A medicina brasileira se despede, nesta terça-feira, 28, um de seus maiores nomes. O cirurgião Silvano Mário Attílio Raia morreu, aos 95 anos, em decorrência de problemas pulmonares. A confirmação partiu da Academia Nacional de Medicina (ANM), instituição que o médico integrava desde 1991.
Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 1956, o cirurgião dedicou mais de quatro décadas ao ensino e à pesquisa acadêmica. Sua trajetória no Hospital das Clínicas consolidou a criação da Unidade de Fígado, centro de excelência que projetou o Brasil na vanguarda da cirurgia hepática.
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O pioneirismo que salvou milhares de vidas
Silvano Raia conquistou prestígio internacional ao liderar procedimentos que desafiaram a ciência de sua época. Ele realizou o primeiro transplante de fígado com doador falecido na América Latina. Contudo, seu feito mais notável ocorreu em 1988, quando realizou o primeiro transplante hepático com doador vivo descrito na literatura mundial.
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Essa técnica revolucionária permitiu que adultos doassem partes do fígado para crianças, ampliando significativamente as chances de sobrevivência de pacientes que aguardavam na fila de transplantes.
O Ministério da Saúde destacou, em nota, que a atuação da Raia foi decisiva para estruturar e expandir uma rede de transplantes no Sistema Único de Saúde.
Mesmo aos 95 anos, Raia mantinha uma rotina intensa de pesquisas. Nos últimos anos, ele liderou uma iniciativa na USP focada em xenotransplantes — o uso de órgãos de animais geneticamente modificados para transplante em humanos. Em março deste ano, o médico alcançou um marco histórico ao liderar a equipe que resultou na clonagem do primeiro porco da América Latina destinado a esse fim.
Despedida de Silvano
Além da atuação clínica, Raia ocupou cargos públicos de relevância, como a função de secretário municipal de Saúde de São Paulo (1993-1995).

Ao longo da carreira, publicou mais de 150 trabalhos científicos e orientou pesquisas de teses de mestrado e doutorado, moldando gerações de cirurgiões.
“Sua energia singular e visão pioneira permanecerão como um legado vivo”, afirmou Antonio Egidio Nardi, presidente da ANM.
O velório do corpo do professor Silvano Raia ocorre nesta terça-feira, das 15h às 20h, na Faculdade de Medicina da USP, em cerimônia aberta ao público.
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