A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão de uma mulher suspeita de participação no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado em Praia Grande, no litoral paulista, na noite de segunda-feira, 15. O pedido foi feito na noite desta quarta-feira, 17, e será analisado pelo Plantão Judiciário.
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Segundo as investigações, a mulher teria transportado um dos fuzis usados na execução da Baixada Santista para a região metropolitana de São Paulo. Ela chegou ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital paulista, por volta das 17h30, cobriu o rosto com uma blusa, não usava algemas e estava escoltada por agentes.
De acordo com fontes policiais, a suspeita alegou ter ido buscar uma encomenda no litoral sem saber o conteúdo da sacola. Há indícios de que ela seria namorada de um fornecedor de armas, embora não haja confirmação de que ele tenha participado do crime. O nome da mulher não foi divulgado, e não foi possível localizar sua defesa.
Operação policial e depoimentos
Na manhã desta quarta-feira, a mãe e o irmão de um dos dois suspeitos já identificados foram ouvidos no DHPP. Testemunhas e familiares de outros envolvidos também prestaram depoimentos, mas os conteúdos não foram divulgados.
O delegado Rogério Thomaz afirmou que as oitivas integram o trabalho de apuração e confirmou que a Justiça já decretou a prisão temporária dos dois homens identificados como suspeitos diretos do assassinato. Ambos permanecem foragidos.
Além disso, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços da capital e da Grande São Paulo. Objetos foram apreendidos e encaminhados para análise pericial, como o celular de Ferraz.
💥 🖤 Vídeo mostra o momento da batida do carro e do assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em Praia Grande (SP), considerado inimigo número 1 do PCC e responsável pelo indiciamento de líderes da facção.pic.twitter.com/eJ9EvKyL78
— République (@republiqueBRA) September 16, 2025
O assassinato do delegado
O crime ocorreu na avenida Doutor de Roberto de Almeida Vinhas, em Praia Grande, a poucos quilômetros da prefeitura, onde Ferraz ocupava o cargo de secretário de Administração. Imagens de câmeras de segurança mostram o carro do ex-delegado perseguido por uma Hilux preta. Ao tentar fugir, o veículo da vítima bateu em um ônibus e capotou. Em seguida, criminosos desceram do automóvel e dispararam diversas vezes contra ele.
Ferraz foi atingido por tiros de fuzil e morreu no local. Ele tinha 64 anos e foi ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo. Durante sua carreira, foi responsável por mapear a estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos anos 2000 e participou de operações que resultaram na prisão de lideranças da facção, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e André Oliveira Macedo, o André do Rap.
Linhas de investigação
As autoridades trabalham com três a quatro hipóteses para o assassinato. Uma das principais é a vingança do PCC, facção criminosa que já havia ameaçado Ferraz de morte em razão de sua atuação contra o grupo. Outra linha investigada é a possibilidade de o crime ter ligação com sua atividade mais recente como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande.
O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), informou que um dos suspeitos já esteve preso em ala controlada pelo PCC. Também há a hipótese de que o ataque tenha sido executado por uma célula conhecida como “Sintonia Restrita”, formada por pistoleiros da facção.
Leia também: “A ousadia do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 243 da Revista Oeste
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