Seis meses depois de fazer um balanço a Oeste sobre o fim da cracolândia e o avanço das desestatizações em São Paulo, o vice-governador Felício Ramuth voltou a tratar do tema em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. As novas declarações reforçam o tom otimista adotado anteriormente.
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Em junho, Ramuth havia explicado que o êxito da operação contra a cracolândia se deveu à união de diferentes forças, citando esforços dos governos estadual e municipal, ONGs, igrejas e associações. Segundo ele, a integração permitiu coordenar recursos e esforços para oferecer tratamento aos dependentes e desarticular o tráfico na região central.
Na entrevista mais recente, o vice-governador reafirmou que a cracolândia “acabou e não voltará”, destacando que a maioria dos antigos usuários está em tratamento. Ele também garantiu que não há espalhamento da cena de drogas: apenas 10% das pessoas encontradas atualmente em pontos de uso seriam oriundas do antigo grupo que ocupava a Rua dos Protestantes, epicentro da cracolândia.
Mil traficantes da cracolândia foram presos
Os números apresentados por Ramuth mostram a continuidade do trabalho iniciado há quase três anos. Segundo o governo, já são mais de 26 mil internações ou acolhimentos em comunidades terapêuticas, além da criação de 40 casas terapêuticas na capital. A Polícia Militar e as equipes de saúde continuam monitorando locais de uso, como o Parque Dom Pedro II, com abordagens frequentes e encaminhamentos para tratamento.
Esses resultados ampliam o quadro traçado por Ramuth a Oeste, quando ele ressaltou que, em 2022, havia apenas 200 pessoas internadas para tratar a dependência — número que hoje ultrapassa 25 mil. Ele também havia informado que as forças de segurança prenderam cerca de mil traficantes apenas na Rua dos Protestantes, em 50 operações.
Privatizações e gestão integrada
Além da política de combate às drogas, Ramuth coordena o programa de desestatização do Estado. Em junho, ele detalhou os leilões previstos para este ano. Eles incluem o túnel imerso entre Santos e Guarujá, orçado em R$ 6 bilhões, e a concessão das linhas 10 e 14 da CPTM. O plano inclui ainda a modernização das balsas e a reestruturação do centro administrativo da capital.
A comparação entre as duas entrevistas mostra um quadro de consolidação das políticas defendidas por Ramuth. Se, em junho, o vice-governador descrevia uma estratégia em construção, agora ele fala em resultados concretos, especialmente na desmobilização da cracolândia.
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