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Greve da USP tem programação com campeonato de pebolim

Mesmo depois de assembleia com a reitoria, estudantes da Faculdade de Direito mantêm paralisação

Faixa na escadaria da São Francisco, bloqueada com piquete formado por cadeiras
Faixa na escadaria da São Francisco, bloqueada com piquete formado por cadeiras | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste

A greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), cujo início se deu em 15 de abril, continua. O Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP, localizado no Centro de São Paulo, anunciou a programação dos alunos nos dias sem aula. Nesta segunda-feira, 4, às 19h, está previsto um campeonato de pebolim.

Mais cedo, houve um café da manhã com alunos do cursinho gratuito Arcadas. À tarde, a exibição do filme brasileiro O Homem que Copiava.

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Ainda nesta segunda-feira, a diretora da Faculdade São Francisco, Ana Elisa Liberatore Bechara, divulgou um comunicado. Em nota, ela afirma que, apesar da greve, “as atividades de extensão, bancas de defesa, concursos públicos, consultas à biblioteca e outros eventos se mantiveram”. Como exemplo, a professora titular de Direito Penal cita uma cerimônia que ocorreu em 30 de abril, com “centenas de estudantes, familiares e amigos”.

Também foram colocadas propostas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação de alunos. Um deles seria para avaliar cotas trans e indígenas no vestibular | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Piquetes na entrada da São Francisco. Apesar do bloqueio, a reportagem teve livre acesso nos dois dias em que visitou o prédio | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste
Alunos do Direito jogando pingue-pongue durante a greve | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste

No entanto, as disciplinas da graduação permanecem sem aulas. O comunicado da diretoria também reforça os “inegáveis prejuízos advindos da referida paralisação”.

“Nessa linha, se a liberdade de manifestação há de ser respeitada no Território Livre das Arcadas, ameaças, hostilidades e ataques a alunos, funcionários ou docentes não são toleráveis e não serão admitidos”, escreveu Ana Elisa. “Qualquer pessoa que sofra violência ou constrangimento contará com todo o respaldo da diretoria para a tomada das medidas cabíveis.”

A nota acrescenta que os professores têm outras obrigações que vão além das aulas, mesmo durante a greve. “Por essa razão, os estudantes devem se abster de abordar ou constranger quaisquer pessoas que estejam na Faculdade de Direito para quaisquer dessas atividades, seja no seu acesso ao prédio histórico, seja no seu deslocamento dentro das suas dependências”, conclui.

O documento reforça a orientação da Pró-Reitoria de Graduação, que não permitiu aulas on-line durante a paralisação nem alterações no período de aulas, matrículas e prazos para lançamento de notas e frequências.

“A diretoria seguirá dialogando com toda a comunidade e adotará as medidas que lhe competirem com o fim de preservar o respeito mútuo e a segurança institucional, de modo a que a retomada do ano letivo se faça sem conflitos ou incidentes”, completa.

Na semana passada, a programação da greve dos estudantes da Faculdade de Direito incluiu uma roda de conversa com a organização não governamental (ONG) CracoResiste, partidas de xadrez, sarau e caraoquê, além da realização de uma assembleia. A ONG se descreve como “movimento social contra a violência policial na Cracolândia”, em seu perfil do Instagram.

Greve na USP continua sem acordo sobre bolsas estudantis

Depois de uma negociação realizada na última quinta-feira, 30, a reitoria e estudantes da USP não chegaram a um acordo. Uma nova reunião chegou a ser discutida entre as partes, mas não teve data confirmada até o momento.

Leia mais: “Greve na USP continua sem acordo sobre bolsas estudantis”

O principal ponto de divergência envolve o reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe). Para encerrar a paralisação, a reitoria propôs correção anual com base no IPC-Fipe, índice que acompanha a variação de preços na capital paulista.

Nos últimos 12 meses, o indicador registrou alta de 3,5%. Esse porcentual elevaria o auxílio integral de R$ 885 em cerca de R$ 31, segundo os dados apresentados durante a reunião. Os estudantes rejeitaram a proposta. Os alunos defendem a ideia de que o valor das bolsas se aproxime do salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1,8 mil.

Também foram colocadas propostas sobre a criação de grupos de trabalho para avaliar cotas trans e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil. Outro seria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava a regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria depois de receber críticas.

O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.

A reitoria apresentou sugestões relacionadas aos restaurantes universitários, outro ponto levantado pelos estudantes, que denunciaram larvas e insetos na comida. Como solução estão a criação de grupos para avaliar a qualidade do serviço, a contratação de novos funcionários e a ampliação da oferta de refeições.

A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento afirmou que a Vigilância Sanitária não encontrou irregularidades no local e que “uma equipe especializada realiza diariamente controle de qualidade das refeições”. Desde o início de 2026, foram realizadas cinco visitas de autoridades sanitárias nos restaurantes da USP, afirma o órgão.

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A proposta inclui três refeições durante a semana, além da oferta de café da manhã e almoço aos sábados. Sem acordo, a paralisação já atinge as 43 unidades da universidade, entre escolas, faculdades e institutos, tanto na capital quanto no interior.

Estudantes pedem ampliação dos dias de funcionamento dos refeitórios universitários | Foto: Divulgação/USP

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