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Poucas praias do Brasil estão em boas condições para banho

Entre os dados de levantamento, o número de praias boas caiu de 62 para 47 e a de ruins aumentou de 33 para 43

Praias impróprias Brasil
Praias impróprias no Brasil têm aumentado de número 8 Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Apenas 20% das praias brasileiras mantiveram condições próprias para banho durante todo o ano de 2025, segundo levantamento da Folha de S.Paulo com dados oficiais de órgãos ambientais estaduais e municipais. O levantamento chegou à sua 10ª edição. Dos 1.230 trechos monitorados em 14 estados, 253 praias permaneceram boas, enquanto 397 foram classificadas como regulares, 216 como ruins e 207 como péssimas.

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No litoral paulista, a situação se agravou, de acordo com o relatório. O número de praias boas caiu de 62 para 47, as ruins aumentaram de 33 para 43 e as regulares passaram de 64 para 70, enquanto as péssimas permaneceram em 16.

Na Baixada Santista, janeiro, fevereiro e abril registraram picos de chuvas com média de 200 milímetros por mês, impactando diretamente a balneabilidade.

Algumas praias enfrentam problemas antigos e persistentes. A Praia do Perequê, em Guarujá, segue péssima desde o início da série histórica. Para o biólogo e pescador Jorge Luís dos Santos, 55, o despejo de resíduos trazidos pelo rio do Peixe e outros cursos d’água é o principal problema. “Temos uma dificuldade histórica de ordenamento urbano. Isso inclui crescimento desordenado e falta de saneamento básico adequado.”

No Rio de Janeiro, apenas 66 praias mantiveram condições próprias, enquanto cerca de 200 trechos ficaram regulares, ruins ou péssimos. A Praia de Botafogo continua como a pior da zona sul, com 67,1% das amostras impróprias, apesar de liberações pontuais de uso ao longo do ano. Frequentadores entram no mar mesmo sabendo dos riscos, enquanto outros evitam a água.

Praias em outras regiões do Brasil

  • Nordeste: Estados como Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte registraram aumento de praias boas. Na Bahia, 23 das 88 praias monitoradas mantiveram condições adequadas em todas as medições, incluindo Ipitanga, Guarajuba, Salinas da Margarida e trechos da Ilha de Itaparica. Algumas praias do Sul e Extremo-Sul da Bahia não foram avaliadas, e medições em outros trechos foram interrompidas entre junho e outubro. Salvador apresentou apenas três praias boas.
  • Norte: Amapá, Piauí e Pará não realizaram monitoramento da balneabilidade, portanto não há dados disponíveis.
  • Centro-Oeste: Sem litoral costeiro, não houve monitoramento de praias.
  • Sul: Não há informações detalhadas ou medições específicas disponíveis para a região.

A classificação das praias segue a resolução 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que avalia a presença de bactérias fecais (coliformes termotolerantes, Escherichia coli e enterococos) em amostras coletadas ao longo de cinco semanas consecutivas.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), praias boas permanecem próprias em todas as medições, regulares ficam impróprias em até 25% dos testes, ruins entre 25% e 50% e péssimas em mais de 50%.

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O contato com águas impróprias representa risco à saúde, podendo causar doenças gastrointestinais, infecções de pele e micoses. Além disso, o despejo de esgoto sem tratamento compromete ecossistemas costeiros, contaminando ostras, sururus, mariscos e prejudicando a fauna e a flora marinha.

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