Já escutou alguma música da banda The Velvet Sundown? No Spotify, ela tem mais de 220 mil ouvintes mensais, e São Paulo aparece como a segunda cidade que mais consome suas faixas no mundo. Mas há um detalhe surpreendente por trás do sucesso: o grupo não existe, e seu responsável, uma pessoa não identificada, cria todas as músicas com inteligência artificial (IA). É justamente esse tipo de projeto artístico que motivou a plataforma Deezer a realizar um estudo em parceria com Ipsos, firma especialista em pesquisa de mercado.
+ Leia mais notícias de Cultura em Oeste
Receba nossas atualizações
O levantamento mostra que 97% das pessoas já não distinguem músicas feitas por humanos das criadas por IA. Os pesquisadores descobriram esse porcentual em entrevistas com 9 mil participantes de oito países, incluindo o Brasil. No teste, cada pessoa ouviu três faixas e tentou indicar quais tinham ou não uso de IA.
A Deezer revela que 71% dos entrevistados ficaram surpresos com o resultado. Além disso, mais da metade afirmou que ficou “desconfortável” por não perceber a diferença. Para Alexis Lanternier, CEO do streaming, “os resultados do levantamento revelam claramente que as pessoas se importam sobre música” e traz um vislumbre do futuro para o setor.
Música feita por IA deve ser identificada
Enquanto plataformas como Apple Music, Tidal e o próprio Spotify não alertam o usuário sobre o uso de IA, a Deezer adotou uma postura pioneira: criar um selo que avise o ouvinte a respeito da ausência de humanos nas faixas.
Para fazer a identificação, no começo do ano, a plataforma ativou uma ferramenta de detecção das músicas não humanas. A empresa estima que usuários enviam mais de 50 mil composições totalmente geradas por IA todos os dias.
“Não há dúvidas de que existem preocupações sobre como a música gerada por IA afetará o sustento dos artistas e da criação artística”, afirma Lanternier. O CEO da Deezer também diz que as empresas de IA “não deveriam treinar seus modelos com materiais protegidos por direito autoral”.
Com três álbuns lançados somente neste ano, a banda The Velvet Sundown (ou melhor, seu criador anônimo) provoca em sua página do Spotify: “Isso não é um truque, mas uma provocação artística constante, criada para desafiar as barreiras de autoria, identidade e o próprio futuro da música na era da IA”.
Leia também: “Tilly Norwood, a atriz que não existe”






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.