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Lixo cria 'rochas de plástico' em arquipélago mais distante da costa brasileira

Mesmo restrita ao turismo e com acesso controlado pela Marinha, chegada de resíduos na Ilha de Trindade ameaça espécies da região

Coleta de lixo na Ilha de Trindade, no Espírito Santo | Foto: Reprodução/ICMBio
Coleta de lixo na Ilha de Trindade, no Espírito Santo | Foto: Reprodução/ICMBio

Fragmentos de plástico moldados em rochas vêm se acumulando no arquipélago da remota Ilha da Trindade, no Espírito Santo, a mais isolada do Brasil. O lixo já alcança áreas de ninho de tartarugas-verdes, cuja maior zona de desova nacional se localiza ali.

Pesquisadores apontam que este fenômeno, identificado desde 2019, cresce em extensão e ameaça espécies endêmicas da região. A formação dessas rochas resulta principalmente da fixação de cordas de pesca, restos de borracha e outros resíduos trazidos pelo mar.

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Mesmo restrita ao turismo e com acesso controlado pela Marinha, a ilha sofre com a chegada de lixo das correntes oceânicas. Entre julho e agosto, 446 itens foram recolhidos, incluindo plástico, vidro, madeira, metal e calçados.

Ações de limpeza e biodiversidade ameaçada no arquipélago

Garrafas de plástico com rótulos asiáticos foram encontradas na Ilha da Trindade, Espírito Santo | Foto: Reprodução/ICMBio
Garrafas de plástico com rótulos asiáticos foram encontradas na Ilha da Trindade, Espírito Santo | Foto: Reprodução/ICMBio

Na última operação de limpeza, em setembro, cerca de 300 kg de resíduos foram retirados por 32 militares e pesquisadores, com apoio de voluntários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O acúmulo de resíduos preocupa por sua proximidade com ninhos de tartarugas e pela diversidade de materiais encontrados, boa parte de origem internacional. Localizada a 1.160 quilômetros da costa, Trindade integra a cadeia de montes submarinos Vitória-Trindade, sendo considerada Área de Proteção Ambiental.

O arquipélago abriga rica biodiversidade, incluindo espécies exclusivas como o peixe-ventosa Acyrtus simon, e serve de área de alimentação, repouso e reprodução para diversas espécies marinhas.

Expansão do problema e monitoramento

De acordo com Fernanda Avelar, pesquisadora da Fapesp e da Universidade de Western (Canadá), as rochas de plástico continuam se expandindo e alcançam até ninhos de tartarugas, evidenciando a profundidade da poluição: “A poluição plástica já penetrou não apenas os ecossistemas marinhos”, afirmou Fernanda Avelar.

O lixo encontrado na ilha tem múltiplas origens, sendo registrado principalmente nas praias dos Andradas, das Tartarugas e dos Cabritos. Entre os resíduos mais recentes, predominam fragmentos de plástico rígido, nylon, isopor, madeira e borracha, classificados conforme uso em categorias náuticas, alimentícias, de higiene, vestuário e calçados.

O monitoramento dos resíduos segue em estágio inicial; os dados coletados apoiarão pesquisas futuras sobre impactos ambientais. Pesquisadores buscam compreender como os resíduos plásticos afetam a saúde da fauna local, especialmente tartarugas, incluindo possíveis casos de ingestão e aumento da mortalidade.

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A estudante de biologia Mariana Ughini, voluntária do ICMBio, relatou grande variedade de plásticos, de grandes a pequenos fragmentos, formando até barreiras na área de desova das tartarugas. Segundo ela, “há muitos tipos de plástico, inclusive fragmentos grandes e pequenos, chegando a formar uma barreira de plástico”, disse Mariana Ughini.

Os resíduos gerados pelos ocupantes da ilha são separados para reciclagem ou incineração, enquanto o material orgânico é compostado. Esse cenário evidencia que, apesar do isolamento e das restrições, a Ilha da Trindade não está imune à poluição global, que ameaça seu ecossistema único.

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