A direção da Enel tem reiterado que está disposta a substituir em larga escala a fiação elétrica aérea da cidade de São Paulo por uma rede subterrânea. A posição é uma maneira de contrariar a afirmação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de que a empresa de energia não quer e não tem capacidade para resolver os problemas relacionados ao apagão no Estado em dezembro.
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Até o governo federal aderiu à pressão para “enterrar” o contrato com a empresa, que vence em 2028, por meio do instrumento da caducidade. A empresa, no entanto, relata que o que ela quer enterrar são os fios. A possibilidade de encerramento do contrato está descartada neste momento pela empresa.
O procedimento em relação à fiação é considerado pelos especialistas como uma das principais soluções para reduzir apagões causados por tempestades e ventos fortes. A medida, porém, envolve custos altos e pode impactar a tarifa de energia.
Tarcísio não se mostra otimista em relação a esta possibilidade. No evento de prestação de contas dos três anos de seu governo, disse que, desde 2023 tem acompanhando e registrado oficialmente, por meio de ofícios, ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os problemas sucessivos no fornecimento de energia pela Enel em São Paulo.
“Desde 2023 estamos dizendo de forma consistente que esta empresa não tem conseguido cumprir suas obrigações e não tem capacidade de manter o serviço adequadamente, como ficou evidente em várias ocasiões ao longo dos últimos anos.”
Antes mesmo do apagão mais recente, entre 8 e 10 de dezembro, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) já haviam alertado a Agência Nacional de Energia Elétrica para a necessidade de avaliar uma intervenção federal na concessionária, relata o jornal O Estado de S. Paulo.
O parecer, emitido nove dias antes do blecaute, revelou que a empresa deixou de cumprir sete dos onze Planos de Resultados assumidos e criticou a baixa efetividade das sanções, muitas delas travadas na Justiça. As multas em disputa ultrapassam R$ 260 milhões.
O colapso do fornecimento afetou cerca de 2,3 milhões de unidades consumidoras na Grande São Paulo, depois de ventanias consideradas excepcionais. O episódio se somou a outros cortes registrados ao longo de 2024 e 2025. Embora a distribuidora sustente que o serviço tenha sido normalizado, consumidores ainda relatavam falta de energia até o dia 16.
Enel declara que investe em modernização
A empresa atribuiu os danos à intensidade da tempestade, com ventos próximos de 100 km/h e a queda de centenas de árvores. A Enel declara que cumpre os parâmetros contratuais e tem investido na modernização da rede. Estão previstos, prossegue a companhia, investimentos de R$ 10,4 bilhões entre 2024 e 2027, além do reforço na manutenção preventiva e do aumento das podas de árvores próximas à fiação.
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Segundo a empresa, até 1,8 mil equipes teriam sido mobilizadas para atender uma área com aproximadamente 18 milhões de habitantes. O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, contesta esse número e afirma que o monitoramento por câmeras da prefeitura identificou uma frota bem menor de veículos em operação.
Em comunicado, a Enel defendeu que a redução de falhas estruturais passa por aportes elevados em redes mais resistentes, digitalizadas e com maior presença de cabos subterrâneos. A companhia relatou estar aberta a executar esse plano, desde que integrado a uma estratégia construída com os entes públicos.
Ao mesmo tempo, ponderou que a expansão do enterramento da rede exige coordenação institucional e um modelo de remuneração que viabilize financeiramente os investimentos.
A capital paulista tem um dos piores índices de fiação subterrânea entre grandes cidades. De mais de 20 mil quilômetros de rede elétrica, menos de 1% está enterrado. Criado em 2017 para acelerar esse processo, o programa municipal SP Sem Fios avançou apenas 46,5 quilômetros. Em 2022, a prefeitura projetava alcançar pouco mais de 65 quilômetros até 2024, meta que permanece distante.





































Enterrar a fiação é muito mais fácil de falar do que de fazer. A ENEL não tem credibilidade para propor algo desse tipo. É apenas mais uma manobra para ir empurrando o problema com a barriga. Eles que apresentem um estudo de viabilidade para isso, com um plano de implantação, origem dos recursos, retorno do investimento para que isso tenha um cheirinho de seriedade..
Aterramento exigirá maior preço da energia para o consumidor?
Um absurdo isso: considere-se o q se economizará com manutenções no sistema, em especial durante e após tempestades!
Trocam transformadores, fios e perdem parte na tempestade seguinte! E não só a ENEL! As outras também! Vejam com os problemas da CPFL e demais!
Pode ser até reparos mais rápidos por menor número de consumidores, mas… choveu , garoou, faltou luz!