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Refit é suspeita de centralizar esquema no setor de combustíveis

O MPSP investiga a distribuidora Rodopetro por centralizar operações ilegais depois da cassação do grupo Aster/Copape

PCC
A ação, que incluía 161 denunciados, foi apresentada há 12 anos | Foto: Reprodução/Redes sociais

Diante da cassação das licenças da formuladora Copape e da distribuidora Aster pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), em julho de 2024, a Rodopetro, integrante do grupo Refit, assumiu papel central na distribuição de combustíveis, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão aponta que o grupo liderado por Ricardo Magro teria assumido as operações antes comandadas pelas empresas ligadas a Mohamad Mourad.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Rodopetro ampliou significativamente suas aquisições, ao incorporar as atividades do grupo Aster/Copape e virar o principal centro da nova dinâmica de distribuição. Para o Gaeco, a mudança representa um mecanismo para disfarçar operações proibidas, já que a Rodopetro passou a centralizar a distribuição, o que criou uma nova camada de ocultação.

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No pedido de buscas e apreensões contra o grupo Mourad, o Gaeco afirma que “a Rodopetro praticamente dobrou suas aquisições para englobar as operações do grupo Aster/Copape”. A substituição do grupo pela Refit, anteriormente chamada Grupo Manguinhos, com a distribuição centralizada na Rodopetro, “é vista como uma nova camada de ocultação para burlar as proibições impostas à Copape e à Aster”.

A Refit não foi alvo das buscas na Operação Carbono Oculto. Em comunicado, a empresa negou ter ligação com os investigados e afirmou que “as acusações de que a companhia teria ocupado o espaço da Copape não se sustentam”. O grupo também declarou que sempre atuou de forma regular e que a operação contribui para separar empresas corretas das que agem fora da lei.

A rivalidade entre os empresários Mourad e Magro ganha destaque, pois ambos disputavam influência no setor. “Não existem inimigos, só interesses”, explicou um dos promotores envolvidos na força-tarefa da Carbono Oculto.

Deflagrada na última quinta-feira, 28, a operação investiga fraudes envolvendo o setor de combustíveis, lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), além do envolvimento de instituições financeiras e fundos de investimento da Faria Lima.

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Prédios na Av. Faria Lima, um das regiões mais importantes para a economia da cidade de São Paulo | Foto: Flickr/Igor Leandro

Disputas e acusações no setor de combustíveis

Em vídeo publicado há oito meses, Mourad responsabilizou Magro pelas investigações sobre a Copape e o PCC. Segundo ele, “a Copape está fechada por ordem da Agência Nacional de Petróleo (ANP) há mais de cem dias. No começo, sobre o fundamento de que a Copape foi fechada pelo PCC.”

A associação com a facção, segundo Mourad, teria sido desmentida, mas a ordem de fechamento se mantém, pois a ANP afirma que a Copape praticou irregularidades no transporte e trato de combustíveis. “Irregularidades que nunca foram provadas”, diz o empresário.

O grupo Copape/Aster atua em toda a cadeia do setor, desde a produção de etanol, distribuição e transporte, até o refino, armazenagem e comércio em postos. Já a Refit é uma das maiores refinarias do Brasil.

As investigações mostram que a Rodopetro forneceu combustíveis para várias distribuidoras com ligações com organizações criminosas. O MPSP entende que a reorganização do mercado buscou contornar proibições e ocultar operações ilícitas.

Distribuidoras associadas à Rodopetro teriam endereços registrados em cidades no interior de Goiás, Mato Grosso, além de municípios paulistas como Jardinópolis, Ribeirão Preto e Guarulhos, bem como em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O MPSP classifica essas empresas como de fachada, com vínculos ao grupo de Mourad.

Empresas estão entre maiores devedores fiscais de SP

Dados da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) de julho apontam que as companhias de Magro e Mourad figuram entre os maiores devedores fiscais de São Paulo. A Refinaria de Petróleos de Manguinhos S/A, de Magro, lidera a lista, com dívida de R$ 8,4 bilhões, enquanto a Copape Produtos de Petróleo deve R$ 381,7 milhões.

MJSP, Polícia Federal (PF), o Ministério da Fazenda e a Receita Federal deflagrar as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto para desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis. Foto: Isaac Amorim/MJSP
MJSP, Polícia Federal (PF), o Ministério da Fazenda e a Receita Federal deflagraram as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto para desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis. | Foto: Isaac Amorim/MJSP

Em nova nota, a Refit reiterou que a Operação Carbono Oculto é fundamental para distinguir empresas que agem corretamente. “Foi a partir de nossas denúncias contra práticas fraudulentas no mercado que nos tornamos alvo de represálias, incluindo o incêndio criminoso de um posto em São Paulo.”

A empresa afirma que o Grupo Fit não tem nenhum vínculo com os investigados. “As acusações de que a companhia teria ‘ocupado o espaço’ da Copape não se sustentam”, diz a nota. “O que ocorreu foi o contrário: com o afastamento de práticas desleais que distorciam a concorrência, a empresa voltou a competir em condições justas, baseadas em eficiência e qualidade.”

Ainda segundo o comunicado, “o Grupo Fit nunca forneceu combustíveis a postos administrados pelo grupo acusado de ligação com o crime organizado, tampouco manteve relações comerciais com empresas que se associaram a ele”. A empresa destacou que nenhuma de suas subsidiárias foi alvo de medidas judiciais na operação e reafirmou o compromisso com a legalidade, ética e qualidade na prestação de serviços.

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