Em entrevista concedida ao portal UOL nesta sexta-feira, 24, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) “chegou muito próximo” dele e de sua família. Alvo de um plano de assassinato descoberto pelas autoridades, ele relatou que, apesar de viver há duas décadas sob ameaças, o novo episódio foi mais direto e alarmante.
“Já estou há 20 anos trabalhando em investigações contra o PCC, ando com escolta há mais de dez anos, teve vários planos já para me matar, que a gente conseguiu detectar”, disse. “Mas não é por isso que não tenha receio, que não fique realmente amedrontado quando a gente percebe que situações como essa de levantamento de rotina, de filmagens, filmagens por drone, chegaram muito próximos de mim e da minha família.”
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O promotor foi novamente incluído como alvo da facção em um esquema revelado por investigações do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo. O grupo criminoso planejava matar Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina. A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em sete cidades do interior paulista, entre elas Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis, Pirapozinho, Presidente Venceslau, Presidente Bernardes e Santo Anastácio.
Segundo o Ministério Público, os criminosos monitoravam os dois servidores públicos havia meses e chegaram a alugar imóveis próximos das residências das vítimas. A Justiça autorizou a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos investigados, e cinco suspeitos já foram presos. “O que se pretendeu hoje era a apreensão de celulares, de computadores, para que possamos prosseguir nas investigações e ver para quem foi enviado esse levantamento”, explicou Gakiya.
O promotor detalhou que o plano foi descoberto durante a prisão de dois integrantes do PCC, por tráfico de drogas, na região de Presidente Prudente. Ao extrair os dados dos celulares, os investigadores encontraram vídeos e fotos da rotina de Medina e de Gakiya. “Foram encontrados lá o levantamento de rotinas, filmagens da residência, local de trabalho do Dr. Medina, e também do meu trajeto para o Ministério Público, de casa para o Ministério Público, de casa para a academia pela manhã”, afirmou.
Gakiya destacou que as gravações foram feitas entre junho e julho e que o esquema de vigilância era semelhante ao que antecedeu o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes, em setembro. Para ele, trata-se de “uma retaliação contra autoridades do Estado que durante décadas promoveram investigações e operações que de certa maneira atrapalharam ou prejudicaram o PCC”, disse.
Gakiya admite falhas na proteção contra o PCC
Durante a entrevista, Gakiya destacou a falta de mecanismos legais que garantam proteção contínua a promotores, delegados e diretores de presídios, especialmente depois da aposentadoria. “Não tenho nenhuma garantia de que, depois de aposentado, terei esse mesmo nível ou mesmo se vou manter a escolta”, declarou. Ele lembrou que Ferraz Fontes, já aposentado, foi morto sem proteção.
Gakiya afirmou ainda que o PCC mantém um setor especializado em atentados e resgates de lideranças. “A sintonia restrita, nas minhas aulas e palestras, chamo de ‘Departamento de Homicídios’ do PCC”, explicou. “Esse setor foi criado apenas para atentar contra autoridades e promover resgates de lideranças. São indivíduos que têm conhecimento, têm expertise no manuseio de explosivo, de armamento de grosso calibre.”
O promotor reconheceu que ainda há dificuldades para antecipar ações dessa natureza. “O Estado ainda não está conseguindo se antecipar a esse tipo de planejamento”, disse. “Era uma investigação por tráfico, e ao extrair os dados do celular desses indivíduos nos deparamos com esse planejamento, que era uma etapa do plano.”
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Não acaba porque o PCC é PT, é STF, STJ, OAB e etc etc etc etc etc etc etc do estamento público
Confiar….até quando e quanto? não é aterrorizador??
Profissionais competentes, honestos e dignos são poucos. Profissionais incorruptíveis, leais e descentes principalmente neste Brasil são difíceis no nosso cotidiano . Profissionais respeitáveis e dignos de honrar seu trabalho são únicos.