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O dia em que Pelé me viu graças a minha tia Antonia

Ele viu por milésimo de segundo um vulto qualquer composto ali de umas 15 ou 20 pessoas do lado de fora do alambrado

Foto: Reprodução/Fórum Econômico Mundial/Flickr
Foto: Reprodução/Fórum Econômico Mundial/Flickr

O dia em que Pelé “me viu” foi em 1965, 10 de outubro, domingo à tarde, na cidade de Ribeirão Preto-SP, naquele Santos 2 x 0 Comercial, pelo segundo turno do Campeonato Paulista.

O Santos seria bicampeão, mas aquele jogo foi dramático e Pelé fez 1 a 0, de pênalti, só aos 43 minutos do primeiro tempo.

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Eu, com 14 anos, estava lá ao lado dos muzambinhenses Amintas, Moisés, Biga, Mauro Chame, Gleninho, Mirtinho “Chupa Dedo”, André Pirata, Serrote, João Mula e Carlinho “Boca de Véia”.

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Éramos 11 e, “sardinisticamente” em uma Kombi alugada, fomos ver o Santos de Pelé.

Fiquei no alambrado espremido bem do lado do banco de reservas do Santos com o técnico Lula, o massagista Macedo e o goleiro reserva Laércio.

40 graus na cabeça e eram 15 mil torcedores, mas tive e tinha a impressão de 2 milhões.

O Santos estava tomando sufoco até Pelé fazer 1 a 0.

Antes, uma bola prensada entre Nonô e Dorval veio “aos meus pés”, ali do outro lado da mureta do alambrado.

Aí, chegou o Pelé apressado, nervoso, tenso e suado para bater o lateral, e, ao levantar o corpo curvado com a bola na mão, “olhou para mim”.

Ou seja, ele viu por milésimo de segundo um vulto qualquer composto ali de umas 15 ou 20 pessoas do lado de fora do alambrado.

Pelé me viu de pertinho

Mas eu não quis saber: nossos olhares “se cruzaram”, pois foi de bem pertinho e seguiu o jogo que terminou 2 a 0, segundo gol de Dorval.

Não vi mais nada, só pensava no olhar de Pelé e dizia para mim: “O Pelé me viu. O Pelé me viu. O Pelé me viu…”.

Na volta, nove dormiram na Kombi, menos o motorista Moisés e eu, que estava petrificado, assustado e alucinado porque “o Pelé me viu”, “o Pelé me viu”, “o Pelé me viu…”.

Até hoje tenho esta “certeza” porque sempre choro quando disso lembro.

E foi graças a Deus e a minha tia Antonia que pude ver Pelé.

Ela pediu mais ou menos R$ 90 em dinheiro de hoje emprestados de primos para o “Mirtinho” não ficar triste e ver o Pelé.

90 reais era o preço do pacote “aluguel da Kombi + gasolina + lanche + ingresso”.

Foi o melhor presente que ganhei em toda a minha vida porque… “O Pelé me viu!”.

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