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Crimson Desert investe em gameplay e mundo ambicioso, mas tropeça em narrativa

O novo RPG da Pearl Abyss impressiona no impacto visual e no combate cinematográfico, mas sofre com excesso de referências e mecânicas

Crimson Desert investe em gameplay e mundo ambicioso, mas tropeça em narrativa
O jogo impressiona pela escala do mapa e pelo peso dos combates, mas peca na construção fragmentada da sua longa campanha principal | Foto: Divulgação/Pearl Abyss

O jogo Crimson Desert carregou uma expectativa gigantesca da comunidade desde a divulgação dos seus primeiros trailers oficiais. O título prometeu o raro equilíbrio entre o espetáculo técnico absoluto e a profundidade de gameplay exigida pelos fãs de RPG. 

A produtora Pearl Abyss já possuía o enorme histórico de sucesso de Black Desert, alimentando fortemente a curiosidade do mercado por esse projeto. O lançamento final, no entanto, levanta a amarga dúvida sobre se a enorme ambição do estúdio sul-coreano superou a capacidade real de execução da obra.

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A jogabilidade desponta logo de cara como o ponto mais contraditório e polarizador de toda a experiência no controle. O primeiro olhar impressiona bastante o jogador por meio da clara ambição de criar um sistema amplo, variado e incrivelmente avançado. 

O título mistura o combate corpo a corpo, a exploração massiva de mundo aberto e os empolgantes momentos cinematográficos de grande escala. Essa mesma ambição desmedida da equipe, contudo, começa a revelar grandes fragilidades estruturais conforme as horas de campanha avançam na tela.

O combate dinâmico e a exploração do mundo em Crimson Desert

O impacto visual aliado à jogabilidade funciona como um dos aspectos mais inegavelmente positivos do novo lançamento da empresa. O jogo busca criar transições extremamente fluidas e muito naturais entre os momentos de pura exploração geográfica e os combates violentos. 

O sistema de luta exige atenção imediata do jogador ao timing dos ataques, ao posicionamento na arena e à leitura dos inimigos. O esforço da produtora em tornar os grandes confrontos mais viscerais, pesados e altamente cinematográficos é totalmente visível e muito satisfatório.

A exploração do cenário também carrega méritos inegáveis para a construção da jornada épica do guerreiro no vasto mapa. O mundo amplo de Pywel foi claramente construído pela desenvolvedora para incentivar a curiosidade natural do aventureiro por todos os lados. 

Elementos espalhados pelas áreas convidam o usuário a sair do caminho principal para buscar livremente novos desafios ou apenas apreciar a paisagem. A liberdade de ir e vir remete positivamente às experiências modernas de mundo aberto que valorizam o puro deslocamento espacial do herói.

Identidade fragmentada e os problemas técnicos

A obra, infelizmente, tropeça na própria execução dessa proposta gigantesca e sofre com a grande falta de coesão nos sistemas. As mecânicas de jogo parecem existir de forma muito isolada, operando sem uma visão unificada da equipe de direção do projeto. 

O título lembra fortemente a genialidade de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom em rápidos momentos de resolução de quebra-cabeças. O estilo de missões aproxima o jogo de Assassin’s Creed, enquanto a estética narrativa tenta desesperadamente emular o peso dramático de The Witcher 3. O estúdio apenas reproduziu essas referências famosas sem injetar nenhuma identidade própria na sua criação.

O ritmo da jogabilidade sofre um duro golpe logo no início, arrastando-se excessivamente durante as extensas missões introdutórias do tutorial. O longo atraso para liberar as mecânicas mais interessantes compromete totalmente o engajamento inicial do usuário com a difícil aventura proposta. 

Problemas técnicos agudos no computador também prejudicam a clareza visual dos cenários, deixando a imagem borrada em placas de vídeo específicas. A inclusão de personagens secundários mal aproveitados evidencia falhas graves de design, forçando o jogador a depender exclusivamente das excelentes habilidades do guerreiro Kliff.

A história confusa de Kliff e o Abismo

A narrativa de Crimson Desert parte de uma premissa bastante promissora no papel para os entusiastas do gênero de fantasia. A jornada acompanha Kliff, o valente líder do antigo grupo de mercenários conhecido como Greymanes, desbravando um mundo devastado por cruéis traições. 

O objetivo principal do guerreiro gira puramente em torno da árdua reconstrução dessa forte irmandade armada e da sangrenta vingança contra os grandes culpados. A misteriosa e perigosa ameaça ligada ao Abismo começa a emergir silenciosamente nas sombras para destruir todo o equilíbrio do rico continente.

A história demora demais para engatar e não consegue criar urgência narrativa suficiente para prender o foco do público. Informações vitais para o entendimento do roteiro muitas vezes não ganham o destaque necessário na tela principal da televisão durante a jogatina. 

Eventos que deveriam carregar forte peso dramático acabam diluídos no meio das cansativas e repetitivas atividades secundárias espalhadas pelo mapa enorme. O avanço da trama acontece de forma totalmente fragmentada e sem explicar de maneira clara as verdadeiras motivações dos guerreiros em tela.

A abordagem mais orgânica e imersiva não funciona, causando uma forte sensação contínua de desconexão emocional com todos os protagonistas da saga. O maravilhoso e rico universo geográfico de Pywel acaba curiosamente ofuscando por completo a arrastada narrativa da linha do tempo principal. 

O jogo surpreendentemente brilha muito mais quando o aventureiro ignora solenemente a campanha oficial e explora o vasto mundo por sua própria conta e risco. O título agrada aos amantes do combate tático massivo, mas decepciona completamente quem busca uma história envolvente e memorável no mercado.

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