publicidade
Brasil

Ex-funcionários da Voepass denunciam negligência e pressão interna na companhia

Relatos indicam omissão deliberada de falhas técnicas e punições para quem alertava sobre riscos

Modelo de aeronave ATR-42 operada pela Voepass no Brasil e que serve a rota Natal-Fernando de Noronha
Relatório mostra que a tripulação acionou o degelo várias vezes ao longo do voo trágico da Voepass | Foto: Divulgação/Voepass

Ex-funcionários da Voepass relatam um ambiente de insegurança e pressão dentro da companhia aérea. Segundo depoimentos à revista IstoÉ, gestores da empresa ignoravam falhas técnicas das aeronaves e puniam os tripulantes que se recusavam a decolar com aviões em condições inadequadas.

Um dos casos mais graves envolve a aeronave ATR 72-500, de matrícula PS-VPB, que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024. As testemunhas afirmam que o sistema de degelo falhou durante um voo anterior ao acidente, mas a pena foi omitida no diário de bordo.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

Como resultado, a omissão impediu a abertura de um processo de investigação e permitiu que o avião voltasse a voar no mesmo dia. De acordo as informações, a aeronave pousou em Ribeirão Preto por volta da 1 hora da madrugada do dia 9, quando o piloto relatou verbalmente o defeito no sistema de degelo.

O avião passou por uma manutenção superficial no hangar até as 5h30, sem que a falha fosse formalmente registrada. Às 11h58, a mesma aeronave partiu de Cascavel, no Paraná, em direção ao Aeroporto de Guarulhos.

Durante o trajeto, enfrentou forte formação de gelo, perdeu estabilidade e caiu às 13h22 sobre o Condomínio Recanto Florido, matando os 62 ocupantes a bordo.

Voepass puniu copiloto que recusou voar com aeronaves com falhas

O relatório inicial do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, publicado em setembro, mostrou que a tripulação acionou o sistema de degelo várias vezes ao longo do voo.

Portanto, o equipamento deveria ter garantido a integridade da aeronave diante das condições climáticas. No entanto, a negligência não era um episódio isolado.

Luiz Almeida, que atuou como copiloto da Voepass de 2019 a 2025, afirmou que sofreu represálias por denunciar situações semelhantes. Ele contou que se recusou a voar com aeronaves que apresentavam falhas, como indicações de “itens no-go”, que tecnicamente impedem a decolagem.

+ Leia também: “Turbulência em voo nos EUA deixa 25 feridos e obriga pouso forçado”

Em resposta, a empresa o penalizava com escalas piores e longos períodos em stand-by. Além disso, um ex-mecânico da companhia, que preferiu não se identificar, afirmou que muitos funcionários realizavam a manutenção “na base da gambiarra”.

Segundo ele, o setor técnico operava com ferramentas precárias e, ao denunciar a falta de condições mínimas de segurança, os profissionais recebiam ameaças de demissão. A Voepass ainda não se manifestou sobre as denúncias.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.