publicidade
Brasil

Ex-testemunhas de Jeová realizam protesto contra líder da religião em São Paulo

Robert Ciranko está no Brasil para 'compromissos institucionais'; manifestantes denunciam casos de abuso, discriminação e proibição de procedimentos médicos

Ex-testemunhas de Jeová denunciam 'morte social' e casos de abuso na religião | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Ex-testemunhas de Jeová denunciam 'morte social' e casos de abuso na religião | Foto: Divulgação/MAV-TJ

Ex-testemunhas de Jeová realizam um protesto em Cesário Lange (SP) na tarde deste sábado, 15. A manifestação é uma resposta à visita de Robert Ciranko, líder global da igreja, que está no Brasil para compromissos institucionais, incluindo discussões sobre a diminuição do número de adeptos desde 2020.

O protesto começou às 8h na cidade-sede da religião no país, onde o líder também está hospedado — a estrutura em Cesário Lange recebe o nome de Betel. Ex-membros organizaram o ato para denunciar supostos casos de pedofilia, discriminação contra quem deixa a igreja e a proibição de transfusões de sangue, mesmo em emergências.

Receba nossas atualizações

Ex-testemunhas de Jeová tiveram laços com a família rompidos em decorrência de doutrinas da religião | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Ex-testemunhas de Jeová tiveram laços com a família rompidos em decorrência de doutrinas da religião | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Cartaz de protesto contra a doutrina que proíbe transfusões de sangue | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Cartaz de protesto contra a doutrina que proíbe transfusões de sangue | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Um dos momentos do protesto das ex-testemunhas de Jeová | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Denúncias contra a 'morte social' de ex-membros também foram feitas | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Denúncias contra a ‘morte social’ de ex-membros também foram feitas | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Cartaz de protesto de ex-integrante das Testemunhas de Jeová | Foto: Divulgação/MAV-TJ
Cartaz de protesto de ex-integrante das Testemunhas de Jeová | Foto: Divulgação/MAV-TJ

Cerca de 50 dissidentes, que perderam contato com parentes ainda fiéis, participarão. Eles querem acabar com a proibição de convivência com ex-membros para reconstruir laços familiares e sociais.

O grupo também busca eliminar a exigência de duas testemunhas para que a igreja investigue casos de pedofilia. A medida, segundo os ex-fiéis, tem deixado um sem-número de estupradores e de pedófilos impunes.

Relatos de ex-testemunhas de Jeová

O ato está sendo organizado e será conduzido, no sábado, por Yann Rodrigues, ex-Testemunha de Jeová. O profissional liberal foi expulso da própria casa, aos 15 anos, quando se desvinculou da religião.

Desde 2024, ele lidera o Movimento de Ajuda às Vítimas das Testemunhas de Jeová (MAV-TJ). O grupo é voltado para quem se sente lesado pela igreja, por sua pregação, suas doutrinas e seus membros.

“Muitas Testemunhas de Jeová dizem que não orientam ninguém a perder laços familiares, já que a escolha em seguir ou não a religião é assunto pessoal. Só que, na prática, não é isso o que acontece”, relata Rodrigues. “O próprio líder da doutrina [Robert Ciranko] reforça a ideia de que fiéis devem recusar contato com ex-membros; que não devem se sentar na mesma mesa – isso tudo ‘em nome de Jeová’.”

Segundo o líder do MAV-TJ, apenas a revogação total dessa orientação, incluindo nos canais oficiais da igreja, permitirá que ex-membros voltem a conviver com seus familiares que ainda seguem as Testemunhas de Jeová.

“Essa ideia ultrapassada divide famílias em todo o Brasil, atingindo diferentes camadas sociais”, explica o ex-religioso. “Para se ter noção, há casos em que pessoas precisam registrar Boletim de Ocorrência para comprovar o abandono por parte de pais ou filhos.”

Ele critica a regra da igreja, que só permite a reintegração familiar se o ex-membro retornar à fé. “É quase uma ditadura, uma imposição em pleno 2024.”

Danos físicos e psicólogicos

A rejeição leva muitos ex-membros da congregação a buscar reparação na Justiça e apoio psicológico, segundo Rodrigues. O isolamento imposto por algumas famílias causa ansiedade, pânico e medo, sentimentos que se intensificam em datas festivas e encontros familiares.

“Trata-se de uma dor irreparável”, acrescentou o líder do MAV-TJ. “Desejamos que Ciranko se solidarize com nossa dor e revogue esta medida que afeta a saúde mental de todos nós. Somos vítimas deste sistema doentio e retrógrado.”

Os dissidentes da Testemunhas de Jeová também querem derrubar o que a denominação chama de “Doutrina de Sangue”. A medida impede que fiéis praticantes recebam transfusão, mesmo em caso de risco de morte.

De acordo com Rodrigues, há testemunhos terríveis quanto à prática, que já teria vitimado 80 mil crentes apenas no Brasil. O número considera, inclusive, crianças.

+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Paulo César de Castro Silveira
    Paulo César de Castro Silveira

    não é risco de vida, é risco de morte.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.