A empresária investigada por torturar e matar animais, com objetivo de produzir e vender vídeos de cunho sexual na internet foi colocada em liberdade poucas horas depois de ser presa pela Polícia Civil de São Paulo.
A soltura de Daiana Schuinsekel de Almeida provocou indignação entre protetores, ativistas e entidades da causa animal por ocorrer semanas depois de o governo paulista anunciar o endurecimento das punições administrativas para casos de crueldade contra animais.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste
Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) informou que está em contato com a Polícia Civil de São Paulo para acompanhar a “apuração dos fatos e buscando elementos que permitam a adequada análise técnica e administrativa do caso”.
“As informações em apuração serão avaliadas à luz da legislação ambiental vigente, a fim de verificar a eventual adoção de medidas administrativas cabíveis no âmbito da atuação da Pasta”, ressaltou a secretaria. “A Semil destaca que o recente aprimoramento da regulamentação estadual reforça os instrumentos de proteção e de responsabilização em casos relacionados a maus-tratos e crueldade contra animais, ampliando a efetividade das ações administrativas no Estado.”
O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade das acusações. Segundo as investigações, a mulher produzia e comercializava vídeos de extrema violência contra animais para consumidores clandestinos, inclusive no exterior.
Coelhos, gatos e pintinhos eram submetidos a sessões de tortura e mortos durante as gravações, que posteriormente eram vendidas em plataformas e comunidades restritas na internet.
A libertação ocorreu em um momento em que o governo de São Paulo tenta reforçar o combate aos maus-tratos. Neste mês, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou uma resolução que amplia o rigor das penalidades administrativas, com multas que podem chegar a R$ 50 mil por animal vítima em situações de crueldade extrema, sofrimento intenso, abandono ou reincidência.
Apesar do endurecimento das regras, a suspeita deixou a delegacia no mesmo dia da operação. Para representantes da causa animal, a situação enfraquece a mensagem de tolerância zero anunciada pelo governo e amplia a sensação de impunidade em um dos casos mais chocantes de violência contra animais registrados nos últimos anos.
Entenda o caso
A empresária Daiana Schuinsekel de Almeida confessou à polícia ter produzido vídeos de zoosadismo — prática que associa violência contra animais à excitação sexual. Em depoimento, ela afirmou que gravou os conteúdos entre 2020 e 2021 e declarou estar arrependida de ter atuado nesse mercado.
Segundo a Polícia Civil, os vídeos eram vendidos para comunidades especializadas na Europa por valores entre 20 e 50 euros, dependendo do conteúdo.
+ Morte do cão Orelha leva Câmara a propor 25 projetos contra maus-tratos a animais
A investigação teve início depois de uma denúncia feita por uma ONG de proteção animal da Bulgária à Polícia Federal brasileira. O caso foi repassado à Polícia Civil de São Paulo, que identificou a suspeita e realizou a operação no bairro da Bela Vista, região central da capital paulista.
Durante as buscas, os investigadores apreenderam os sapatos que teriam sido utilizados nas gravações. A empresária também entregou senhas de celulares e computadores para auxiliar na apuração.
Como não houve flagrante, Daiana foi liberada depois de prestar depoimento. Ela responderá em liberdade pelos crimes de maus-tratos e atos obscenos. A Polícia Civil continua investigando o caso e busca identificar outros envolvidos na rede de produção e comercialização dos vídeos, além de eventuais compradores no exterior.
Um Direito Penal que não dá resposta efetiva à sua população induz o caos e a barbárie.
empresária do que?