Era outubro de 2023, aproximadamente 7h. Um adolescente de 16 anos entrou na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, e abriu fogo contra os estudantes. Uma aluna foi morta e outras duas foram baleadas. Um terceiro se feriu ao fugir.
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O crime chocou o Brasil. À época, muitas pessoas tentaram entender a motivação do atentado. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Artur Dian, esse tipo de assassinato está fortemente associado a crimes cibernéticos que ocorrem por meio da plataforma Discord.
Crimes planejados na plataforma Discord
Em entrevista ao Jornal da Oeste, Primeira Edição, desta quinta-feira, 9, Dian explicou que os assassinatos fora do ambiente virtual, como o que ocorreu em Sapopemba, por exemplo, são o fim do processo que envolve esse tipo de delito na internet.
“Os crimes começam com mutilação e maus-tratos a animais no meio de lives no Discord”, afirmou. “Para sair da plataforma e conseguir postos mais altos na organização, os adolescentes são instigados a cometer crimes como os atentados em escolas.”
Esse tipo de delito cibernético ocorre da seguinte forma: os criminosos captam adolescentes e os fazem enviar nudes, para depois chantageá-los. Uma vez sob o domínio dos bandidos, os menores são forçados a se cortarem durante uma live no Discord. Enquanto a vítima se automutila, os organizadores do grupo riem e fazem comentários jocosos.

A Polícia Civil de São Paulo montou uma força-tarefa para prender os mandantes dos crimes e para impedir que menores se machuquem. Por meio do Núcleo de Observação e Análise Digital, os agentes conseguiram evitar mais de 300 ocorrências, inclusive de suicídio.
Inquérito policial para investigar a plataforma
Outra medida foi a abertura de um inquérito policial para investigar o Discord. A polícia tomou a decisão depois de a plataforma descumprir uma solicitação emergencial, que pedia o fim de uma transmissão ao vivo que mostrava cenas de violência para crianças e adolescentes. O Discord não acatou o pedido e o evento não foi interrompido.
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Dian disse que os pais devem ter o controle do que os filhos veem nas redes sociais. “Às vezes acham que os filhos estão em segurança, mas na verdade podem estar interagindo com pessoas que não são do bem”, afirmou. “Isso pode trazer problemas futuros.”
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