publicidade
Brasil

Médica que fraudou cotas vai pagar R$ 720 mil como indenização

Acordo prevê reparação por meio de 100 parcelas mensais; valor será usado no financiamento de bolsas de estudos na Unirio

A médica Mariana Barbosa Lobo: medalha por reconhecer erro | Foto: Reprodução/X
A médica Mariana Barbosa Lobo: medalha por reconhecer erro | Foto: Reprodução/X

A médica Mariana Barbosa Lobo, acusada de burlar o sistema de cotas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) para cursar medicina, firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Em acordo com o Ministério Público Federal (MPF) e a instituição de ensino, ela se comprometeu principalmente a pagar R$ 720 mil a título de reparação. 

Mariana ingressou na universidade em 2018 por meio de vaga destinada a candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. A então estudante concluiu assim o curso em fevereiro de 2024. O acordo prevê o pagamento da indenização em cem parcelas mensais de R$ 7,2 mil. O valor está sujeito à correção inflacionária a partir de janeiro de 2026.

Receba nossas atualizações

Médica terá que fazer curso de letramento racial

Os recursos seguirão integralmente para o financiamento de bolsas para estudantes negros de medicina da Unirio aprovados pelo sistema de cotas. Parte do montante deve do mesmo modo seguir para custear o curso de letramento racial oferecido pela universidade. Pelo TAC, a médica deverá participar integralmente do programa, que inclui 45 horas teóricas e 15 horas práticas, com frequência mínima obrigatória de 75%. 

A Lei de Cotas, em vigor desde 2012, determina que 50% das vagas nas universidades federais sejam para alunos de escolas públicas, com reserva adicional baseada em critérios étnicos e raciais. Admitida via Sisu em 2018, Lobo foi alvo de denúncia por fraude e respondeu a Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Ainda durante a graduação, obteve decisão favorável da 21ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que impediu o cancelamento de sua matrícula, permitindo que concluísse o curso.

Leia também: “Final feliz”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 298 da Revista Oeste

Organização que atua na promoção da inclusão negra no ensino superior, a Educafro recebeu com entusiasmo a assinatura do TAC. O diretor-executivo da entidade, frei Davi Santos, afirmou que a médica receberá um diploma simbólico por reconhecer o erro. Ele acrescentou da mesma forma que o gesto deve servir de referência. Santos admitiu a expectativa de que outros estudantes brancos que tenham ocupado irregularmente vagas destinadas a candidatos negros sigam o mesmo caminho.

+ Leia mais notícias de Brasil na Oeste

Leia mais sobre:

6 comentários
  1. FRANCISCO FERREIRA
    FRANCISCO FERREIRA

    Acima de tudo o conceito de cotas raciais é segregacionista, racista e discriminatório.

  2. Célio Antônio Carvalho
    Célio Antônio Carvalho

    Não há que se ter cota racial. É preciso ajudar quem de fato queira e necessite. Seria pura e simplesmente econômico/financeira.

  3. Christian
    Christian

    Resumindo : As cotas são mais descriminatórias do que reparativas.
    É uma decisão FALIDA.

  4. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Os governos seguem nesta hipocrisia das cotas, mas mantêm a miséria, a injustiça e o ensino de péssima qualidade pública.

  5. Robinson dos Santos Pereira
    Robinson dos Santos Pereira

    Mas essa mulher me parece parda. A cota serve para “reparar” uma dificuldade que a pessoa tenha sofrido que tenha causado desequilíbrio na disputa pelo acesso à educação. No caso, o que deveria ser considerado nesse processo não é a cor, o fenótipo da pessoa que busca a cota, mas dos pais. A situação dos pais é que afeta o acesso à educação pelos filhos. Digamos que um casal branco e rico adote uma criança parda. Qual dificuldade ela terá para acessar a educação e disputar de igual para igual na sociedade? Nenhuma. Por isso que acho que deveria estar bastante claro onde e quando o acesso à educação é prejudicado.

  6. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    Governo devia criar uma cartilha dizendo como identificar um negro/preto e pardo pois Marina silva entre outros se identificam como preto/negro e ta tudo certo ganham até reconhecimento como negro/preto do seculo, essas cotas so servem pra discriminar as pessoas e colocar pra dentro os amigos e militantes conhecidos

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.