definiram o século 20.

Receba nossas atualizações

A seleção abrange desde os prenúncios do totalitarismo na Alemanha até as consequências morais e jurídicas do conflito, oferecendo um panorama completo através das lentes de grandes diretores e diversos movimentos cinematográficos em obras conceituadas até hoje.

1933: A ascensão do mal

Os Deuses Malditos (1969) 

Sob a direção de Luchino Visconti, a obra retrata a decadência da família Von Essenbeck, proprietária de uma siderúrgica na Alemanha. O enredo expõe como a manipulação política e a ambição pessoal permitiram que o nazismo se infiltrasse na aristocracia industrial, culminando na “Noite das Facas Longas”.

+ Leia mais notícias de Cultura em Oeste

O filme analisa a corrosão moral da elite alemã que, ao tentar usar Adolf Hitler para seus próprios fins, acabou devorada por ele. Visconti utiliza uma estética operística e sombria para ilustrar a destruição dos valores familiares em favor da ideologia do Terceiro Reich.

1938: O fim da Áustria

A Noviça Rebelde (1965) 

Embora lembrado como um musical, o filme documenta o Anschluss, a anexação da Áustria pela Alemanha nazista. A trama acompanha a família Von Trapp, que precisa decidir entre submeter-se ao novo regime e servir à Marinha alemã ou arriscar tudo em uma fuga pelas montanhas.

A produção contrasta a inocência e a beleza da paisagem austríaca com a tensão crescente da ocupação militar. O roteiro destaca a perda da soberania nacional e a pressão sobre os cidadãos comuns para aderirem à suástica que levaria todo o continente para o teatro apocalíptico da guerra mundial.

1939: O início do conflito de uma guerra mundial

O Discurso do Rei (2010) 

A narrativa foca na luta pessoal do Rei George VI contra a gagueira, justamente no momento em que o Reino Unido precisa declarar guerra à Alemanha. O monarca busca a ajuda de um fonoaudiólogo pouco ortodoxo para conseguir transmitir confiança à nação pelo rádio.

O filme ilustra a importância da liderança e da comunicação em tempos de crise. A trama culmina no primeiro discurso de guerra do rei, que une os britânicos contra a ameaça iminente de Hitler.

1939 a 1945: O Holocausto e a ocupação

A Lista de Schindler (1993) 

Steven Spielberg filma em preto e branco a história real de Oskar Schindler, um industrial alemão que salvou mais de mil judeus poloneses ao empregá-los em sua fábrica. O filme documenta a brutalidade do gueto de Cracóvia e o funcionamento do campo de concentração de Plaszow.

A obra evita o sentimentalismo fácil ao mostrar Schindler como um homem complexo e inicialmente oportunista. A transformação do protagonista ocorre diante da barbárie nazista, resultando em um dos documentos cinematográficos mais importantes sobre o Holocausto.

O Pianista (2002) 

Roman Polanski dirige a história de Wladyslaw Szpilman, um pianista judeu polonês que luta pela sobrevivência em Varsóvia. A narrativa acompanha a destruição gradual da cidade, desde a invasão alemã até a chegada do Exército Vermelho.

Diferentemente de outros filmes de guerra, a câmera foca no isolamento e na observação passiva do protagonista. Szpilman sobrevive não por heroísmo militar, mas pelo acaso e pela arte, testemunhando a aniquilação de seu povo através das janelas de esconderijos.

Leia mais:

1940: As frentes europeias da Guerra Mundial

Katyn (2007) 

O diretor Andrzej Wajda expõe o massacre de 22 mil oficiais e intelectuais poloneses executados pela polícia secreta soviética. O filme desmonta a mentira histórica mantida por décadas, que atribuía a autoria do crime aos nazistas.

A narrativa se divide entre o destino dos prisioneiros e o sofrimento das famílias que aguardavam o retorno de seus entes queridos. Wajda, cujo pai morreu no massacre real, imprime um tom pessoal e documental à tragédia nacional polonesa.

O Destino de uma Nação / Dunkirk / A Batalha da Grã-Bretanha

O trio de filmes cobre o momento mais crítico para a Inglaterra. O Destino de uma Nação (2017) foca nos bastidores políticos e na recusa de Winston Churchill em negociar a paz. Dunkirk (2017) mostra a evacuação desesperada das tropas cercadas na praia francesa, sob ataque constante.

