O jornal britânico The Guardian reuniu um júri de peso para eleger os cem melhores livros de todos os tempos. A pesquisa consultou mais de 170 ficcionistas, críticos literários e acadêmicos, incluindo nomes de destaque, como Stephen King e Salman Rushdie. Cada participante enviou um ranking com os dez romances prediletos para a formulação do resultado final.
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A seleção surge em meio a uma crise no hábito da leitura no Reino Unido, onde metade dos adultos admite que não lê mais livros por lazer. O topo do pódio ficou com Middlemarch: Um Estudo da Vida Provinciana, clássico publicado por George Eliot em 1871. O segundo lugar coube a Amada, livro de 1987 da escritora norte-americana Toni Morrison, seguido pelo clássico modernista Ulysses, do irlandês James Joyce.
A consagração de Virginia Woolf nos votos
O grande destaque individual da lista foi Virginia Woolf. A romancista britânica consagrou-se como a autora com mais inserções no ranking geral, acumulando cinco romances lembrados pelos jurados. Woolf superou outros gigantes da literatura, como Jane Austen e Charles Dickens, que fecharam a conta com quatro títulos cada um.
O livro mais bem posicionado de Woolf foi Passeio ao Farol, que alcançou o quarto lugar, logo atrás do rival histórico James Joyce. O júri também escolheu outras quatro produções da escritora para figurar entre os cem maiores títulos do mundo: Mrs. Dalloway, Orlando, As Ondas e O Quarto de Jacó.
Ausências de peso disparam debates
Como qualquer escolha literária, a lista do jornal britânico chamou atenção pelas omissões. O comitê de jurados ignorou os grandes nomes que dominaram a literatura norte-americana da segunda metade do século 20, deixando de fora autores consagrados, como Philip Roth, John Updike e Norman Mailer. Também ficaram de fora autores como William Shakespeare, uma vez que a compilação não considerou peças teatrais, apenas romances.
Grandes sucessos da cultura pop e da literatura comercial também perderam espaço na votação dos especialistas. Escritores populares, como Stephen King e John le Carré, ficaram de fora dos cem escolhidos. O ranking manteve-se estritamente voltado ao público adulto e barrou qualquer menção a fenômenos infantojuvenis, como a saga Harry Potter. Não existe menção a autores brasileiros, como Machado de Assis, reconhecido no exterior pelo clássico Memórias Póstumas de Brás Cubas. Os únicos escritores da América Latina reconhecidos foram Gabriel García Márquez e Juan Rulfo.
Confira a lista completa abaixo:
- Middlemarch – George Eliot, 1871
- Amada – Toni Morrison, 1987
- Ulysses – James Joyce, 1920
- Passeio Ao Farol – Virginia Woolf, 1927
- Em Busca do Tempo Perdido – Marcel Proust, 1913
- Anna Karenina – Liev Tolstói, 1878
- Guerra e Paz – Liev Tolstói, 1867
- Jane Eyre – Charlotte Brontë, 1847
- Orgulho e Preconceito – Jane Austen, 1813
- Madame Bovary – Gustave Flaubert, 1856
- O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald, 1925
- A Casa Soturna – Charles Dickens, 1853
- Emma – Jane Austen, 1815
- Mrs. Dalloway – Virginia Woolf, 1925
- Moby Dick – Herman Melville, 1851
- 1984 – George Orwell, 1949
- Cem Anos de Solidão – Gabriel García Márquez, 1967
- Persuasão – Jane Austen, 1817
- A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy – Laurence Sterne, 1759
- O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë, 1847
- Retrato de uma Senhora – Henry James, 1881
