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'Se eu fosse jurado, daria nota zero', afirmou Tarcísio sobre Vai-Vai

Governador de São Paulo criticou desfile da escola de samba, que 'demonizou' policiais

'A polícia é uma instituição bicentenária, que a gente tem que ter respeito', disse governador | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o desfile da escola de samba Vai-Vai, que inseriu símbolos diabólicos na figura de policiais em seu desfile. “Se eu fosse jurado, daria nota zero no quesito fantasia”, afirmou Tarcísio, em entrevista coletiva, na quinta-feira 15.

“Achei de péssimo gosto, porque a polícia é uma instituição bicentenária, que a gente tem que ter respeito”, defendeu o governador. “Quando estamos na necessidade, a quem recorremos? Aos policiais. E não é só nas questões de segurança pública, mas nas ações de defesa civil, quando uma pessoa se engasga, nas ocorrências de trânsito, de afogamento. Quantas vidas os policiais salvam?”, perguntou.

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Temática do desfile

No desfile do sábado de Carnaval, no Sambódromo do Anhembi, uma ala da agremiação retratou a Tropa de Choque da Polícia Militar com características que remetem ao diabo, como asas e chifres vermelhos. Para Tarcísio, a conduta da agremiação foi “agressiva”.

“Policiais são pessoas como nós, que têm ideais, que acreditam em um sonho”, continuou o governador. “Eles são excelentes profissionais, não devem nada pra ninguém, enfrentam o combate nas ruas todos os dias. Esse tipo de deboche não fica legal, é ruim, é agressivo, é de péssimo gosto; nota zero pra eles”.

Confira na íntegra o posicionamento do governador de São Paulo:

Possível punição

Tarcísio não foi o único a se pronunciar contrário à escola de samba. Um ofício dos deputados federais Capitão Augusto (PL) e Dani Alonso (PL) foi enviado à Prefeitura de São Paulo para pedir punição e corte de verbas públicas da Vai-Vai. 

Leia mais: “Arthur Lira usa avião da FAB para curtir Carnaval do Rio e de Salvador”

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) também repudiou o desfile da Vai-Vai, por meio de um comunicado.

“A escola de samba, em nome do que chama de ‘arte’ e de liberdade de expressão, afronta as forças de segurança pública, desrespeita e trata, de forma vil e covarde, profissionais abnegados que se dedicam, dia e noite, à proteção da sociedade e ao combate ao crime, muitas vezes, sob condições precárias e adversas, ao custo de suas próprias vidas e família”, diz a nota.

Assista a um trecho do desfile da Vai-Vai:

Ligações com o PCC

Um processo de lavagem de dinheiro, que corre em segredo na Justiça de São Paulo, apontou a escola de samba Vai-Vai como reduto do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do mundo em movimentação financeira. 

Confira: “Federação Nacional dos Jornalistas repudia desastre carnavalesco da Globo”

Entre os alvos da investigação da Polícia Civil estão o diretor financeiro e conselheiro da agremiação, Luiz Roberto Marcondes Machado de Barros, o Beto da Bela Vista.

Uma das mais tradicionais escolas de samba do Estado e vencedora de 15 títulos no Carnaval, a Vai-Vai passou a ser investigada quando a polícia recebeu diversas denúncias que apontavam a ligação de Beto com o crime organizado.

+ Leia mais notícias do Brasil no site da Revista Oeste

De acordo com um trecho do relatório policial, a escola de samba é reduto do PCC e, justamente por esse motivo, expulsou alguns dos componentes da agremiação que eram policiais.

O que disse a escola de samba

A escola de samba abordou a suposta marginalização de artistas ligados ao hip hop - 11/02/2024 | Foto: Yuri/Murakami/Estadão Conteúdo
A escola de samba abordou a suposta marginalização de artistas ligados ao hip hop – 11/02/2024 | Foto: Yuri/Murakami/Estadão Conteúdo

A Vai-Vai informou, em comunicado, que a ala prestou uma homenagem ao álbum Sobrevivendo no Inferno, do Racionais Mcs, sem a intenção de promover qualquer tipo de ataque ou provocação. 

“O desfile tratou-se [sic] de um manifesto, uma crítica ao que se entende por cultura na cidade de São Paulo, que exclui manifestações culturais como o hip hop”, esclareceu a nota da agremiação.

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