publicidade
Brasil

Trabalhador rural compra detector de metais e descobre 'tesouro' do Brasil Colônia

Valdomiro Costa é lavrador, e espera poder ajudar sua família com o dinheiro da venda das moedas, mas o material pode ficar para a União

detector de metais
Moeda de prata de 960 réis de 1816 encontrada pelo lavrador | Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

O lavrador Valdomiro Costa, que cresceu ouvindo histórias sobre a corrida do ouro no Estado do Tocantins, decidiu juntar dinheiro a fim de comprar um detector de metais usado. Para a surpresa do lavrador, no primeiro dia de uso do equipamento, ele descobriu um verdadeiro tesouro perto de casa.

Quando o dispositivo emitiu o sinal sonoro, Valdomiro havia descoberto um pote de barro. “Eu pensei: isso aí é ouro. Tem o ouro que eu estava caçando, né?!”, disse ele ao portal g1.

Receba nossas atualizações

Pote contendo mais de 200 moedas antigas

Ansioso para descobrir o que havia no interior do pote, ele quebrou o objeto e encontrou mais de 200 moedas antigas. Porém, inicialmente Valdomiro não se deu conta da importância do achado; seu primeiro sentimento foi de decepção.

“Eu nem via ligança. A ligança minha era de arrumar ouro. Falei: ah, não vale nada. Amanhã cedo eu vou é caçar ouro”, conta Valdomiro.

Jogar as moedas fora

O lavrador só não jogou as moedas fora porque seu filho, Raelson Costa, lembrou-se das aulas de história e pediu ajuda da sua professora Janildes.

“Eu sou muito bem chegado nessa matéria de história e geografia. Aí veio na minha cabeça: eu vou abrir com ela, que eu sei que eu posso confiar nela, porque para mim ela é que nem uma mãe”, disse o filho de Valdomiro.

A descoberta também provocou entusiasmo na professora. “Quando eu vi a datação aqui: 1816. Eu falei ‘nossa, isso aqui é um tesouro’. Eu sei que isso aqui tem um valor histórico imenso, porque foi do período colonial e do período imperial”, contou a professora Janildes Cursino.

Moedas de bronze e prata encontradas pelo detector de metais

O pequeno grupo deu início a uma pesquisa histórica, depois do que descobriram que 206 moedas eram de bronze e a mais importante dentre elas, de 960 réis, era de prata — a famosa “patacão”.

detector de metais
Moeda de 960 réis de 1816 | Imagem: Numismática Juno/Reprodução

Ainda no período colonial, quando o território do Brasil era uma extensão do território de Portugal, o atual Tocantins havia sido uma importante rota do ciclo do ouro. Isso depois que bandeirantes passaram pela região e encontraram o metal precioso. O município de Conceição do Tocantins, onde Valdomiro encontrou as moedas, havia sido uma vila de garimpeiros — e foi fundado em meados do século 18.

Por segurança, as moedas vão permanecer no cofre de um banco em outra cidade, isso até o operador do detector de metais decidir o que pode fazer com elas.

“Eu quero ajudar minha família porque nós somos uma família, assim fraca, não tem condição quase. Dar oportunidade dos meus filhos ao estudo. Se for muito dinheiro, não vai ficar nada para mim, eu quero deixar pros meus filhos”, disse Valdomiro.

As moedas podem virar bens da União

A alegria do lavrador, porém, pode durar pouco. Isso porque uma equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está avaliando a região na qual as moedas foram descobertas. Se os técnicos do Iphan comprovarem que de fato se trata de um material arqueológico de valor histórico, o local pode ser categorizado como sítio arqueológico.

+Leia mais notícias do Brasil em Oeste.

A superintendente do Iphan Cejane Leal Muniz explicou: “A primeira questão é que todo material, quando ele é caracterizado como material arqueológico, seja histórico ou pré-histórico, ele passa a ser um bem da União, conforme a Lei Federal 3.924 de 1961, que fala sobre a proteção dos sítios arqueológicos”.

Ainda de acordo com ela, Valdomiro não deve comercializar as moedas antes de saber disso.

“É importante destacar que materiais, que a gente fala, artefatos, que são vinculados ao período monárquico, eles não podem sair do Brasil sem a autorização do Iphan. Então, o que a gente recomenda é que não seja comercializado, ele não seja repassado até ser feita a vistoria e avaliado esse material, propriamente dito”, completou.