A Batalha da Grã-Bretanha (1969) retrata o combate aéreo decisivo entre o Exército Vermelho, da União Soviética, e a Força Aérea Nazista. Juntos, os filmes formam um mosaico completo da resistência britânica quando o país lutava sozinho contra o Eixo.

Zona de Interesse (2023) 

O filme observa a rotina doméstica de Rudolf Höss, comandante de Auschwitz, que vive com sua família em uma casa idílica ao lado do muro do campo de extermínio. A direção opta por não mostrar a violência gráfica, deixando o horror para o som ambiente de gritos e fornos crematórios que atravessa o jardim.

A obra estuda a banalidade do mal e a compartimentalização da consciência. A família Höss preocupa-se com flores e piqueniques enquanto a máquina de morte opera a poucos metros de distância.

1941: A Guerra se espalha

Casablanca (1942) 

No Marrocos controlado pelo governo colaboracionista de Vichy, refugiados de toda a Europa tentam obter vistos para a América. Rick Blaine, um norte-americano expatriado, precisa escolher entre seu cinismo e a luta contra o nazismo ao reencontrar um antigo amor.

Realizado durante a própria guerra mundial, o filme captura a incerteza e o desespero do momento. A trama serve como um microcosmo das escolhas morais que indivíduos e nações precisaram fazer diante do avanço fascista.

O Jogo da Imitação (2014) 

A cinebiografia de Alan Turing revela os esforços da equipe de Bletchley Park para quebrar o código da máquina Enigma, utilizada pelos alemães para criptografar mensagens. O matemático constrói uma das primeiras formas de computador para decifrar as comunicações nazistas.

O filme destaca como a inteligência e a tecnologia foram decisivas para encurtar a guerra mundial. Além do feito militar, a obra aborda a perseguição que Turing sofreu por sua homossexualidade, mesmo sendo um herói de guerra.

O Ataque a Pearl Harbor: Tora! Tora! Tora! / Império do Sol / A Um Passo da Eternidade 

Tora! Tora! Tora! (1970) recria minuciosamente o ataque japonês à base naval norte-americana, mostrando os erros burocráticos e militares de ambos os lados. A Um Passo da Eternidade (1953) foca na vida dos soldados no Havaí nos dias que antecederam o bombardeio, explorando as tensões internas do exército.

Império do Sol (1987), de Spielberg, muda o cenário para a ocupação japonesa na China. A trama segue um menino britânico separado dos pais que precisa amadurecer rapidamente dentro de um campo de prisioneiros japonês, testemunhando o fim do império colonial no Oriente.

1942: O mundo destroçado

Das Boot (1981) 

O filme alemão coloca o espectador dentro da claustrofobia de um submarino U-Boat durante a Batalha do Atlântico. A tripulação enfrenta o tédio, o medo constante de cargas de profundidade e a deterioração psicológica enquanto caça comboios aliados.

Wolfgang Petersen dirige uma obra que humaniza os marinheiros alemães sem glorificar o nazismo. A produção enfatiza a futilidade da guerra e o destino trágico da maioria das tripulações de submarinos.

Cidadão Klein (1976) 

Na Paris ocupada, o Sr. Klein, um negociante de arte que lucra comprando bens de judeus em fuga, descobre a existência de um homônimo judeu. As autoridades o confundem com o outro homem, e Klein inicia uma busca obsessiva para provar sua identidade ariana.

O filme usa o thriller kafkiano para criticar a indiferença da sociedade francesa durante a deportação de judeus, especificamente o episódio do Velódromo de Inverno. A indiferença do protagonista se volta contra ele.

A Pequena Loja da Rua Principal (1965) 

Na Eslováquia, fantoche do nazismo, um carpinteiro humilde recebe a tarefa de ser o “ariano controlador” de uma loja de botões pertencente a uma senhora judia idosa e surda. A relação entre os dois oscila entre a comédia e a tragédia iminente.

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a obra aborda a covardia moral e a colaboração forçada. O protagonista tenta proteger a idosa, mas o medo das autoridades nazistas leva a um desfecho devastador.

A Vida é Bela (1997) / O Exército das Sombras (1969)

Enquanto A Vida é Bela usa o humor e a fantasia como escudo de um pai para proteger o filho do horror de um campo de concentração na Itália, O Exército das Sombras oferece uma visão crua e desglamourizada da Resistência Francesa.

