Um esquema de fraude em concursos públicos, operado de forma familiar e com uso de tecnologia avançada, foi desmantelado pela Polícia Federal no interior da Paraíba.
A quadrilha, sediada em Patos, atraía interessados em cargos públicos e chegava a cobrar até R$ 500 mil por vaga, utilizando métodos sofisticados para acessar antecipadamente respostas das provas e garantir aprovações fraudulentas.
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As investigações mostram que o grupo, liderado por Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar afastado em 2021, contava com atuação coordenada de familiares, como irmãos, cunhada, sobrinha e filho.
Cada integrante exercia funções específicas, desde a negociação com candidatos até o repasse dos gabaritos e execução técnica das fraudes, reforçando o caráter familiar da organização criminosa.
Métodos sofisticados e alto padrão de fraude
Entre as estratégias empregadas, destacam-se pontos eletrônicos implantados nos ouvidos dos candidatos, permitindo comunicação durante as provas, além de mensagens cifradas e até mesmo o uso de dublês para substituir inscritos em exames.
Esses recursos garantiam não só altos índices de aprovação, mas também gabaritos idênticos, inclusive nos erros, entre diferentes candidatos. Os pagamentos pelo serviço eram realizados de diversas formas, incluindo dinheiro em espécie, ouro, carros e procedimentos odontológicos.
Para ocultar a origem dos valores, o grupo utilizava depósitos em espécie, transações imobiliárias simuladas, uso de terceiros para movimentação financeira e, em alguns casos, clínicas odontológicas como fachada para lavagem de dinheiro.
Fraudes atingiram concursos de destaque nacional

A quadrilha atuava em vários Estados e beneficiou candidatos em concursos da Polícia Federal, Caixa, Banco do Brasil, Universidade Federal da Paraíba, polícias estaduais e, principalmente, no Concurso Nacional Unificado de 2024, em que pelo menos dez pessoas foram aprovadas por meio do esquema.
Entre os suspeitos estão o policial militar Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior, dono de clínica odontológica; Thyago José de Andrade, que controlava pagamentos; e Laís Giselly Nunes de Araújo, ligada a 14 fraudes e aprovada no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco. Luiz Paulo Silva dos Santos é investigado por envolvimento em mais de 67 concursos.
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As provas reunidas pela PF incluem gabaritos idênticos, interceptações telefônicas, áudios, comprovantes de pagamento e movimentações financeiras suspeitas. Peritos afirmaram que as coincidências nos resultados seriam impossíveis de ocorrer por acaso.
Deflagrada em 2 de outubro, a Operação Última Fase prendeu três pessoas, cumpriu mandados de busca e suspendeu as posses dos aprovados ilegalmente. Segundo o juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, as fraudes custavam cerca de R$ 300 mil por vaga.
As defesas negam as acusações e alegam falta de provas, pedindo respeito à presunção de inocência.





































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