Depois de uma fraude no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), quatro detentos conseguiram sair do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, no sábado 20. O esquema envolveu hackers que usaram credenciais de magistrados para emitir alvarás de soltura falsos. As autoridades ainda buscam três dos fugitivos, enquanto um já foi recapturado.
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A investigação aponta que os criminosos detidos em 10 de dezembro, com mais cinco suspeitos, pertencem a uma quadrilha especializada em acessar ilegalmente sistemas do Judiciário. O grupo aplicou o mesmo método que os levou à prisão: manipulação de ordens judiciais eletrônicas.
Acesso ao sistema e execução da fraude
O acesso ao sistema do CNJ foi feito por meio de logins e senhas de juízes, conforme apurou a polícia. Não se sabe como esses dados chegaram aos criminosos, mas eles permitiram simular decisões judiciais e alterar processos, além de tentar desbloquear valores, liberar veículos e modificar mandados.
A saída dos detentos aconteceu depois da inserção das ordens forjadas no Banco Nacional de Mandados de Prisão, ferramenta do CNJ. A Secretaria de Justiça de Minas Gerais usou essas informações para efetivar a liberação dos presos, que deixaram o complexo sem obstáculos.
Entre os fugitivos estão Ricardo Lopes de Araujo, com duas passagens anteriores, Wanderson Henrique Lucena Salomão, com três registros prévios, e Nikolas Henrique de Paiva Silva, que entrou no sistema pela primeira vez neste mês. Júnio Cezar Souza Silva, com três passagens desde 2020, foi capturado na noite de segunda-feira, 22.
Reação das autoridades e novas medidas de segurança
O CNJ informou que não houve invasão direta nem falha estrutural, mas sim o uso irregular de credenciais verdadeiras. O órgão garantiu que “todas as decisões falsas foram identificadas e canceladas em menos de 24 horas”, declarou o conselho, que não encontrou indícios de falha sistêmica ou de envolvimento de servidores.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais declarou que os alvarás forjados foram anulados e os mandados de prisão restabelecidos. O órgão ressaltou que nenhuma ordem foi expedida por juízes do Estado e que as forças de segurança já foram acionadas para localizar os fugitivos.
O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou que o Estado vai adotar novas medidas de segurança, incluindo o atraso no cumprimento das próximas ordens de soltura para verificar a autenticidade das decisões depois do ocorrido.
O caso permanece em investigação pelas autoridades de segurança pública de Minas Gerais e pelo Tribunal de Justiça, que seguem apurando detalhes para evitar novas fraudes semelhantes.
Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste





































Que perigo isso… Esperamos que anulem essa irregularidade até a eleição