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Jornalista pode e deve ter time do coração. Certo, Armando Nogueira?

Profissional que não torce para ninguém tem de mudar de profissão e virar setorista de ensaio de ópera

'Pátria de chuteiras é para torcedor, e não para jornalista', bradava Fernando Luiz Vieira de Mello | Foto: Reprodução/Placar
'Pátria de chuteiras é para torcedor, e não para jornalista', bradava Fernando Luiz Vieira de Mello | Foto: Reprodução/Placar

“Ah, Milton Neves, mas você só escreveu isso por ser santista…”.

Canso de ler comentários deste tipo nos espaços em que publico meus textos, como aqui na nobre Revista Oeste.

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E, quando isso acontece, logo me lembro da Copa de 90, na Itália, quando tive a oportunidade de entrevistar e aprender com o mestre Armando Nogueira, no lobby do Hotel Polo, em Roma.

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À época, o histórico diretor de jornalismo da Rádio Jovem Pan I AM, o também saudoso Fernando Luiz Vieira de Mello, provocou no ar grande polêmica.

Bancava ele que jornalista esportivo nunca poderia ter time ou seleção.

“Pátria de chuteiras é para torcedor, e não para jornalista”, bradava.

Aí, fui ouvir Armando Nogueira, então comentarista da Rádio Tupi do Rio, no comando de Doalcey Bueno de Camargo.

Armando Nogueira foi um dos maiores jornalistas esportivos do país | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Armando Nogueira foi um dos maiores jornalistas esportivos do país | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Ele se abrigou lá após sua polêmica edição do debate Lula x Collor no Jornal Nacional.

“Mestre Armando, jornalista esportivo pode ter time e torcer pela seleção?”, perguntei, gravando.

“Não apenas pode, como deve”, sentenciou. “Jornalista esportivo que não tem time e não torce por sua seleção tem de mudar de profissão e virar setorista de ensaio de ópera.”

O maior aprendizado de Milton Neves

Para medo e desespero do narrador Nilson César (“Não faça isso, não ponha no ar, o Fernando vai nos demitir”), coloquei a gravação “ao vivo” no Jornal da Manhã ao ser chamado pelo âncora Joseval Peixoto, só apertando o botão do play do gravadorzão que tinha.

Não deu outra.

Segundos depois, o mestre Fernando ligou para nosso QG de Grotta Rossa em Roma e disse: “Parabéns, Mineiro, gostei do contraditório”.

Nilson César, sem saber o que falava Fernando, só gritava, aterrorizado do lado: “Não falei, não falei? Estamos ferrados!”.

Nilson César segue como narrador na Jovem Pan | Foto: Reprodução/miltonneves.com.br
Nilson César segue como narrador na Jovem Pan | Foto: Reprodução/miltonneves.com.br

Não fomos, não estivemos ferrados, mas elogiados.

E, nessa história, respeito muito a opinião do saudoso Fernando Luiz Vieira de Mello, meu maior professor em todos esses anos de carreira no jornalismo, mas concordo com o também mestre Armando Nogueira.

Então, moçada da “crônica especializada”, vamos torcer — e muito — por nossa Seleção (por mais que esteja difícil) e para um time qualquer.

De preferência, para o meu Corinthians.

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2 comentários
  1. João Carlos De Castro Silva
    João Carlos De Castro Silva

    Corinthians? Você é ou não é torcedor do Santos Futebol Clube?

  2. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Milton Neves , indiscutivelmente o maior comunicador esportivo de todos os tempos, o Pele do esporte .

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