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Brasil

Reativação de ferrovias abandonadas exigiria R$ 75 bi, diz estudo

Levantamento indica dependência de recursos públicos para reconstrução e operação da maior parte da malha

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Trilhos desativados no país só voltariam a operar com investimento público e apoio contínuo | Foto: Ricardo Botelho/Minfra

Um estudo financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, em parceria com a Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, estima que a reativação de ferrovias abandonadas no Brasil exigiria cerca de R$ 75 bilhões em investimentos públicos.

O levantamento analisa 9.845 quilômetros de trilhos desativados ou subutilizados, distribuídos em 61 trechos. Desse total, 7.412 quilômetros, em 37 trechos, poderiam voltar a operar, desde que contem com subsídios ou aporte estatal, segundo informações reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo.

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Outros 2.433 quilômetros, divididos em 24 trechos, foram classificados como inviáveis para reativação, mesmo com recursos públicos. Nenhum dos segmentos avaliados apresentou viabilidade apenas com investimento privado.

Custo e critérios de viabilidade

A estimativa de R$ 75 bilhões considera um custo médio de R$ 10 milhões por quilômetro. O valor inclui reconstrução e operação, com variações conforme a complexidade de cada trecho.

O estudo se baseia em projeções de um consórcio internacional de consultorias, que avaliou o nível de deterioração das linhas e as possibilidades de uso econômico.

Estudo aponta baixa viabilidade econômica de ferrovias abandonadas sem subsídios do governo | Foto: Reprodução/Cristian Santinon

Os cenários consideram demanda potencial, custos de reconstrução e impacto socioambiental, além de projeções para transporte de cargas, passageiros ou ambos.

Dependência de subsídios

Entre os trechos considerados viáveis, apenas 1.310 quilômetros apresentam menor dependência de recursos públicos, com necessidade restrita à recuperação da infraestrutura.

A maior parte da malha, cerca de 6.102 quilômetros, dependeria de subsídios operacionais contínuos para manter funcionamento regular.

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Os dados indicam predominância do transporte de cargas. Cerca de 5.900 quilômetros têm vocação principal para mercadorias. Outros 1.200 quilômetros poderiam operar em modelo misto. Apenas 300 quilômetros mostram viabilidade exclusiva para passageiros.

Distribuição regional das ferrovias

O levantamento divide a malha em três grandes regiões. A Malha Nordeste reúne 2.984 quilômetros em estados como Pernambuco, Ceará e Paraíba. Os trilhos conectam áreas metropolitanas a regiões produtoras e portos.

Um dos trechos considerados viáveis liga Recife ao agreste pernambucano, na região de Caruaru, com extensão de 611 quilômetros.

A Malha Centro-Leste soma 3.577 quilômetros e atravessa estados como Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Um dos corredores apontados como promissores liga Visconde de Itaboraí (RJ) a Vitória (ES).

Já a Malha Sul concentra 3.284 quilômetros nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre os trechos viáveis estão ligações entre Ourinhos (SP) e Cianorte (PR), além de Cruz Alta e Passo Fundo (RS).

Transporte de passageiros é limitado

De três a cinco ramais apresentam viabilidade exclusiva para passageiros, somando cerca de 300 quilômetros. Esses trechos se concentram próximos a grandes centros urbanos.

Entre eles estão ligações na Grande Recife, no eixo Três Rios–Japeri (RJ) e no ramal de Crato, no Ceará. Mesmo nesses casos, o funcionamento dependeria de subsídios permanentes.

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