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Por que o Rio Grande do Sul acumula tantos eventos climáticos?

Enchentes no Estado provocaram a morte de 149 pessoas e o desaparecimento de 112

Imagens geradas por drone mostram uma rua inundada, no centro de Porto Alegre - 13/5/2024 | Foto: Diego Vara/Reuters
Imagens geradas por drone mostram uma rua inundada, no centro de Porto Alegre - 13/5/2024 | Foto: Diego Vara/Reuters

Desde o fim de abril, o Rio Grande do Sul tornou-se alvo de intensas chuvas, que já resultaram em 149 mortes e deixaram 112 pessoas desaparecidas. É o que informa a Defesa Civil do Estado, em boletim divulgado na noite desta terça-feira, 14.

Além das tempestades, a região tem experimentado outros eventos climáticos, como tremores de terra, ondas de frio e até um tornado, que atingiu a zona rural de Gentil no sábado 11.

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Luiz Fernando dos Santos, doutor em meteorologia da Tempo OK, explicou em entrevista à CNN Brasil os motivos para a ocorrência simultânea desses fenômenos.

Rio Grande do Sul está com clima chuvoso

Entre maio e junho, a maior parte do Brasil enfrenta uma condição de tempo seco — com exceção do Sul, que continua a receber chuvas.

Neste ano, temperaturas mais altas dos oceanos e continentes têm intensificado os eventos climáticos extremos. Na região central do Brasil, um sistema de alta pressão está especialmente forte — enquanto no Sul, áreas de instabilidade e frentes frias são impedidas de avançar para o Sudeste por essa alta pressão.

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“Quando ocorre o choque entre as instabilidades e a massa de ar seco, que estão potencializadas devido ao calor, aumenta o risco de transtornos, já que as nuvens carregadas que se formam com este impacto provocam chuvas ainda mais volumosas, tornados e ventanias”, disse o especialista. “Enquanto a massa de ar seco não perder força, esse cenário vai se repetir, concentrando as chuvas no Sul.”

Santos destacou que esses fenômenos estão interligados e afirmou que o calor na atmosfera intensifica as regiões de alta pressão no interior do país. Com temperaturas mais altas, há um favorecimento na formação de nuvens de tempestade chamadas de Cumulonimbus, que causam chuvas volumosas, rajadas de vento, granizo e tornados.

O El Niño, que é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, atuou até o início de maio. “Mesmo com a transição para a neutralidade na região do Pacífico, ainda há bastante energia na atmosfera, que leva um tempo para se dissipar”, disse Santos.

Posição geográfica favorece eventos climáticos

Além disso, a posição geográfica do Rio Grande do Sul contribui para esses eventos climáticos. As instabilidades vindas do Pacífico passam pela Cordilheira dos Andes e se intensificam entre a Argentina e o Estado brasileiro.

“A alta pressão que se forma no interior do Brasil é tão ampla que ‘barra’ as nuvens carregadas entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina”, acrescentou Santos.

Em virtude das fortes chuvas, 447 municípios do Estado já foram afetados pelas enchentes.

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