publicidade
Brasil

Delegada da PF aciona a corporação depois de cobrança extra de motorista para devolução de notebook

Condutor alegou direito a recompensa com base no Código Civil; associação de delegados rebateu versão divulgada nas redes

Dominique
Dominique de Castro Oliveira, delegada da Polícia Federal | Foto: Reprodução/ADPF

A delegada da Polícia Federal (PF) Dominique de Castro Oliveira solicitou apoio da corporação depois de um impasse com um motorista de aplicativo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

No dia 8 de fevereiro, Dominique esqueceu um notebook funcional da instituição em um carro da Uber. No entanto, ao solicitar a devolução do equipamento, o condutor condicionou o serviço ao pagamento de um valor adicional além da taxa oficial da plataforma.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

De acordo com a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), a delegada havia entrado em contato com a Uber assim que percebeu o esquecimento.

A empresa informou que cobraria uma taxa padrão pelo retorno do objeto, valor que seria repassado integralmente ao motorista. Segundo a entidade, Dominique aceitou e quitou a cobrança.

Apesar disso, o motorista teria exigido um acréscimo correspondente a 5% do valor do bem. A associação informou que ele enviou uma mensagem à delegada mencionando os artigos 1.233 e 1.234 do Código Civil, que tratam de recompensa por devolução de item perdido.

Para a ADPF, essa legislação não se aplica ao caso, uma vez que a Uber possui regras específicas para devoluções realizadas por motoristas parceiros.

A delegada, portanto, acionou a PF ao entender que a cobrança adicional era indevida e que o equipamento, por conter dados sensíveis da instituição, corria risco.

Os agentes localizaram o motorista e o conduziram à Superintendência da PF no Distrito Federal para prestar esclarecimentos. Os agentes o liberaram depois do depoimento.

ADPF critica repercussão negativa do ocorrido  

A situação ganhou projeção nas redes sociais e gerou críticas à delegada. Usuários ironizaram o valor envolvido (5%) e relembraram que Dominique já havia atuado na Interpol, antes de receber afastamento do posto em 2021, durante o governo Bolsonaro, depois de uma diligência relacionada ao jornalista Allan dos Santos.

Com a repercussão, a ADPF divulgou nota de repúdio aos comentários nas redes e à forma como parte da imprensa apresentou o caso. A associação afirmou que a honra da delegada vem sendo “achincalhada” e classificou a situação como uma “inversão de valores”.

+ Leia também: “Juiz fala sobre delegada presa por elo com PCC: ‘Se não é narcoestado, estamos a poucos passos'”

A entidade também contestou a alegação de que o motorista foi preso por se recusar a devolver o objeto. Segundo os delegados, ele não sofreu detenção e apenas compareceu para prestar esclarecimentos.

A associação sustentou que o condutor buscou uma vantagem indevida e ignorou os protocolos da empresa à qual está vinculado. Para os representantes da categoria, não se tratou de um achado fortuito, mas de um bem público deixado no veículo durante a prestação de serviço.

A entidade afirmou que o motorista, ao saber que o item pertencia à PF, deveria ter colaborado imediatamente com a devolução.

Eis o parecer da Uber:

“A Uber esclarece que, assim como em outros meios de transporte, como ônibus ou avião, cada usuário é responsável pelos seus objetos pessoais quando está utilizando o serviço. No entanto, a empresa oferece aos usuários e motoristas parceiros a possibilidade de acionar o suporte pelo próprio aplicativo em caso de itens esquecidos.

A equipe de suporte, então, procura ajudar na intermediação entre as duas partes, inclusive com possibilidade de manter ambos contatos anonimizados, atuando conforme a legislação que resguarda a privacidade de dados pessoais.

Caso o objeto seja encontrado, a devolução pode ser combinada entre usuário e parceiro. É importante frisar que, de forma a ressarcir o motorista por seu deslocamento para devolver um item, uma taxa de devolução é cobrada do usuário e repassada integralmente ao motorista parceiro.

Sobre o caso relatado, a Uber lamenta o ocorrido e espera que motoristas parceiros e usuários não se envolvam em conflitos. A conta do motorista parceiro segue ativa, e a empresa permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar, na forma da lei.”

+ “MP-PR propõe sanções a jovem por deixar amigo em trilha no Pico Paraná”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.