publicidade
Brasil

Mulher recebe pensão militar por morte falsa do marido

Cônjuge forjou certidão de óbito para receber pensão; depois, quando ele foi expulso da corporação pela fraude, ela voltou a receber o benefício, por uma brecha legal

exército
Exército faz preparativos para o Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios - 7/9/2019 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma mulher condenada por forjar a morte do marido para receber pensão militar continua a ser beneficiada com o pagamento do benefício. O caso, revelado pelo portal Metrópoles, escancara brechas legais e práticas que custam milhões de reais ao orçamento público.

Em 2015, Dilcineth Guerreiro de Braga, então com 49 anos, apresentou ao Exército uma certidão de óbito do marido, o terceiro-sargento Gilmar Santos de Braga. O documento indicava que o homem havia morrido atropelado em Borba, interior do Amazonas.

Receba nossas atualizações

Leia mais: “Mulher terá de devolver R$ 3,7 milhões ao Exército depois de enganar a instituição por 33 anos

O documento era verdadeiro, pois havia sido lavrado em cartório. O óbito, porém, era falso. O ex-militar permanece vivo até hoje.

certidão de óbito
Certidão de óbito apresentada pela mulher ao Exército | Foto: Reprodução/Metrópoles

Dilcineth recebeu um auxílio-funeral e passou a ganhar a pensão militar. O prejuízo inicial às forças armadas foi de R$ 60 mil, segundo o portal.

Um dos filhos do casal denunciou o golpe ao Exército. O pagamento foi bloqueado em julho de 2017.

Exército continua a pagar a pensão militar

Quatro anos depois, Gilmar Santos de Braga foi expulso do Exército e condenado pelo Superior Tribunal Militar por causa da fraude.

Depois da condenação, a mulher dele passou a receber pensão mensal de R$ 5,6 mil. O motivo: há uma legislação que equipara as cônjuges de militares excluídos ou condenados às viúvas.

Leia também: “Forças Armadas pagam R$ 43 milhões em pensões irregulares

A “morte ficta” permite que os familiares requisitem pensão do Estado, independentemente de qual crime os ex-militares tenham praticado para serem expulsos. Há pensões pagas às famílias de militares condenados por crimes como estupro e tráfico de drogas. O custo total desses benefícios chega a R$ 43 milhões por ano.

Crítica do TCU e brechas legais

O Tribunal de Contas da União (TCU) critica o pagamento de pensões por “morte ficta”. Uma auditoria concluiu que esse modelo resulta de interpretações legais ultrapassadas e contrárias à Constituição.

A área técnica do órgão afirma que o benefício pode estimular má conduta entre militares que não possuem requisitos para aposentadoria remunerada.

A situação de Dilcineth e Gilmar ilustra essas contradições. Desde 2021, o casal já recebeu R$ 240,1 mil em pensão. A análise do TCU reforça que esse benefício prejudica o equilíbrio do sistema previdenciário militar.

Gilmar dos Santos Braga
Ex-militar forjou morte para receber seguro de vida a pensão | Foto: Reprodução/Metrópoles

Segundo o processo, Gilmar planejou a fraude para enfrentar problemas financeiros e obter o seguro de vida, estimado em R$ 300 mil. Dilcineth conseguiu o falso atestado de óbito com a ajuda de terceiros.

Dilcineth confirmou ao Metrópoles que Gilmar está vivo, mas afirmou que ambos estão separados. Ela não comentou a condenação, e o ex-militar não se manifestou.

O que diz o Exército

Em nota, o Exército justificou o pagamento da pensão com base no Artigo 20 da Lei nº 3.765/1960, que concede o benefício a esposas de militares excluídos com mais de 10 anos de serviço.

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

A instituição afirmou que o TCU realiza auditorias internamente e destacou que a perda do direito à pensão ocorre apenas em casos específicos, como crimes que resultem na morte do instituidor.

Leia também:

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Renato Ramos De Carvalho
    Renato Ramos De Carvalho

    A pensão militar por morte ficta, prevista em lei, vida amparar a família de militares que contribuíram ao longo de anos para essa pensão, mas cometeram atos que os levaram a serem expulsos da força. A “viúva” do militar receberá a pensão militar que o seu cônjuge pagou até ser expulso, conforme seu posto ou graduação na época da expulsão. Um militar de carreira começa a pagar pensão militar, em média, a partir dos 23 anos de idade, independente de ser casado ou não, e prossegue com esse pagamento mensal até a sua morte. Se consideramos 70 anos como a idade média de falecimento, os militares terão contribuído durante 47 anos. Se essa contribuição fosse aplicada num fundo de investimento, provavelmente, a viúva teria condições de viver sua velhice bem tranquila. Lembro que os militares contribuíram para um Montepio, um fundo de previdência, que era superavitário e bilionário. O governo Federal da epoca

  2. Renato Ramos De Carvalho
    Renato Ramos De Carvalho

    A pensão militar por morte ficta, prevista em lei, vida amparar a família de militares que contribuíram ao longo de anos para essa pensão, mas cometeram atos que os levaram a serem expulsos da força. A “viúva” do militar receberá a pensão militar que o seu cônjuge pagou até ser expulso, conforme seu posto ou graduação na época da expulsão. Um militar de carreira começa a pagar pensão militar, em média, a partir dos 23 anos de idade, independente de ser casado ou não, e prossegue com esse pagamento mensal até a sua morte. Se consideramos 70 anos como a idade média de falecimento, os militares terão contribuído durante 47 anos. Se essa contribuição fosse aplicada num fundo de investimento, provavelmente, a viúva teria condições de viver sua velhice bem tranquila. Lembro que os militares contribuíram para um Montepio, um fundo de previdência, que era superavitário e bilionário. O governo Federal da epoca

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.