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Cultura

Em São Paulo, José Sarney relança 3 livros

Obra de Sarney foi criticada por Millôr Fernandes e elogiada por Lévi-Strauss

josé sarney-livros-divulgação
O dono do mar, Saraminda e A Duquesa vale uma missa foram relançadas em evento com Sarney | Foto: Reprodução/JoseSarney.org

Em um evento na capital paulista, o ex-presidente e Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), José Sarney, relançou três de seus livros. O Dono do Mar, Saraminda e A Duquesa Vale uma Missa foram reeditados em um box pelo selo Principis. Em seu site, ressaltou o desejo de que as “novas gerações conheçam as obras que marcaram a minha trajetória literária e tiveram grande recepção da crítica nacional e universal”.

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Durante o evento, realizado na Livraria da Travessa, personalidades da política participaram de sessão de autógrafos. Entre elas, estava o ex-governador de São Paulo João Doria. Em uma postagem em seu Instagram, o empresário celebrou o encontro com o ex-presidente e afirmou erroneamente que Sarney “lançou seu novo livro”.

A obra O Dono do Mar (1995) explora a vida de pescadores nas margens dos rios do Maranhão, Estado natal do ex-presidente. Já em Saraminda (2000), o Imortal da ABL aborda o cenário dos garimpos no Amapá e na Guiana Francesa. Por fim, em A Duquesa Vale uma Missa (2007), Sarney “entrelaça arte, política e loucura” em uma trama que se passa na França de Henrique IV.

Em seu site, o ex-presidente afirma que sua carreira literária teve “grande recepção da crítica nacional e universal”. Contudo, relatos escritos na época do lançamento de alguns de seus trabalhos, como Brejal dos Guajas e Outras Histórias (1985) e Norte das Águas (1969), não foram tão favoráveis.

Millôr, Lévi-Strauss e Amado já avaliaram a obra de Sarney

O jornalista e humorista Millôr Fernandes, por exemplo, afirmou que “em qualquer país civilizado, Brejal dos Guajas, seria motivo para impeachment“. Em sua crítica, o carioca pontua no trabalho do maranhense a incapacidade de “construir uma frase” e a falta de “dois bits mínimos” no cérebro “para orientá-lo na concordância entre sujeito e verbo”.

Já Reali Júnior afirmou que o Norte das Águas foi praticamente ignorado na França. Ele ainda destacou uma crítica da revista L’Express. Além de analisar duramente a obra de Sarney, a publicação francesa revelou que o então presidente “nem sequer esperou a publicação do livro para condecorar seus editores franceses com a medalha do Cruzeiro do Sul e outras fitinhas”, segundo Júnior.

Para a articulista Sylvaine Pasquier, “José começa poeta, tenta o romance, organiza comícios e negocia suas guinadas ideológicas, enquanto sonha com Balzac”, fazendo referência ao autor de Ilusões Perdidas, clássico da literatura francesa.

As obras coletadas no box, no entanto, conquistaram críticas positivas de figuras como o escritor Jorge Amado e o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Em comentário sobre O Dono do Mar, Amado afirmou que “o romancista conhece, com um conhecimento vivido, a vida de seu povo e a história do mar do Maranhão”.

Por sua vez, Lévi-Strauss “amou o belo livro” que é Saraminda. O antropólogo disse que “Sarney reconstitui ao mesmo tempo um episódio esquecido, mas saborosamente pitoresco das relações da França com o Brasil”.

Sarney parece se apoiar nas críticas positivas e afirma em seu site:

“Devo confessar que esta vocação de escritor muito me envaidece, porque, como teria dito Napoleão Bonaparte, a política é um destino, ele ocorre circunstancialmente na vida, diferentemente da literatura, que é uma vocação.”

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3 comentários
  1. Lucia campos
    Lucia campos

    Ng aguenta essa figura , alias os dois da foto . Chega de tanta barbaridade . Alguem comprou o livro ?

  2. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Esse dancou todas as músicas que lhe desse puder como o proprio dizia , não serve de exemplo para nada .

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