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Paraíba: MP investiga rompimento de reservatório que causou morte e destruiu casas em Campina Grande

O incidente deixou 40 bairros da cidade e municípios vizinhos temporariamente sem abastecimento

Casas destruídas em Campina Grande | Foto: Reprodução/Redes sociais/Leydson Jackson
Casas destruídas em Campina Grande | Foto: Reprodução/Redes sociais/Leydson Jackson

O Ministério Público da Paraíba (MP-PB) iniciou uma investigação para apurar o rompimento de um reservatório de água, ocorrido na manhã de sábado 8 na Rua Oswaldo Cruz, em Campina Grande (PB). O incidente deixou 40 bairros da cidade e municípios vizinhos, incluindo Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Areial e Montadas, temporariamente sem abastecimento.

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O reservatório tinha capacidade para armazenar em torno de 2 mil metros cúbicos de água, equivalente a 2 milhões de litros. Cláudia de Souza Cavalcanti Bezerra, promotora de Justiça, instaurou uma notícia de fato para apurar as circunstâncias e destacou que o caso envolve uma concessionária de serviço público e impacta interesses coletivos.

Demandas por informações e atuação intersetorial

O MPPB solicitou que a Cagepa, responsável pelo reservatório, por meio da Gerência Regional de Campina Grande, forneça em até 48 horas informações detalhadas sobre o ocorrido. Entre os pontos requisitados estão vistorias técnicas anteriores, ações adotadas depois do incidente e o plano para reparar os prejuízos causados.

Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e IPC também deverão encaminhar relatórios sobre as providências adotadas depois do rompimento. O Ministério Público informou que a apuração será encaminhada a um promotor com atuação ambiental, mas terá caráter intersetorial, incluindo promotorias do Consumidor, do Cidadão e Criminal.

“O Ministério Público da Paraíba será atuante e vigilante até que as responsabilidades pelo rompimento do reservatório da Cagepa sejam integralmente apuradas e os danos de natureza difusa e coletiva sejam reparados”, afirmou a promotora Cláudia Bezerra.

Posicionamento da Cagepa e do governo estadual

Em nota oficial, a Cagepa lamentou o ocorrido e manifestou pesar pela vítima que morreu, informando que abrirá processo interno para apurar as causas do rompimento. “As circunstâncias do caso estão sendo apuradas. Assim que o rompimento foi identificado, equipes técnicas e de assistência foram mobilizadas imediatamente, em parceria com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, para garantir a segurança das famílias afetadas e iniciar as medidas emergenciais”, disse a Cagepa.

O governador João Azevedo (PSB) declarou em coletiva que o reservatório passava por manutenção constante e não apresentava indícios de risco antes do incidente. “Naquilo que se refere à questão da manutenção, essa manutenção é diária, é permanente”, justificou o governador. “Não há nenhum relatório em que aquele reservatório apresentasse, até o momento, nenhum risco para a população. Não houve nenhuma sinalização. Quando uma estrutura qualquer de qualquer edificação dá sinais de rompimento, são vários sinais que aparecem antes, e ali não foi o caso. Não tinha vazamento pelas paredes, não aparecia nada disso.”

Rompimento de reservatório em Campina Grande causa morte e destruição

O rompimento do reservatório de água provocou a morte de uma idosa, de 62 anos, e deixou duas pessoas feridas, além de destruir casas e veículos. Cerca de 2 milhões de litros de água se espalharam pelas ruas, causando o desabamento de três imóveis, arrastando carros e derrubando postes.

O governo estadual afirmou que a estrutura recebia manutenção constante e não apresentava sinais de risco. A Cagepa, responsável pelo reservatório, abriu investigação interna, enquanto o Ministério Público da Paraíba apura responsabilidades.

A empresária Priscila Freitas, dona de um estúdio de estética no bairro da Prata, descreveu a Oeste os estragos causados pelo rompimento do reservatório de água em Campina Grande em sua empresa. Segundo ela, o imóvel resistiu “como um verdadeiro milagre”, enquanto vizinhos tiveram muros e portões destruídos.

“O dano foi principalmente físico, portões e portas de vidro, o resto foi só lama”, disse Priscila. “Mas minha amiga perdeu equipamentos que provavelmente não vão funcionar mais.” Ela ainda destacou que o incidente poderia ter sido ainda pior. Priscila não estava no estabelecimento no momento do vazamento; ela estava atrasada ao levar o marido, paciente oncológico, ao hospital, e por isso escapou da força da água, que poderia ter levado seu carro.

A empresária criticou a gestão do governo estadual: “Isso não aconteceu de um dia para a noite. Com certeza a estrutura deve ter dado sinais”. 

A Paraíba é governada pelo socialista João Azevedo (PSB), um dos aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado. Campina Grande, por sua vez, é reconhecida como um dos principais redutos eleitorais conservadores do Estado. Entre os moradores, há um sentimento recorrente de que o governo estadual mantém uma postura de descaso em relação à cidade.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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