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Polícia pede prisão de suspeita de envolvimento em morte de ex-delegado

Mulher teria transportado o fuzil utilizado no crime

Ruy Ferraz Fontes foi o primeiro delegado a investigar o PCC | Foto: Alesp/Divulgação
Até agora, a polícia pediu a prisão de oito pessoas suspeitas de envolvimento no crime | Foto: Divulgação/Alesp

A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão de uma mulher suspeita de participação no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado em Praia Grande, no litoral paulista, na noite de segunda-feira, 15. O pedido foi feito na noite desta quarta-feira, 17, e será analisado pelo Plantão Judiciário.

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Segundo as investigações, a mulher teria transportado um dos fuzis usados na execução da Baixada Santista para a região metropolitana de São Paulo. Ela chegou ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital paulista, por volta das 17h30, cobriu o rosto com uma blusa, não usava algemas e estava escoltada por agentes.

De acordo com fontes policiais, a suspeita alegou ter ido buscar uma encomenda no litoral sem saber o conteúdo da sacola. Há indícios de que ela seria namorada de um fornecedor de armas, embora não haja confirmação de que ele tenha participado do crime. O nome da mulher não foi divulgado, e não foi possível localizar sua defesa.

Operação policial e depoimentos

Na manhã desta quarta-feira, a mãe e o irmão de um dos dois suspeitos já identificados foram ouvidos no DHPP. Testemunhas e familiares de outros envolvidos também prestaram depoimentos, mas os conteúdos não foram divulgados.

O delegado Rogério Thomaz afirmou que as oitivas integram o trabalho de apuração e confirmou que a Justiça já decretou a prisão temporária dos dois homens identificados como suspeitos diretos do assassinato. Ambos permanecem foragidos.

Além disso, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços da capital e da Grande São Paulo. Objetos foram apreendidos e encaminhados para análise pericial, como o celular de Ferraz.

O assassinato do delegado

O crime ocorreu na avenida Doutor de Roberto de Almeida Vinhas, em Praia Grande, a poucos quilômetros da prefeitura, onde Ferraz ocupava o cargo de secretário de Administração. Imagens de câmeras de segurança mostram o carro do ex-delegado perseguido por uma Hilux preta. Ao tentar fugir, o veículo da vítima bateu em um ônibus e capotou. Em seguida, criminosos desceram do automóvel e dispararam diversas vezes contra ele.

Ferraz foi atingido por tiros de fuzil e morreu no local. Ele tinha 64 anos e foi ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo. Durante sua carreira, foi responsável por mapear a estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos anos 2000 e participou de operações que resultaram na prisão de lideranças da facção, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e André Oliveira Macedo, o André do Rap.

Linhas de investigação

As autoridades trabalham com três a quatro hipóteses para o assassinato. Uma das principais é a vingança do PCC, facção criminosa que já havia ameaçado Ferraz de morte em razão de sua atuação contra o grupo. Outra linha investigada é a possibilidade de o crime ter ligação com sua atividade mais recente como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande.

O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), informou que um dos suspeitos já esteve preso em ala controlada pelo PCC. Também há a hipótese de que o ataque tenha sido executado por uma célula conhecida como “Sintonia Restrita”, formada por pistoleiros da facção.

Leia também: “A ousadia do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 243 da Revista Oeste

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