O filme de Jean-Pierre Melville mostra os combatentes da resistência não como heróis de ação, mas como homens e mulheres condenados, que precisam lidar com traições, execuções sumárias e a constante ameaça da Gestapo.

Círculo de Fogo (2001) 

A Batalha de Stalingrado serve de cenário para o duelo entre um atirador de elite soviético, Vassili Zaitsev, e um major alemão. O filme recria a destruição total da cidade e a brutalidade do combate urbano na Frente Oriental.

A produção destaca o uso da propaganda soviética para criar heróis e elevar o moral das tropas. A guerra de snipers simboliza a natureza pessoal e impiedosa do conflito entre a Alemanha e a União Soviética.

Patton (1970) 

A cinebiografia do General George S. Patton cobre suas campanhas no norte da África, na Sicília e na Europa Ocidental. O filme estuda a personalidade excêntrica, o gênio tático e a crença na reencarnação de um dos comandantes mais controversos dos EUA.

George C. Scott interpreta um soldado que ama a guerra mundial e se sente deslocado no século 20. O roteiro expõe os atritos políticos entre os Aliados e a impaciência de Patton com a diplomacia.

A Condição Humana (1959-1961) 

A trilogia monumental de Masaki Kobayashi acompanha Kaji, um pacifista japonês que tenta manter sua humanidade em meio à brutalidade do exército imperial na Manchúria. A obra cobre desde o tratamento aos prisioneiros chineses até a derrota e a captura pelos soviéticos.

Considerada uma das maiores obras do cinema japonês, a saga é uma denúncia feroz do militarismo nipônico. Kaji representa a consciência moral esmagada pela máquina de guerra totalitária.

1943: O ponto de virada

A Ponte do Rio Kwai (1957) 

Prisioneiros de guerra britânicos recebem ordens dos japoneses para construir uma ponte ferroviária na selva da Birmânia. O coronel britânico, obcecado pela disciplina, colabora na construção para manter o moral de seus homens, perdendo a noção de que está ajudando o inimigo.

O filme explora a loucura da guerra e o orgulho militar deslocado. A ponte torna-se um símbolo de realização técnica, mas também de absurdo estratégico, culminando em um final explosivo.

Vá e Veja (1985) 

Um adolescente bielorrusso encontra um fuzil e se junta à resistência soviética, iniciando uma jornada dantesca pela Frente Oriental. O filme utiliza o som e a imagem para transmitir o trauma sensorial e psicológico do garoto ao testemunhar o genocídio de aldeias inteiras pelas tropas nazistas.

Frequentemente citado como um dos filmes de guerra mais aterrorizantes já feitos, a obra remove qualquer heroísmo do combate. O foco recai sobre a destruição da inocência e a face demoníaca da ocupação nazista.

Um Verão Violento (1959) / A Infância de Ivan (1962) 

Um Verão Violento, de Valerio Zurlini, situa-se no verão da queda de Mussolini, em 1943. Jovens da burguesia italiana tentam manter uma vida de festas em Riccione enquanto a guerra se aproxima, alienados da realidade até que o conflito os atinge.

A Infância de Ivan, estreia de Andrei Tarkovsky, mostra um menino órfão que atua como batedor para o exército soviético. A guerra mundial roubou sua infância, transformando-o em um instrumento de vingança consumido pelo ódio e pela memória.

1944: A ofensiva aliada

Fugindo do Inferno (1963) 

Baseado em fatos reais, o filme detalha o plano de fuga em massa de prisioneiros aliados de um campo de segurança máxima da Luftwaffe (Stalag Luft III). A narrativa foca na engenhosidade logística para cavar túneis, forjar documentos e confeccionar roupas civis.

Apesar do tom de aventura, a produção não esconde o alto custo da liberdade. A execução de 50 dos fugitivos pela Gestapo serve como lembrete da brutalidade nazista, mesmo contra prisioneiros de guerra.

Roma, Cidade Aberta (1945) 

Filmado logo em seguida à libertação da Itália, com locações reais ainda marcadas pelos bombardeios, a obra inaugural do neorrealismo mostra a união entre comunistas e católicos na resistência contra a ocupação alemã em Roma.

Roberto Rossellini captura a urgência e a dor da população civil. A cena da morte da personagem de Anna Magnani nas ruas tornou-se uma das imagens mais icônicas da história do cinema.

