O mês de novembro será intenso para os fãs brasileiros da Fórmula 1 (F1). No domingo 9, será realizada a tradicional corrida no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Cinco dias antes, será lançado um livro do jornalista italiano Nicola Santoro que busca esclarecer as circunstâncias da morte do piloto brasileiro Ayrton Senna.
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Publicado na Europa em 1999, O Caso Senna: Toda a Verdade sobre o Julgamento combina “investigação judicial, bastidores técnicos da F1 e retrato humano”. O objetivo da obra é responder a uma pergunta: “Quem foi o responsável pela morte de Ayrton Senna?”.

Para isso, Santoro analisou documentos oficiais e entrevistas inéditas para avaliar o acidente que matou Senna, em 1º de maio de 1994, no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. Ele também detalha as 34 audiências realizadas pelo Judiciário italiano. Na época, com 25 anos e recém-ingressado no jornalismo, o autor cobriu o caso nos tribunais. “O livro não é sobre Senna, e sim sobre o processo, porque tudo já foi dito e escrito sobre suas conquistas”, afirma na introdução da edição brasileira.
Julgamento de Senna teve dificuldades
O jornalista italiano afirma que a morte do atleta “não foi mero acaso” e atribui as falhas no julgamento a problemas técnicos e pressões corporativas. “A sua morte — inexplicável, inesperada, repentina — ocorreu enquanto ele conduzia o melhor carro do campeonato”, relata em um trecho do livro. Em outro, menciona uma das muitas dificuldades da apuração: “Parece que a caixa-preta do carro de Senna sofreu danos que causaram perda de memória”.
Desde 1994, uma das principais teorias é que a barra de suspensão do carro matou o piloto. No ano passado, contudo, o médico Alessandro Misley, que socorreu Senna, afirmou que a peça não provocou a morte. “Com certeza, não foi esse o problema a provocar a morte de Senna”, afirmou ao portal UOL, destacando que a causa foi uma “fratura da base do crânio”.
Todo o mistério por trás da colisão em Ímola é um dos motivos que explicam o “atraso” na publicação do livro no Brasil. “Sempre esperei para traduzi-lo, porque nunca me pareceu apropriado”, contou Santoro a Oeste. “Acredito que hoje em dia é menos incômodo e pode ser considerado um documento histórico.”
Comparando o atual momento da F1 com o que cobriu há 31 anos, o jornalista italiano destaca “enormes avanços em segurança” provocados pela morte do brasileiro, que foi tricampeão da categoria. Mas Santoro reconhece que algo se perdeu: “[As mudanças] privaram o esporte de um componente heroico que transformava os campeões em super-humanos, cavaleiros do risco.”
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