Leia também

Leia mais sobre:

21 comentários
  1. Sebastião Vieira De Freitas Filho
    Sebastião Vieira De Freitas Filho

    mais um exemplo do Estado que explora o cidadão. Não fora a iniciativo do Valdomiro esse material permaneceria perdido. Não é justo que a União se apodere de tudo e ele fique a ver navios.

  2. Ricardo Villas
    Ricardo Villas

    O que o Estado faz de bom é mal feito. O que o Estado faz de mal, é bem feito.

  3. Daniel Bernardo
    Daniel Bernardo

    Vai parar em loja virtual de ONG na Europa kkkkkkkkkkkkkk perdeu mané, não amola kkkkkkkkkkk

  4. Daniel Bernardo
    Daniel Bernardo

    Agora os canhotos do Iphan vão ficar com o tesouro kkkk

  5. Jairo Ricardo Borges de Lucena
    Jairo Ricardo Borges de Lucena

    Resultado da valiosa descoberta: Perdeu, Mané!

  6. Marcela Pimenta
    Marcela Pimenta

    Coitado, vão surrupiar tudo dele … e ainda vão procurar em todo canto por mais achados, e eu duvido que vão reembolsar o cara por isso!!! O iphan não cuida de nada, só quer atrasar a vida alheia, museu pega fogo e fica por isso mesmo, lugares históricos caem aos pedaços e ninguém liga … se eu acho, não falo nada.

  7. Cláudio Padilha dos Santos
    Cláudio Padilha dos Santos

    Conheço um pouco do assunto. Mesmo que o cidadão tenha uma propriedade legalmente em seu nome e paga os impostos devidos, o seu direito restringe-se aos direitos de superfície e não ao que está sob ela. Pode ser mineiros, petróleo ou objetos de valor histórico. Se alguém pedir ao estado o direito de exploração e for concedido mesmo não sendo o proprietário, o cidadão pode ter alguém cavando em seu quintal. Resumindo, o cara dançou nos trinta.

  8. RODRIGO DE SOUZA COSTA
    RODRIGO DE SOUZA COSTA

    Vão tomar o material do coitado sem ao menos compensar ele. Isso prejudica a comunicação de novos achados.

  9. Daniel Braga
    Daniel Braga

    Em 1816 o Brasil era um reino, não era colônia. Em 1815 foi criado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A capital desse reino unido era o Rio de Janeiro, não era Lisboa. A rainha era Dona Maria I até março de 1816. Em seguida tivemos o rei Dom João VI.

  10. Maria das Graças Vargas Boëchat da Silva
    Maria das Graças Vargas Boëchat da Silva

    A Lei Maritima do Almirantado. Voce não é proprietario de nada.

  11. Maria das Graças Vargas Boëchat da Silva
    Maria das Graças Vargas Boëchat da Silva

    A Lei Maritima do Almirantado. Voce não é proprietario de nada.

  12. OTNIP M. IAVI
    OTNIP M. IAVI

    Sera multado e tera que vender um rim para pagar a multa. BOCA FECHADA NAO ENTRA MOSCA, UM DITADO BEM VELHO QUE ESTA VIGENTE. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  13. Contratudoisto
    Contratudoisto

    É isso que dá abrir o bico. Claro que o ESTADO vai tomar tudo do cara!! Imagina se um pouco de moeda, todas elas catalogadas e conhecidas, pertencem ao 9 dedos.

    1. Mary Rodrigues De Oliveira Rios
      Mary Rodrigues De Oliveira Rios

      Eu se achasse isso, ficaria de bico fechado, ainda mais nesse governo de quadrilha! Rsrs

  14. Paulo Renato Versiani Velloso
    Paulo Renato Versiani Velloso

    E mais fácil ele enterrar essa moedas novamente, só que em 200 locais diferentes, e esses burocratas desse IPHAN que vão procurar. Simples assim. Essas moedas estavam perdidas e agora esse vagabundos querem tomar na base da mão grande de quem as achou. Que comprem então, gastam tanto dinheiro com porcarias por aí, então por que não indenizam o lavrador?

    1. José Silvestre Coelho
      José Silvestre Coelho

      Esse ladropatas no bem bom do ar condicionado ficam de olhos abertos no produto de quem trabalha , a fim de espoliar , sequestrar , em nome de pseudo cuidado com a história, vocês são sanguessugas dos homens que trabalham, parasitas da nação e do homem trabalhador.

  15. Paulo Roberto Caldeira
    Paulo Roberto Caldeira

    Bem provável que o pobre do homem não vai ter direito a nada!!

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.