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Mansão de Clodovil em Ubatuba vira ‘palco de fenômenos paranormais’

Imóvel abandonado atrai ‘caçadores de fantasmas’ e expõe o impacto da falta de planejamento patrimonial

Clodovil, durante discurso na Câmara dos Deputados, onde legislou de 2007 a 2009 pelo extinto e conservador Partido Trabalhista Cristão (PTC) | Foto: Reprodução/TV Câmara
Clodovil, durante discurso na Câmara dos Deputados, onde legislou de 2007 a 2009 pelo extinto e conservador Partido Trabalhista Cristão (PTC) | Foto: Reprodução/TV Câmara

A casa que pertenceu ao estilista e ex-deputado federal Clodovil Hernandes, em Ubatuba, virou cenário e fonte de conteúdos para as redes sociais depois de relatos envolvendo supostos fenômenos paranormais no imóvel abandonado no litoral norte paulista.

A residência, localizada entre as praias do Léo e do Meio, está em ruínas desde a morte de Clodovil, em 2009, em razão de um AVC (ele tinha 71 anos). Sem ninguém que zelasse pelo espaço, a casa passou a ser frequentada por grupos especializados em investigações sobrenaturais.

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Clodovil: herança bloqueada na Justiça

O abandono do imóvel está diretamente ligado à longa disputa envolvendo o espólio do apresentador. Clodovil não teve filhos nem herdeiros diretos. Parte de sua herança ficou bloqueada pela Justiça para pagamento de dívidas, impostos e ações judiciais deixadas depois do seu falecimento.

Leia também: “O Brasil inadimplente”, reportagem publicada na Edição 321 da Revista Oeste

A mansão chegou a ser leiloada, mas o processo se arrastou por anos em meio a disputas judiciais e problemas ambientais. Construída em área de preservação ambiental, a propriedade sofreu demolições parciais determinadas pelo Judiciário, o que afastou compradores e dificultou a transferência definitiva do imóvel.

Desfecho indesejado, explica especialista

Especialistas em direito sucessório costumam apontar que instrumentos de planejamento patrimonial poderiam ter evitado parte da deterioração do imóvel. Um testamento mais detalhado, a criação de uma fundação, a constituição de uma holding patrimonial ou até a doação antecipada de bens poderiam ter dado maior segurança jurídica e agilizado a administração do imóvel depois da morte do estilista.

Clodovil, nos tempos de TV Globo | Foto: Reprodução/TV Globo
Clodovil, nos tempos de TV Globo | Foto: Reprodução/TV Globo

“Este é um caso emblemático que evidencia a importância do planejamento sucessório, pois certamente o desfecho não corresponde ao que Clodovil desejava para o seu patrimônio”, comenta a advogada especialista em direito de família Simone Chittolina. Clodovil manifestava o desejo de criar uma instituição beneficente em homenagem à mãe, Isabel Hernandes, mas o projeto nunca saiu do papel. 

Clodovil diante da capela para a qual deu nome de sua mãe, Isabel Hernandes | Foto: Reprodução/Redes sociais
Clodovil diante da capela para a qual deu nome de sua mãe, Isabel Hernandes | Foto: Reprodução/Redes sociais

Acredita-se que Clodovil não tenha tido dinheiro, tempo ou interesse em buscar a orientação necessária. “O imóvel poderia ter recebido uma destinação clara, com preservação de seu valor patrimonial e simbólico. Neste caso, a regularização prévia do bem poderia ter conferido maior segurança jurídica e evitado que a vontade do titular se perdesse em meio à burocracia e aos litígios”, acrescenta Simone.

Sem uma solução definitiva para o espólio, a mansão permaneceu anos sem manutenção, acumulando infiltrações, mofo e sinais de deterioração. A propriedade tem mais de 4 mil metros quadrados, com vários cômodos, piscina, sauna e até uma passagem privativa para a Rodovia Rio-Santos. Tomada pela vegetação, a mansão também enfrenta disputas judiciais por ter sido construída em uma Área de Proteção Ambiental (APA).

Cenário de vídeo para o YouTube

Canais no YouTube, como Lolo Bolado, voltados a fenômenos paranormais ou curiosidades do mundo artístico, passaram a explorar o local com equipamentos como câmeras noturnas, sensores eletromagnéticos e “spirit box”, aparelhos usados por investigadores para supostos contatos espirituais.

Relatos compartilhados por alguns desses grupos afirmam que alguns instrumentos teriam registrado alterações próximas à piscina da mansão e até supostas manifestações atribuídas ao ex-apresentador. Não há comprovação científica sobre os episódios. Avaliada em cerca de R$ 1,6 milhão, a propriedade segue sem reformas e com futuro incerto.

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