A Netflix disponibilizou nesta sexta-feira, 20, o segundo episódio da série documental Últimas Palavras, em que apresenta uma entrevista póstuma com o ator Eric Dane. O artista, mundialmente conhecido pelo personagem McSteamy em Grey’s Anatomy, morreu nesta semana, aos 53 anos, em decorrência de complicações da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Dane havia revelado o diagnóstico em abril de 2025 e gravou o depoimento sob a condição de que o material viesse a público apenas depois de sua morte.
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Diferentemente da estreia da série, que contou com a participação da primatologista Jane Goodall aos 91 anos, o episódio de Eric Dane carrega um tom mais sombrio e urgente. Sentado em uma cadeira de rodas, o ator descreve a entrevista como um presente para suas filhas, Billie e Georgia, buscando garantir que elas conheçam a essência do pai. O programa, apresentado por Brad Falchuk, adota um modelo rigoroso de confidencialidade, no qual apenas o entrevistador permanece na sala enquanto câmeras operadas remotamente registram o encontro.
Eric Dane e a resistência do espírito
Durante a conversa, o ator detalha traumas emocionais profundos, como a perda precoce do pai e da avó, além da dificuldade em estabelecer um vínculo afetivo com a mãe. Enquanto o episódio de Goodall focava a celebração de uma longa carreira, o relato de Eric Dane concentra-se na capacidade de encontrar paz de espírito diante de uma doença degenerativa e rápida.
No momento mais marcante do documentário, Dane deixa um recado final de resiliência:
“Lute com todas as suas forças e com dignidade. Quando você enfrentar desafios, de saúde ou de qualquer outra natureza, lute. Nunca desista. Lute até o seu último suspiro. Esta doença está lentamente consumindo meu corpo, mas jamais consumirá meu espírito.”
Um modelo de exibição confidencial e imprevisível
Brad Falchuk, que produz a série ao lado de Mikkel Bondesen, reforça que o objetivo de Últimas Palavras não reside na busca por fofocas ou confissões escandalosas para as capas de jornais. Segundo o produtor, o programa presta um serviço às figuras públicas ao permitir que elas entreguem suas reflexões de forma controlada. A produção mantém as identidades dos próximos entrevistados sob sigilo absoluto, armazenando os registros em arquivos protegidos até que a morte dos participantes ocorra.
O formato impossibilita qualquer previsão sobre o lançamento de novos episódios. A Netflix baseou a estrutura no programa dinamarquês The Last Word, que foca a sabedoria acumulada por personalidades influentes. O jornal The New York Times informou em outubro que a plataforma já possui pelo menos mais três entrevistas gravadas e estocadas, aguardando o momento apropriado para a exibição. Como define a abertura do programa, a série busca oferecer “um pouco mais de tempo” com figuras queridas logo que elas partem.
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