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STJ autoriza deportação de imigrantes ilegais retidos em Guarulhos

Decisão, publicada no último sábado, 7, cassa liminar do TRF3

Para dormir, os imigrantes usam finos colchões que são colocados no chão ou amontoados em frestas sobre bancos | Foto: Defensoria Pública da União/DPU
Para dormir, os imigrantes usam finos colchões que são colocados no chão ou amontoados em frestas sobre bancos | Foto: Defensoria Pública da União/DPU

O ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspendeu a liminar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) que proibia a deportação de imigrantes ilegais retidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A decisão foi publicada neste sábado, 7.

O ministro considerou o grande número de pessoas que utilizam o Brasil apenas como corredor de passagem para outros países, a impossibilidade de manter os imigrantes aglomerados no terminal aeroportuário e os riscos sanitários e de segurança que eles podem representar.

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Na decisão anterior, que acolheu pedido da Defensoria Pública da União (DPU), o TRF3 considerou que os imigrantes poderiam, a qualquer momento, ser obrigados a deixar o Brasil sem a possibilidade de solicitar refúgio ou regularizar a sua situação migratória, o que violaria o Estatuto dos Refugiados.

De acordo com o ministro, por causa da liminar do TRF3, o policiamento de fronteiras tem sido impedido de deportar os imigrantes ilegais que estão aglomerados na área restrita do Aeroporto de Guarulhos em condições precárias de conforto e higiene pessoal.

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“A permanência daqueles migrantes no local oferece sério risco à segurança pessoal e sanitária deles, dos funcionários e do próprio terminal, que é usado como local de confinamento — em espaço restrito e pequeno — de cidadãos cujas condições de saúde e antecedentes, inclusive criminais, se desconhecem”, enfatizou.

Em setembro, o caso foi pauta de reportagem da Edição 236 da Revista Oeste. Na ocasião, o repórter Fábio Bouéri expôs o desleixo do governo brasileiro com os direitos humanos dos mais de 300 estrangeiros que tentaram ingressar no país como refugiados.

Mais de 97% dos imigrantes ilegais buscam chegar aos Estados Unidos

O ministro Herman Benjamin comentou que, segundo dados da Polícia Federal, dos 8,3 mil requerimentos de refúgio formulados ao Brasil entre 2023 e 2024, apenas 117 resultaram em obtenção do registro nacional migratório, e somente 262 pessoas obtiveram seu Cadastro de Pessoas Físicas, o CPF.

“Percebe-se que menos de 2,5% dos migrantes que entram irregularmente no país objetivam permanência e moradia no território nacional. Os outros 97,5% almejam, única e tão somente, alcançar outros destinos, valendo-se de suposto pedido de refúgio”, esclareceu o ministro.

Segundo o presidente do STJ, as autoridades policiais brasileiras já identificaram uma rede profissional de tráfico internacional de pessoas que utiliza o Aeroporto de Guarulhos como principal porta de entrada na América do Sul.

O Ministério da Justiça reconhece a crise no trato aos imigrantes no Aeroporto Internacional de Guarulhos
O Ministério da Justiça reconhece haver uma crise no sistema de imigração no Aeroporto Internacional de Guarulhos | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Depois de conseguirem entrar no Brasil, disse o ministro, essas pessoas são transportadas para o Acre e, de lá, começam uma viagem com destino à fronteira do México com os Estados Unidos.

“Inadmissível a utilização do nosso sistema normativo generoso para, com os olhos fechados, aceitar ou mesmo estimular o tráfico internacional de pessoas ou, indiretamente, prestigiar a atuação do crime organizado e de ‘coiotes’ que transformam o Brasil em entreposto para a sua atuação ilícita”, declarou.

Leia também: “Multidão de esquecidos”, reportagem de Fábio Bouéri publicada na Edição 236 da Revista Oeste

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