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Cultura

'Aka Charlie Sheen': viagem à mente de um bad boy

Hollywood está cheia de histórias de arrependimentos. “Eu errei, foi uma fase ruim, mas hoje eu estou completamente recuperado”.

O documentário aka Charlie Sheen (“também conhecido como Charlie Sheen”, em dois episódios na Netflix) não tem esse tom. E vale como uma terapia pública. Ele abre o jogo com toda a sinceridade. Charlie já nasceu na aristocracia de Hollywood, filho do ator Martin Sheen – que, aliás, não era um dos atores mais “certinhos” em matéria de comportamento. Logo Charlie ganhou uma filmadora e produziu filminhos domésticos com amiguinhos como Sean Penn e George Clooney.

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O documentário mostra que tudo dava certo para Charlie Sheen, não importa a besteira que ele fizesse. Seu primeiro papel de destaque aconteceu no longa Ferris Bueller Day’s Off (“Curtindo a Vida Adoidado”, de 1986). Charlie apareceu na filmagem com duas horas de atraso, gravou uma cena de poucos minutos – e virou um dos atores mais cobiçados de Hollywood. Pelo seu caminho passariam produções como Wall Street, Platoon, e as comédias Top Gang.

Durante a escalada de sucesso, Charlie resolveu – como no título de seu primeiro filme de sucesso – curtir a vida adoidado. Dedicou-se ao sexo e especialmente às drogas sem limites – especialmente cocaína. Este documentário mostra que apesar de sua vida sem controle, o sucesso só aumentava.

O maior exemplo disso aconteceu durante a produção da série Two and a Half Men quando Charlie se afundou no vício em drogas legais. Para garantir que ele permanecesse na série, seus produtores ofereceram nada menos que dois milhões de dólares por episódio. Ele se tornou o ator mais bem pago da TV americana durante os anos 2010 e 2011.

Isso não quer dizer que no documentário Charlie faça apologia à vida errática que teve e jura ter abandonado. Mas ele não tem a atitude hipócrita de negar o que fez. Ele se divertiu o que pôde na vida com todos os excessos. O segundo episódio do documentário muda de tom, pois aí o que Charlie faz tem consequências para suas mulheres (ele se casou três vezes) e seus filhos.

Logo no início Charlie Sheen mostra como durante uma viagem, completamente bêbado, ele foi convidado pelo comandante do avião a se sentar na cadeira do piloto. E resolveu fazer “pequenas manobras” envolvendo cerca de 400 passageiros na sua brincadeira. Charlie não esconde nada. O que torna o documentário irresistível.

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