O presidente do Regime Próprio de Previdência Social do Rio de Janeiro (Rioprevidência), Deivis Marcon Antunes, foi exonerado do cargo nesta sexta-feira, 23, depois de se tornar alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF). A exoneração foi formalizada pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no mesmo dia da deflagração da operação.
A ação da PF faz parte da Operação Barco de Papel, que investiga investimentos realizados pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial. O banco teve a insolvência decretada depois de o Banco Central identificar indícios de irregularidades e suspeitas de fraude.
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De acordo com a PF, as investigações apuram nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas por uma instituição privada. Para os investigadores, essas operações teriam exposto o patrimônio da autarquia previdenciária a riscos considerados elevados e incompatíveis com sua finalidade.
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Deivis afirma que pediu o desligamento por iniciativa própria, depois de apresentar uma carta ao governo estadual. Segundo o presidente do Rioprevidência, a decisão teria como objetivo preservar a lisura e a transparência do processo investigativo. O governo do Rio, por sua vez, sustenta que a exoneração foi determinada pela gestão estadual, que já apurava os fatos desde dezembro por meio da Controladoria-Geral do Estado.
A operação da Polícia Federal
O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais e seus dependentes. Nos últimos anos, segundo dados apresentados ao Tribunal de Contas, o fundo chegou a expor cerca de R$ 2,5 bilhões — aproximadamente 25% de seus recursos aplicados — a ativos administrados pelo conglomerado ligado ao Banco Master.
Durante a operação, agentes da PF cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, inclusive na residência de Deivis Marcon Antunes, no bairro de Botafogo. O presidente não estava no local, pois se encontrava em viagem aos Estados Unidos. A defesa informou que Deivis estava em período de férias previamente programadas desde novembro de 2025.
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Também foram alvos da operação ex-diretores da área de investimentos do Rioprevidência. Em um dos endereços, a PF apreendeu dinheiro em espécie, cujo proprietário afirmou que o valor seria destinado ao pagamento de uma obra residencial.
Segundo a PF, o nome da operação faz referência a investimentos de alto risco e baixo lastro. A corporação compara esses ativos a um “barco de papel”: fáceis de adquirir e aparentemente atrativos, mas frágeis diante de condições adversas do mercado.
As aplicações do Rioprevidência já haviam sido alvo de alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Em maio, o órgão apontou graves irregularidades e, meses depois, determinou uma tutela provisória que impediu novas operações com o Banco Master. Técnicos do tribunal também destacaram baixa rentabilidade dos fundos e perdas expressivas em curto espaço de tempo.

O que diz o Rioprevidência
Em nota, o Rioprevidência afirmou que todos os investimentos observaram a legislação vigente e que uma decisão judicial, tomada em dezembro de 2025, determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, como forma de proteger o patrimônio previdenciário. A autarquia informou ainda que os recursos já estão sendo recuperados e que o calendário de pagamentos aos segurados segue sem alterações.
Enquanto as investigações avançam, a presidência do Rioprevidência passa a ser exercida interinamente pelo diretor de Administração e Finanças, conforme prevê o regimento interno do órgão.

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