- O Mundo se Despedaça – Chinua Achebe, 1958
- Os Filhos da Meia-Noite – Salman Rushdie, 1981
- Os Vestígios do Dia – Kazuo Ishiguro, 1989
- Lolita – Vladimir Nabokov, 1955
- Dom Quixote – Miguel de Cervantes, 1605
- O Processo – Franz Kafka, 1925
- Os Irmãos Karamazov – Fiódor Dostoiévski, 1880
- Fogo Pálido – Vladimir Nabokov, 1962
- Frankenstein – Mary Shelley, 1818
- A Primavera Da Srta. Jean Brodie – Muriel Spark, 1961
- O Deus das Pequenas Coisas – Arundhati Roy, 1997
- David Copperfield – Charles Dickens, 1850
- Wolf Hall – Hilary Mantel, 2009
- Grandes Esperanças – Charles Dickens, 1861
- O Conto da Aia – Margaret Atwood, 1985
- O Homem Invisível – H. G. Wells, 1897
- A Época da Inocência – Edith Wharton, 1920
- Seus Olhos Viam Deus – Zora Neale Hurston, 1937
- A Canção de Solomon – Toni Morrison, 1977
- Coração das Trevas – Joseph Conrad, 1899
- A Montanha Mágica – Thomas Mann, 1924
- Housekeeping – Marilynne Robinson, 1980
- O Quarto de Giovanni – James Baldwin, 1956
- O Carnê Dourado – Doris Lessing, 1962
- O Leopardo – Giuseppe Tomasi di Lampedusa, 1958
- Feira das Vaidades: Vanity Fair – William Makepeace Thackeray, 1848
- A Metamorfose – Franz Kafka, 1915
- Um Delicado Equilíbrio – Rohinton Mistry, 1995
- Vasto Mar de Sargaços – Jean Rhys, 1966
- A Amiga Genial – Elena Ferrante, 2011
- A Taça de Ouro – Henry James, 1904
- O Trânsito de Vênus – Shirley Hazzard, 1980
- Orlando – Virginia Woolf, 1928
- As Ondas – Virginia Woolf, 1931
- Mansfield Park – Jane Austen, 1814
- O Som e a Fúria – William Faulkner, 1929
- Desonra – J. M. Coetzee, 1999
- Não me Abandone Jamais – Kazuo Ishiguro, 2005
- Howard’s End – E. M. Forster, 1910
- Os Anéis de Saturno: Uma Peregrinação Inglesa – W. G. Sebald, 1995
- Meio Sol Amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie, 2006
- Dentes Brancos – Zadie Smith, 2000
- O Bom Soldado – Ford Madox Ford, 1915
- A Cor Púrpura – Alice Walker, 1982
- O Mestre e Margarida – Mikhail Bulgákov, 1967
- O Homem Sem Qualidades – Robert Musil, 1930
- Meridiano de Sangue – Cormac McCarthy, 1985
- Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski, 1866
- Judas, o Obscuro – Thomas Hardy, 1895
- Kindred: Laços de Sangue – Octavia E. Butler, 1979
- Nosso Amigo em Comum – Charles Dickens, 1865
- Austerlitz – W. G. Sebald, 2001
- Condições Nervosas – Tsitsi Dangarembga, 1988
- O Olho Mais Azul – Toni Morrison, 1970
- Drácula – Bram Stoker, 1897
- O Arco-íris – D. H. Lawrence, 1915
- Uma Casa para o Sr. Biswas – V.S. Naipaul, 1961
- Proclamem nas Montanhas – James Baldwin, 1952
- Rebecca – Daphne du Maurier, 1938
- Os Buddenbrook – Thomas Mann, 1901
- Fim de Caso – Graham Greene, 1951
- Adeus às Armas – Ernest Hemingway, 1929
- O Talentoso Ripley – Patricia Highsmith, 1955
- A Vegetariana – Han Kang, 2007
- A Outra Volta do Parafuso – Henry James, 1898
- A Linha da Beleza – Alan Hollinghurst, 2004
- Ragtime – E. L. Doctorow, 1975
- A Mão Esquerda da Escuridão – Ursula K. Le Guin, 1969
- O Quarto de Jacó – Virginia Woolf, 1922
- Vida e Destino – Vasily Grossman, 1980
- A Educação Sentimental – Gustave Flaubert, 1869
- As Cidades Invisíveis – Italo Calvino, 1972
- O Mundo Conhecido – Edward P. Jones, 2003
- O Retorno do Nativo – Thomas Hardy, 1878
- Pedro Páramo – Juan Rulfo, 1955
- Ardil-22 – Joseph Heller, 1961
- A Estrada – Cormac McCarthy, 2006
- O Mensageiro – L. P. Hartley, 1953
- My Ántonia – Willa Cather, 1918
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