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Operação no Rio desmonta esquema que cobrava por orações via WhatsApp

Investigação revela grupo que faturou R$ 3,3 milhões; o líder, profeta Henrique Santini, diz que sofre perseguição religiosa

Profeta Henrique Santini, investigado por cobrar valores em troca de orações, no Rio de Janeiro, via WhatsApp
Profeta Henrique Santini, investigado por cobrar valores em troca de orações | Foto: Reprodução/YouTube

Uma operação realizada nesta quarta-feira, 24, no Rio de Janeiro, desmontou um esquema acusado de explorar financeiramente a fé de fiéis por meio de interações no WhatsApp. O grupo, liderado por Luiz Henrique dos Santos Ferreira — conhecido como profeta Henrique Santini —, é investigado por cobrar valores em troca de orações, com a utilização de um call center localizado no centro de Niterói.

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Conforme apurado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a central solicitava R$ 24 para cada 24 horas de oração “no monte”. O grupo prometia curas e milagres aos participantes.

“Deus mandou eu vir falar com você”, dizem mensagens enviadas aos fiéis. “Você vai fazer um sacrifício no altar de 24 reais, 24 reais, representando as 24 horas que eu vou ficar no monte. Você vai me pedir a chave Pix, esse dinheiro será para a gasolina do monte, para eu conseguir estar lá.”

Esquema movimentou milhões com orações on-line

Durante as investigações, autoridades identificaram que o grupo movimentou mais de R$ 3,3 milhões em dois anos. Os valores arrecadados por meio de transferências via Pix variavam de R$ 20 a R$ 1,5 mil, de acordo com o tipo de oração oferecida.

Para dificultar o rastreamento do dinheiro, os valores iam parar em contas bancárias de terceiros. Os atendentes recebiam comissões semanais baseadas no total arrecadado e precisavam cumprir metas financeiras, sob risco de demissão.

Leia mais: “A farra do TST”, reportagem de Rachel Díaz publicada na Edição 288 da Revista Oeste

O Ministério Público detalhou que dezenas de vítimas acreditavam estar em contato direto com Henrique Santini, quando, na realidade, interagiam com funcionários que simulavam ser o líder religioso, com áudios gravados. A denúncia ainda sugere que houve o aliciamento de pelo menos sete adolescentes para participar do esquema de orações e que os atendentes contratados não tinham autoridade religiosa.

Entre os relatos, um fiel contou: “Não tenho nada na minha casa a não ser água e sal”. “Mas, se Deus me abençoar, daqui para mais tarde eu faço um Pix, em nome do Senhor Jesus. Mas no momento estou sem nada, sem nada”, disse, à TV Globo.

Liberdade religiosa e acusações de perseguição

Profeta Henrique Santini
Profeta Henrique Santini | Foto: Reprodução/YouTube

O delegado Luiz Henrique Marques Pereira, da 76ª DP, explicou que “a atuação de líderes religiosos na arrecadação de dízimos e ofertas pode ocorrer dentro do princípio da liberdade religiosa, garantida pela Constituição Federal”. “No entanto, quando essa arrecadação ocorre por meio de fraude, ultrapassa o campo da fé e é considerada conduta criminosa”, afirmou.

Henrique Santini, em declaração à TV Globo, afirmou ser vítima de perseguição religiosa. Ele argumentou possuir formação em teologia, além de atuar como pastor há mais de dez anos. “Sou surpreendido com um mandado de busca e apreensão e até agora não encontraram nada que pudesse me incriminar”, disse. “Colaborei, dei todas as coisas possíveis. Eu entendo isso como uma perseguição religiosa.”

Leia também: “Universidades do ódio”, reportagem de Mateus Conte e Branca Nunes publicada na Edição 288 da Revista Oeste

Na noite desta quarta-feira, 24, Santini publicou vídeo em seu canal no YouTube no qual reforçou que se considera alvo de perseguição e afirmou que pretende “desmascarar essa mentira, essa farsa dessa investigação”.

1 comentário
  1. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    Estrlionatario esperto vira pastor, da menos problema ao robar muita gente ao mesmo tempo!

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