De acordo com uma pesquisa recente, mais de 40% dos brasileiros ignoram o Holocausto, genocídio que vitimou mais de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Além dos judeus, o regime nazista da Alemanha, sob o comando de Adolf Hitler, matou milhões de outras vítimas, como ciganos, pessoas com deficiência, opositores políticos, homossexuais e prisioneiros de guerra.
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Segundo a pesquisa “Conhecimento sobre o Holocausto no Brasil”, “embora 59,3% dos entrevistados afirmem ter algum conhecimento sobre o Holocausto, apenas 53,2% conseguiram defini-lo corretamente como o extermínio sistemático de 6 milhões de judeus pelo regime nazista”.
“O conhecimento se mostra ainda mais frágil quando são avaliados elementos específicos do tema”, diz um trecho do levantamento. “Apenas 38,5% identificaram corretamente Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio, enquanto 51,6% declararam não saber responder.”


A pesquisa
A pesquisa foi conduzida pelo Grupo Ispo, a pedido de quatro instituições — Confederação Israelita do Brasil, Memorial do Holocausto de São Paulo, Museu do Holocausto de Curitiba e StandWithUs Brasil — e estruturada em duas etapas complementares.
Os pesquisadores realizaram a primeira etapa em abril de 2025 e a segunda etapa em setembro e outubro de 2025.
As entrevistas foram presenciais, realizadas em pontos de fluxo — como estações de transporte e centros comerciais —, com controle por cotas sociodemográficas.
Os entrevistadores ouviram 7.762 pessoas em 11 regiões metropolitanas brasileiras, incluindo Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. A margem de erro é de 4,7%, com intervalo de confiança de 95%.
A escola aparece como a principal fonte de conhecimento sobre o Holocausto
O levantamento aferiu que a escola aparece como a principal fonte de conhecimento (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e internet/redes sociais (12,5%).
Museus, memoriais e instituições especializadas representam apenas 1,7% das respostas, indicando baixo acesso a espaços formais de memória.
A escolaridade aparece como o fator mais determinante para o nível de conhecimento. Entre pessoas com ensino fundamental, apenas 27,2% acertaram a definição do Holocausto, enquanto, entre aquelas com pós-graduação, o índice chega a 86,2%.
Na identificação de Auschwitz, a diferença é ainda mais expressiva: 14,3% de acerto entre entrevistados com ensino fundamental, contra 77,6% entre os de pós-graduação.
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A renda familiar segue o mesmo padrão. Somente 42,6% das pessoas com renda de até dois salários mínimos acertaram a definição, ante 87,1% entre aquelas com renda acima de dez salários mínimos.
Apesar do conhecimento limitado, 64,4% dos entrevistados consideram fundamental o ensino do Holocausto nas escolas, e 56,6% atribuem papel prioritário a museus e memoriais.
Na prática, porém, o engajamento é mínimo: 87,3% afirmam nunca ter participado de palestras, eventos educativos nem visitas a museus relacionados ao tema.
Taxa de conhecimento por região
O Sudeste apresentou maior nível de conhecimento factual em comparação a outras regiões.
Além disso, usuários que consomem conteúdo prioritariamente no YouTube demonstram maior taxa de acerto do que aqueles que se informam via WhatsApp

Os resultados mostram que o desconhecimento sobre o Holocausto no Brasil é expressivo e está estruturalmente ligado à desigualdade educacional.
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Segundo os pesquisadores, embora haja reconhecimento da importância do tema, falta acesso sistemático, contínuo e qualificado à educação histórica.



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