É uma manhã normal em Washington. Cada um cuida de sua vida, acerta as tarefas familiares, combina programas para a noite. E de repente nos monitores do sistema defesa surge uma ogiva nuclear voando em direção a Chicago. Estimativa de chegada: 18 minutos. Previsão de mortes: 10 milhões.
Casa de Dinamite (“A House of Dynamite”, 2025, no Netflix) foi concebido quase como um panfleto de alerta, com roteiro de Noah Oppenheim e direção de Kathryn Bigelow. Bigelow é uma jornalista do cinema, e já havia reconstituido à perfeição a caçada a Osama Bin Laden em A Hora Mais Escura (2013).
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O objetivo em Casa de Dinamite é alertar para o crescente perigo de uma guerra nuclear. E mostrar como ela segue uma dinâmica própria e incontrolável. Vivemos uma fase especialmente delicada, onde a China multiplica seu arsenal, a Rússia de Vladimir Putin declara o tempo todo sua intenção de usar armas nucleares e até a miserável Coreia do Norte pode se gabar de ter mais de 50 artefatos prontos para um ataque. Ao contrário de décadas passadas, ninguém está conversando a respeito.
No filme, não sabemos quem lançou a ogiva. Os Estados Unidos não sabem contra quem devem responder com um ataque massivo. O fato de as forças americanas entrarem em alerta máximo leva a Rússia e a China a fazerem o mesmo. O mecanismo da guerra nuclear passa a funcionar automaticamente. Mísseis, bombardeiros e submarinos ao redor do mundo começam a engatilhar a arma do fim do mundo.

O roteirista Noah Oppenheim usou de um interessante recurso narrativo para contar a história: ele mostra os dezoito minutos fatais no escalão mais baixo do governo, depois reprisa os mesmos dezoito minutos num escalão de comando e finalmente foca o mesmo período de tempo junto ao presidente dos EUA (Idris Elba). O filme não se preocupa em explicar muito as coisas. Os personagens falam em siglas e termos técnicos que a grande maioria dos espectadores não vai compreender. Mas a tensão obviamente está no ar, assim como a consciência de que o mundo como o conhecemos está para acabar.
Por ser um filme produzido pelos americanos, o governo dos EUA aparece como um bando de tontos incapaz de saber o que fazer em 18 minutos a não ser preparar um contraataque contra um inimigo que eles nem sabem quem é. O presidente parece especialmente perdido, o que ao mesmo tempo dá um caráter humano a alguém que está prestes a ordenar a morte de centenas de milhões de pessoas. Essa confusão reflete a própria natureza da ameaça nuclear.
O final (ou “não-final”) frustrou muita gente. Mas o filme conta com um ótimo elenco (Elba, Rebecca Ferguson, Jared Harris, Jason Clarke) e uma produção classe A. Acima de tudo faz pensar sobre uma situação que pode destruir a vida na Terra a qualquer momento, mas que não parece preocupar ninguém.









































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