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Projeto bilionário planeja retomar ferrovia entre Baixada Santista e Vale do Ribeira (SP)

Estudo da CPTM prevê 223 km de linha para passageiros e cargas, com estações em 13 cidades e conexão ao VLT e ao Trem Intercidades

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A CPTM realiza levantamentos topográficos e aerofotogramétricos no trecho | Foto: Reprodução/CPTM

Os trens podem voltar a circular entre Santos e Cajati, no interior paulista, quase 30 anos depois da desativação da antiga linha férrea. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciou os estudos para uma nova ferrovia, de 223 quilômetros, que deve ligar a Baixada Santista ao Vale do Ribeira. Ao todo, a linha passará por 13 cidades e terá estações de embarque em cada uma delas.

O trecho entre Santos e Peruíbe, com cerca de 80 quilômetros, será construído como via elevada. A proposta inclui ciclovias, estacionamentos para banhistas e parques sob os trilhos, que vão seguir paralelos à orla. O custo total da obra deve variar entre R$ 19 bilhões e R$ 21 bilhões.

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Trens híbridos, integração com VLT e retomada histórica

A nova ferrovia terá trens híbridos, com tecnologia que une energia elétrica e combustão. O sistema será conectado ao VLT da Baixada Santista e ao Trem Intercidades Santos–São Paulo. A expectativa é que a linha transporte 32 mil passageiros por dia e até 600 contêineres de carga.

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O serviço contará com trens expressos e paradores. A viagem direta entre Santos e Cajati deve durar duas horas e 20 minutos. No modelo parador, o tempo será de 48 minutos até Peruíbe e uma hora e 56 minutos de Peruíbe a Cajati.

A ferrovia também deve aliviar os congestionamentos nas rodovias da região, reduzir acidentes e impulsionar o turismo. Os passageiros terão acesso facilitado às praias do litoral sul e ao Vale do Ribeira, conhecido pelo ecoturismo e pelas cavernas.

Estudos técnicos e ocupações irregulares no traçado antigo

A CPTM realiza levantamentos topográficos e aerofotogramétricos no trecho. O material vai embasar o anteprojeto de engenharia, previsto para começar em dezembro. Esse estudo, portanto, definirá o traçado final, as estruturas e os parâmetros operacionais da linha. As autoridades devem usar o documento para avaliar uma possível concessão à iniciativa privada.

A equipe já identificou trechos com ocupações irregulares, sobretudo na Baixada Santista. Moradias, comércios e plantações ilegais tomaram a antiga linha férrea. Uma vistoria do Ministério Público Federal em 2018 flagrou construções clandestinas e lavouras de banana sobre os trilhos.

Algumas estações originais foram destruídas ou estão em ruínas. O projeto prevê reconstruções ou substituições por estruturas modernas. Em Mongaguá, a prefeitura pediu à União a doação de 13 quilômetros da faixa da antiga linha desativada. Segundo o município, o trecho está abandonado, tomado por mato, lixo, buracos e córregos sem manutenção.

Ferrovia centenária teve auge no século 20

A linha ferroviária entre Santos e Juquiá começou a operar entre 1913 e 1915. A empresa inglesa Southern San Paulo Railway realizou o empreendimento. Em 1926, passou ao controle da Estrada de Ferro Sorocabana. Durante décadas, escoou banana, madeira e insumos agrícolas para o Porto de Santos.

Nos anos 1940 e 1950, a ferrovia operava o Expresso Ouro Branco, um trem de luxo que ligava a capital paulista ao litoral. Na época, a linha tinha 40 estações. O transporte de passageiros entre Santos e Juquiá foi encerrado em 1997.

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Em 2020, a Rumo Logística devolveu oficialmente a concessão do trecho entre Santos e Cajati ao governo federal. Desde então, a linha permaneceu inativa.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, responsável pela malha ferroviária federal, informou que ainda não recebeu notificação formal sobre o novo projeto. A CPTM afirmou que iniciará tratativas com os órgãos federais assim que o anteprojeto estiver pronto.

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