O Dia D: O Mais Longo dos Dias / O Resgate do Soldado Ryan / Band of Brothers

O Mais Longo dos Dias (1962) oferece uma visão panorâmica do desembarque na Normandia, cobrindo as perspectivas norte-americana, britânica, francesa e alemã. O Resgate do Soldado Ryan (1998) revolucionou o cinema de guerra com sua representação visceral e caótica do desembarque na Praia de Omaha.

A minissérie Band of Brothers (2001) aprofunda a experiência da Easy Company, desde o treinamento até a captura do Ninho da Águia de Hitler. As três obras juntas formam o registro definitivo da abertura da Frente Ocidental.

Operação Valquíria (2008) 

O thriller político reconstitui a conspiração de 20 de julho de 1944, quando oficiais alemães liderados pelo Coronel Claus von Stauffenberg tentaram assassinar Hitler e tomar o controle do governo para encerrar a guerra.

O filme detalha a complexidade do plano e as falhas que levaram ao seu fracasso. A obra destaca a existência de uma resistência interna no Exército alemão, embora motivada pela iminente derrota militar.

Até o Último Homem (2016) / O Filho de Saul (2015) 

Até o Último Homem conta a história real de Desmond Doss, um médico socorrista que se recusou a pegar em armas por motivos religiosos, mas salvou 75 homens na Batalha de Okinawa. Mel Gibson dirige cenas de combate brutais que contrastam com o pacifismo do protagonista.

O Filho de Saul mergulha no horror das câmaras de gás de Auschwitz por meio de um membro do Sonderkommando (prisioneiros forçados a ajudar no extermínio). A câmera cola no rosto do protagonista, desfocando o horror ao redor, enquanto ele tenta dar um enterro digno a um menino que acredita ser seu filho.

1945: O fim e o legado

O Pacífico: Cartas de Iwo Jima / The Pacific 

Clint Eastwood dirige Cartas de Iwo Jima (2006) inteiramente do ponto de vista japonês, humanizando os defensores do arquipélago que sabiam que não voltariam para casa. A minissérie The Pacific (2010) acompanha os fuzileiros navais norte-americanos na campanha de ilhas, mostrando o custo físico e mental da guerra na selva contra um inimigo que não se rendia.

Ambas as produções evitam o triunfalismo. Elas focam na degradação humana e na selvageria peculiar do teatro de operações do Pacífico.

A Queda! As Últimas Horas de Hitler (2004) 

O filme alemão recria os dias finais dentro do führerbunker em Berlim. Bruno Ganz entrega uma performance assustadora como um Hitler delirante, movendo exércitos imaginários enquanto a cidade é destruída pela artilharia soviética.

A obra mostra o colapso do fanatismo nazista e o suicídio de seus líderes. O filme também aborda o sofrimento da população civil de Berlim e a corrupção final de um regime que preferiu destruir o próprio povo a se render.

A Bomba: Oppenheimer (2023) / O Túmulo dos Vagalumes (1988) 

Oppenheimer explora a corrida científica e política para criar a bomba atômica, culminando no teste Trinity e nas consequências geopolíticas da arma. O Túmulo dos Vagalumes, animação do Studio Ghibli, mostra o outro lado: a luta de dois irmãos órfãos para sobreviver à fome e aos bombardeios incendiários no Japão.

Juntos, os filmes representam o “alfa e o ômega” da era nuclear. Um foca nos criadores e na teoria; o outro, nas vítimas e na prática devastadora da guerra total contra civis.

Pós-1945: Justiça e memória 

O Julgamento de Nuremberg (1961) aborda o tribunal militar que julgou juízes e oficiais nazistas por crimes contra a humanidade, levantando questões sobre responsabilidade individual e obediência a ordens imorais. 

O Leitor (2008) avança no tempo para mostrar o julgamento tardio de uma guarda de campo de concentração e a relação complexa que ela teve com um jovem na Alemanha do pós-guerra mundial.

Ambos os filmes examinam como a Alemanha lidou com a culpa coletiva e a memória do Holocausto. Eles encerram a lista lembrando que, embora as batalhas tenham terminado em 1945, as cicatrizes da guerra mundial permanecem abertas.

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Fabio
    Fabio

    Excepcional matéria! A Oeste poderia preparar mais materiais culturais como este.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.