Em 2021 o Institute of Economic Affairs realizou uma pesquisa reveladora no Reino Unido. Eles perguntaram aos millennials e à geração Z — pessoas com menos de 40 anos —sobre as principais pautas socialistas e liberais. O que a apuração demonstrou foi que esse público não sabe diferenciar as ideias socialistas das pautas capitalistas, e embramam-se loucamente na defesa de uma igualdade romântica socialista enquanto também escudam as benesses do livre mercado. Em suma, o jovem é uma mistura de soviético com o capitalista de Wall Street, Lênin com Mickey Mouse. Numa manhã tranquila quer matar todos os burgueses exploradores — mesmo sendo ele mesmo um deles. Mais um caso daquela dislexia psíquica que venho denunciando há tempos.
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A pesquisa revela algo que está se tornando cada vez mais óbvio: a desconexão patente entre a realidade e as ideias progressistas. O progressismo defendido pela geração Z é uma mistura de lacração, incompetência filosófica, fotos engajadoras no Instagram e um evidente fracasso político necrológico. Pergunte ao Felipe Neto, por exemplo, se o capitalismo é bom ou ruim, e muito provavelmente veremos o influencer juvenil levantar o punho cerrado e fervorosamente dizer que é ruim. No entanto, notem que ele dirá isso de seu apartamento milionário, localizado em uma zona riquíssima do Rio ou São Paulo.
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Os entrevistados da geração Z e os millenials desvincularam a causa do efeito. Ou seja, da mesma forma e força com que os jovens amam a prosperidade que o capitalismo trouxe até os dias atuais, eles também odeiam ideias capitalistas que possibilitaram tal prosperidade. É uma espécie de dupla personalidade doentia: idolatram o Estado opressivo enquanto clamam por liberdade individual. Esses jovens acham que o dinheiro sai da impressora e que a paz mundial será resolvida se soltarmos pombas brancas no Leblon. Parece retórica, mas não é, infelizmente.
Essa desconexão cognitiva, por sua vez, não é algo aleatório. Ela é ensinada sistematicamente por meio da filosofia da linguagem frankfurtiana e do conceito de discurso de Jacques Derrida e de Michel Foucault. Para o socialismo, o discurso tem primazia ante a coisa da qual se discursa; é como se a palavra, pela palavra, criasse algo à revelia da realidade observável. Daí advém toda a questão da ideologia de gênero e todas as demais esquizofrenias ideológicas na qual vivemos e surfamos atualmente. Hoje uma menina de 16 ou 18 anos sinceramente pensa que salvará a Amazônia tuitando de sua cama na Suécia.

Judith Butler, por exemplo, em seu livro Problemas de Gênero, afirma que a teoria de gênero não é uma questão de “fato”, ou “realidade”, mas uma questão de discurso que antecipa a percepção do fato, uma “performance” antes da ação factual. E a partir daí, meus caros, tudo é possível: até mesmo gays ostentarem orgulhosamente em suas passeatas a imagem de Che Guevara, um revolucionário que odiava e matava gays; é possível que um adolescente de 30 anos que vive sob a tutela dos pais se engaje fervorosamente em causas anticapitalistas, ainda que continue a desfrutar das delícias do capital dos velhos. É o pessoal guerrilheiro que luta de pantufa nos pés e pinscher nas mãos; os militantes que iniciam revoluções usando o Iphone e deitados em suas camas king size; a turma que trata burguês “na ponta do fuzil” e milita contra o desarmamento com o dinheiro do banqueiro.
Essas desconexões cognitivas de causa-efeito são o que a mídia vangloria como sendo “engajamento social”; é o que as universidades loucamente tentam arregimentar em filosofias mais ou menos compreensíveis com o intuito de tirar esse gosto de esquizofrenia que o progressismo resolveu ostentar como estandarte ideológico.
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